Mostrar mensagens com a etiqueta O bloguista da bancada lateral. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O bloguista da bancada lateral. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Porquê

"Não conseguia esquecê-la.Não percebia como amando tanto aquela mulher,vivendo com ela uma osmose prolongada,via um amor assim sucumbir inapelávelmente por uma reles apneia.Tinha de vê-la.Já há um longo mês que a não via.Acordou com a alba,enfrentou longos quilómetros com a esperança no olhar,percorreu caminhos que bem conhecia.Ia contemplá-la á distância.Para ele era muito pouco,mas habituou-se sempre a ama-la nada querendo em troca.Mergulhou na periferia de uma grande cidade.Um lugar feio,onde parece tudo clandestino.Nada disso lhe importava.Para vê-la passearia de olhos fechados num generoso tapete de minas.Chegou e sentiu-lhe o aroma,que lhe perfumava a vida.Procurou o carro.Fácilmente o encontrou,porque a conhece,como ela o conhece.È capaz de prever cada reacção,cada esgar dela,como ela os dele.Comprou uma rosa.De vermelho vivo.Como o amor que por ela sentia.Chovia bastante.Protegeu a rosa da intempérie,envolvendo-a num saco de plástico.A protecção da rosa simbolizava toscamente o zelo extremado que sempre deu áquele enorme amor.Um simples guardanapo de papel,colhido num café das redondezas,acompanhava o simbolo do amor fervente,de um amor escaldante.Ficou de tocaia á espera dela.Quatro longas horas,perante o olhar desconfiado e inquisidor dos passeantes.que tentavam lobrigar no olhar dele um laivo de malvadez.A todos fitava com garbo,abrigado da chuva,com imenso amor cravado no olhar.Esperava por ela.Como tantas e tantas vezes.Tinha que vê-la!Tinha de vê-la sem ser visto,porque depois de tantas provações,sentindo na pele um altivo desprezo,não podia aceitar mais uma rajada de rancor,num simples olhar.Desta vez não.De súbito ela surgiu!A mulher que ele amava ilimitadamente.percorreu um caminho breve até ao carro,enchendo de magia e beleza,um lugar cinzento e torpe,e sobretudo,inundando-lhe a alma de euforia.Ela pareceu pressenti-lo,olhando várias vezes para tras,rastreando a rua,mapeando e sentindo o cheiro.Não o viu,mas sentiu-o.Quando ele sentiu a sua partida,precipitou-se para o lugar onde tinha estado o carro,emoldurado pela rosa.O tálego inclemente cortou a noite fria e martirizou-lhe o ânimo!A rosa indefesa,repousava dentro do saco protector,em cima do muro frio!O desespero assaltou-lhe os sentidos.Como era possivel,tanto ódio,a quem sempre deu e continuava a dar amor,sem nada querer em troca,num amor puro ,torrencial e desinteressado,mesmo na mudez dos dias e na ditadura da indiferença?Um rio de lágrimas invadiu-lhe o rosto,enquanto um oceano vigoroso,mas silencioso lhe submergia a alma.Uma tristeza imensa acompanhou-o no regresso,pensando em desistir de quem tanto o magoara,mas a quem tanto amava.Mas de repente o viço úbere do amor alagou-lhe de novo a mirrada alma e esta correspondendo áquele voltou a medrar e a crescer.Imediatamente a seguir,enviou-lhe uma mensagem escrita,assumindo que,apesar de humilhado e magoado,ia retribuir com gestos de quente e invencivel amor,a um gesto frio de indescritivel ódio.E mais uma vez,desdenhando da distância,cumprimentando a aurora,desprezando a fadiga,ele vai querer vê-la,sempre se interrogando,porqùê,ansiando por um sorriso,e numa voz meliflua e apaixonada,entre abraços e beijos,lhe perguntar,como tantas e tantas vezes:Estás bem,minha razão?Desculpa se te fiz esperar!E ele num sorriso incontido,dir-lhe-ia:Por ti esperei toda a vida e mil anos esperaria!Trocando abraços e partilhando beijos,ignorando o mundo,porque o mundo é deles. "
Superpoderes

