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domingo, setembro 28, 2008

Entre portas


Entre portas há silêncios. Entre portas há paz. Pela primeira vez em muito tempo, há neste espaço uma imensidão de sabores que se vão saboreando. Cada esquina, cada recanto, concede momentos que a pouco e pouco ajudam a construir um registo simpático, tranquilo, acolhedor.
Há na vida inúmeras razões para mudar. Inúmeras circunstâncias que nos moldam. Toneladas de experiências que em passos de segundos nos corrigem. Uma casa é um motor tão forte como qualquer amor, ou abraço desejado em desespero.
Hoje, essa casa é minha. Essa mudança é minha. A razão do meu silêncio.
Tem o meu cheiro a correr à mistura com as minhas vozes. A 3 a 4 ou a 6 decibéis de prazer. Está repleta de passados. Cheia de escolhas próprias que reflectem como espelho velho e amarelecido pelos milhares de olhares, aquilo que fui, aquilo que ambiciono ser e melhor ainda, aquilo que sou.
As ausências também têm um tecto aqui. Quando se fecha os olhos e entre cortados eles nos levam de volta a outras casas. Quando nos entre alma adentro as pernas por cima de tapetes que antes se pisaram. E ao rever vemos os livros que hoje se lê, as palavras desditas dos jornais de hoje. Os sorrisos ténues de certezas, esperança, de quem pensa noutras casas, noutros móveis, cheiros, pedaços de dia-a-dia espalhados.
É por isso que me escrevo. Para que daqui a muito tempo, também outros passos regressem aqui.

terça-feira, agosto 05, 2008

Muros homónimos

Levaram o seu tempo, desta vez, e depois de cada um cair para seu lado, saciado, Franck dirigiu-se ao tecto:

- Está bem, Camille, nunca te amarei.
- Obrigado, Franck. Eu também não!

quinta-feira, maio 15, 2008

Minha laranja amarga e doce





Gosto de olhar a chuva pela janela. Ver o desfilar das gotas emparelhadas que escorregam pelo vidro num deslize quase sensual, para cairem aos meus pés num pequeno grito mudo de fim de estação.
Gosto das ideias sossegadas, preguiçosas e compostas deitadas sobre uma cama doce e quente num silêncio de paz, que existe neste corpo desarrumado com gosto.
Gosto de inspirar este aroma que me envolve e se mistura com a chuva no asfalto quente e um suspiro floral das jacarandás que nos garantem a Primavera.
Gosto do som que as memórias frescas repetem em mim até à exaustão confessa de um sorriso cúmplice.
Gosto de olhar o espelho e não ter saudades de mim. De me sentir madura e moldada pelo tempo e saber-me mais bonita no futuro que se aproxima quando se esbate o reflexo cansado do exercício e do esforço de crescer. Gosto de ser crescida.
Gosto do que não sei dizer. Gosto do que ainda não sei mostrar.
Gosto de me descobrir em pequenas surpresas folheadas sem pressas.
Gosto de ser assim. De me viver assim.
De gostar que gostes.

terça-feira, abril 15, 2008

domingo, março 23, 2008

verso em branco à espera de futuro

"No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira,
um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco,
a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um canto
chão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco,
a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro."

José Luis Tinoco

*obrigada pelo teu "canto chão Alentejano"

quarta-feira, março 19, 2008

Pai


Hoje é dia do pai e por alguma razão triste não tenho que dizer. Não reconheço as palavras que sinto atropelar-me, porque não me reconheço em ti. Sou tua filha, eu sei. A natureza não nos deixa negar.
Sei que brevemente irás partir e eu não chegarei nunca a dizer o quanto gosto de ti e o quanto te admiro, perdida na absoluta incapacidade de um abraço.
Mas hoje, avô, desejo-te um feliz dia do Pai, com um abraço apertado, ainda que virtual mas que condensa todo o amor que tenho mas não consigo mostrar.
Gosto muito de ti pai!

terça-feira, janeiro 01, 2008

Um momento Dourat


O ano velho já se foi, o ano novo já se cheira e o silêncio torna-se a companhia desejável. As crianças dormem, satisfeitas, quentes, sorridentes e expectantes destes novos dias ainda embrulhados. Lá fora, celebrantes compulsivos disparam para o ar, não sei se para matar o ano velho ou assustar o novo. No rosto daqueles que no frio se embalam e impulsionam á base de alcool, numa tentativa obrigatória de acreditar, ou numa expectativa idêntica a que se sente após a primeira relação sexual, reflecte-se um olhar vazio, efémero, sem cor.

Sento-me no sofã e olho para o meu presente de 2008, uma bela garrafa de Dourat. O meu presente. Abro-a devagar. Deixo-a respirar. Admiro-a e ao primeiro golo percebo porque me fascina sempre, de cada vez, mais uma vez.

Quando se chega ao fim, começa-se a pensar no início. Isso mesmo nos dá, também um bom vinho.