quinta-feira, maio 29, 2008

Dolce Vita

Dolce vita


Ele já tinha reparado nela.Partilhavam uma zona de alimentação de um centro comercial.Tinha-lhe admirado a escultura perfeita do corpo e o olhar onde cabia o mundo.Estava sempre acompanhada,passando os fins de tarde a estudar e a tomar notas.Um dia,com a colega ausente,por inexplicável magia ficaram de cadeiras coladas.Ela levantou-se,pedindo-lhe com doçura para zelar dos livros e do portátil,enquanto ia á casa de banho,concluindo com um sorriso terno e com a promessa de breve regresso.
Ele esperou,mirando e remirando os livros.Ela voltou com o sorriso a incendiar-lhe a alma,agradeceu e começaram a falar.A propósito de nada,falaram de tudo.
Era estudante de medicina,faltando-lhe dois anos para terminar o curso,sendo natural de uma cidade minhota.
As horas passaram rápido e a esse dia outros se sucederam,com raras intermitências,provocadas pela incomoda,mas involuntária presença da colega.Uma esdrúxula magia instalou-se e sedimentou-se.Trocavam sorrisos e risos,ouviam-se,confidenciavam estados de alma,mergulhavam nos caboucos das suas vidas.
Provaram o fast-food,enquanto ela perorava sobre os malefícios daquele,demonizando-o e tragando-o,misturando sentenças médicas,com nacos de bom humor.E ria,ria muito.
Um dia,quando já tinham partilhado longas horas de conversa e aferido os sentimentos na distancia de um fim de semana,ele convidou-a para um jantar formal,longe do lugar onde tudo desabrochara.Ela desenhou um sorriso atento e pela primeira vez,sem responder ao convite,olhou para o dedo anelar da mão direita dele,onde repousava uma alva aliança,questionando o significado de tudo aquilo.
Ele explicou tudo,com tocante sinceridade e absoluta veracidade.Desnudou a alma,assumindo que não conseguia despir aquele objecto metálico,frio na forma,mas escaldante de conteúdo,porque prenhe de memorias e sentimentos vivos.Falou-lhe do tempo e do que por ela sentia.Ela ouviu e sorrindo sempre,disse que ia pensar em tudo.Despediram-se com um beijo meigo,marcando encontro para o dia seguinte.
Ele esperou.Ela não estava.Ele esperou muito.Ela não veio.
À noite,na hora do lobo,o telemóvel tocou.Era ela.Pediu desculpa pela ausência.Por momentos,aquela voz que ele tanto gostava,voltava a fulgurar a noite,dilacerando-lhe a tristeza.
Disse que tinha reflectido muito e que concluiu ser melhor não se verem mais,porque não queria sofrer,que não gostava de esperar.Ele argumentou,rebateu,propôs um encontro esclarecedor,definindo barreiras e pedindo-lhe tempo.Ela não aceitou a proposta,porque dizia que temia envolver-se mais e mais.Deixou em aberto a questão do tempo.
Ele voltou ao centro comercial,mas ela não mais voltou.O mundo tornou-se mais desinteressante e o colorido do centro comercial tornou-se plumbeo cerrado.
Um dia ele espera chegar e vê-la rodeada de livros,sorrindo para ele,com aquele sorriso que lhe mima a alma,com aqueles olhos onde cabe o mundo,com o langor melifluo do cio.
Ele sente a falta dela.Eu sinto a falta dela.

Superpoderes

quarta-feira, abril 02, 2008

Contribuição do 1º Bloguista convidado

"Pour Inês


Quero sentir-te!
Na mudez da noite,em silêncio de faca,num beijo de lâmina.
Quero ter-te!
Navegar no teu corpo,sem bússola,sem sextante,sem astrolábio,sem quadrante,sem balestilha.Na loucura do cio,com vontade rapace,o teu corpo é um dédalo,que só eu conheço,em que nunca me perco e onde sempre me encontro.
Fundo-me em ti no sorriso da noite,esquadrinhando cada milimetro do teu corpo com o G.P.S. da paixão.
Sussurro-te incontidas vezes o que a minha alma grita,incessante e desesperadamente,o meu amor torrencial,imenso e imorredouro.
Abraço-te como um naufrago agarra a vida,acaricio-te com a terna blandicia do meu profundo amor.Mergulho na tua divina cratera,para sentir o teu magma,contagio os meus ferventes sentidos com o telúrico pulsar,imparavelmente meigo,do teu vulcão.
Sinto a tua seiva,agarro-te com volúpia,com a intensidade do furacão lambendo a árvore.
Acaricio-te!Mimo-te!Beijo-te!Abraço-te!Agarro-te!Fecundo-te!
Gloso cada sentimento que por ti sinto,evoco todos os momentos que vivemos,prometo a eternidade dos afectos,declino adjectivos,pronuncio substantivos sobre a tua extraordinaria beleza,enuncio a vontade infinita de te ter,juro eternidades para o
nosso amor.
Adormeces.Extasio-me contigo.Adormeço dentro de ti.Sonho contigo.estás dentro de mim para sempre.
Amo-te até ao fim dos dias,até ao fim do mundo."

SUPERPODERES