Eu penso em tantas coisas que 2007 me trouxe:


O vinho do ano: FLP Branco 2006 (Filipa e Luís Pato)

A surpresa do ano: Bairro Alto, um bar sem nome; e os Cure

O melhor momento: todos os dias quando senti um abraço e o beijo quente dos meus filhos;

O momento mais difícil: a escolha de uma vida

O Jantar do ano: Vírgula

O melhor presente: Uma caixa
Livro que mais gostei: Ultimato em Lisboa, Robert Wilson
Filme que mais me tocou: A vida dos Outros

O momento mais marcante: dia 1 de Janeiro de 2007

Desejo concretizado: deixar de roer as unhas

Melhor fim-de-semana: Vila Viçosa

Melhor Paisagem: Provença


Assim, de desejos para 2008 tenho:


Que me traga tantos momentos como estes, que me dê disponibilidade e serenidade para apreciar as pequeninas coisas boas da vida, que mê saúde e força, para trabalhar e aprender e ser uma boa mãe, que me continue a surpreender e que , no fundo...seja um pouco melhor.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Pink

Hoje, o dia e os desejos são Pink!!!

segunda-feira, maio 28, 2007

Óh meu Santo Antoninho....


Sabes...tenho saudades tuas.
Repetitivas já sei! As palavras e as saudades. No nosso caso sempre se embrulharam bem.
Ás vezes revejo-te num copo de vinho, num cigarro mais animado, nos olhos da Catarina que brinca ás escondidas com o Adamastor.
Revejo o globo e imagino-te palpitante pelas ruas do mundo. Com uns olhos ávidos de vida, pormenores e detalhes...esses que são tijolo de ti.
Hoje sonhei-te. Uma vez mais, os sonos se riam ás gargalhadas. A meio do riso..aparecem -me imagens de ti, trazidas pela mão em surdina de um carteiro que não bate duas vezes. Fotos das gentes e paisagens tocadas por ti. Com cheiros teus.


Começo a achar que sou uma cartada nas mãos do destino. Tanto(s) serendipity's ....


As saudades, essas feitas sardinhas, vêm aos molhos, salgadas por pequenas lágrimas de aroma quente.

Tenho uma cadeira para ti no meu alpendre, uma caixa de recados para dar e uma garrafa com o teu nome...não demores!

quarta-feira, abril 25, 2007

39 razões para este ser um dia muito bom

Para ti Partilhas o meu presente é...o dobro daquilo que desejo para mim: paz, tranquilidade, solidariedade, amizade...um amor profundamente nosso e uma esperança certeira e quente, que nos enche de energia o corpo e nos faz dançar a alma.

Danço a ti...la mujer que mueve el mundo con sus...


365 dias do melhor que houver para conseguir.


Beijo

terça-feira, abril 24, 2007

Bebedeiras mentais 2

Para quem sabe...porque precisamos tantos de nós estes momentos...deixo esta bebedeira mental...

domingo, abril 22, 2007

Palavras que nunca direi...


Entra.
Fecha a porta.
Não digas nada. Não penses.
Abre a janela e deita-te aqui.
Não digas nada.
Deixa as tuas mãos escreverem em mim.
Olha-me para além dos olhos e vê.
Deixa o teu nariz ler o mapa dos meus sentidos.
Rasga-me a pele,
desata o desejo e deixa-te estar.
Envolto em mim, embrulhado no meu suor,
nas pernas bambas,
nas tremuras quentes e doces do meu ser.
Deixa-me estar,
vê-me crescer para ti.
Não digas nada que o amanhã já foi.
Ouve as palavras do vento,
os risos dos pássaros
o desalento dos homens.
Agarra-me ao universo do que sou...
Deixa-me ficar no silêncio do meu nome.
O tacto das dores que se anseiam e dispersam em nós.
A energia do corpo que expele a história,
o episódio,
a série que se sucede.
Sem palavras...
só um desejo mudo de certezas,
parco de razões
sedento de paz.
Acaricia-me a boca
que despeja palavras
contextos em pedaços de nós.
Agarra a voz e deposita dentro de mim,
no fundo de mim
que se funde num nós
sem momentos.
Embala o abraço.
É tarde
Muito tarde...
Quiças tão tarde q pode esperar...
Só mais um minuto que não faz sentido
mas se sente...
Muito.
Dorme em nós.
Sonha sem legendas,
sem genérico de outras almas.
Acordo
Acordo
E volto a acordar..
E a porta...nunca se abriu
Não tem fechadura
e a rua já não existe..
Era uma memória doce e quente...
De um outro sonho.

sábado, abril 21, 2007

Acordei assim


sexta-feira, abril 13, 2007

Recado

"That I Would be Good "


That I would be good even if I did nothing
That I would be good even if I got the thumbs down
That I would be good even if I got and stayed sick
That I would be good even if I gained ten pounds
That I would be fine even if I went bankrupt

That I would be good if I lost my hair and my youth
That I would be great if I was no longer queen
That I would be grand if I was not all knowing
That I would be loved even when I numb myself
That I would be good even when I am overwhelmed
That I would be good even if I was clingy

That I would be good even if I lost sanity
That I would be goodWhether with or without you"

bY Alanis Morrisett

segunda-feira, abril 02, 2007

Lista de presentes de Páscoa

Quero uma conversa boa!
Um jantar quente.
A maresia doce e morna que salga os corpos.
Quero sentar-me no Bairro.
Rir a bandeiras despregadas.
Supreender-me com segredos tímidos.
Imaginar.
Rir e engasgar-me.
Sorrir ao rio no Miradouro de Santa Catarina.
Tapar o frio com um casaco emprestado.
Uma flor roubada num vaso.
Um brilhosinho nos olhos.
Ouvir as canções da infância.
Cantar as memórias televisivas.
Dançar no Jamaica ao som de boa música.
Corar com Ena pá 2000.
Deixar-me cair de cansaço.
Descalçar os sapatos e sentir o frio da areia.
Ver o sol a nascer com cacau doce.
Sentir cada instante.