"E que convicção! Fiz de ti razão da minha dorzinha de alma, sem sequer te querer amar. Mas quero-te. Quero-te tanto porra! Quero-te na mesma medida do meu silêncio e no oposto da espera. Quero-te como quem quer um último cigarro que sabe de morte, quero-te como quero a noite ruidosa dos passos que te afastam de mim. Fujo de ti, contrariando os meus pés desassossegados que teimam em seguir-te. Quero-te com raiva e com vontade de matar. Vontade de te comer em mim na medida em que me vivo.
De tanto te querer odeio-me. Odeio o tempo suspenso do grito que não dei, do murro que não cobrei. Odeio rever-te por toda a parte onde só eu estou.
E quero-te, pela noite dentro. Quando os teus olhos que não vejo, me olham escondidos. E eu sei que és tu. Sinto-o tantas vezes pelas costas. O braço que não se pôs.
Assumir o erro é coisa de gente grande. É prémio de quem na vida já aprendeu a separar o trigo do joio que é como quem diz, o essencial do acessório. Amanhã poderemos estar mortos e o que faremos com o que ficou por dizer e fazer? Não nos irá aquecer mais que a terra que pesará sobre nós.
Aprendi ás minhas custas que há alturas na vida, que devemos parar e partir a loiça. Ouvir aquilo que apenas imaginamos para que isso permita espoletar (obrigada P.) os mecanismos mentais de sobrevivência, a raiva, a tristeza, o luto que servem de vassouras para limpar o que tem que ficar.
Eu, por mau feitio e quando algo me cheirou a esturro, em vez do confronto optei por sair de soslaio, sem contudo dizer tudo aquilo que me queimava na boca. A verdade é que tonalidades de cinzento não clarificam o meu dia-a-dia e eu não sei ficar só porque isso é o oposto de ir embora. Eu fico sim, quando a minha presença é requerida. Quando sou eu e não qualquer outro individuo que tem um lugar marcado à mesa.
Assim, guardei para mim os afectos, rumei de novo á minha vida a meio e por lá fiquei a tentar perceber. Erro crasso. Há coisas que não são para se perceber, mas apenas para esquecer e isso eu ainda não aprendi.
Por isso ainda te quero! Por isso escrevo o que me vai na alma e tu, no alto do teu lugar cativo absorves a massagem ao ego. A mulher que se esmifra no que sente, no rídiculo da ambição, barata e simples de estar bem, faz o teu dia mais alegre por seres tu quem ela quer?Por ser a lembrança dos dias coisa farta que ocupa o lugar de quem merece?
Tu não. Tu não erras. Tu não és assim. Tu tens dignidade e amor e mulheres e vícios que te ocupam. Tu não queres saber do dar por dar, porque é bom e faz sentido e sabe bem.
Tu és homem. Tu partes inteiro e não deixas pedaços pelo chão. Tu não amas. Tu gostas. E gostar é uma questão de modas. Tu fechas a porta sem olhares para trás.
Eu errei...assumo. Errei e erro todos os dias quando te acercas à minha memória. Erro em todos os momentos em que revivo as coisas boas, simples quentes e a ausência da despedida.
Mas dar-te-ei sempre o benefício da dúvida. Porque sou assim. Rídicula, romântica, cativa da capacidade de surpresa. Mesmo com todos os erros e todos os defeitos. Porque por defeito, Gosto de ti."
De tanto te querer odeio-me. Odeio o tempo suspenso do grito que não dei, do murro que não cobrei. Odeio rever-te por toda a parte onde só eu estou.
E quero-te, pela noite dentro. Quando os teus olhos que não vejo, me olham escondidos. E eu sei que és tu. Sinto-o tantas vezes pelas costas. O braço que não se pôs.
Assumir o erro é coisa de gente grande. É prémio de quem na vida já aprendeu a separar o trigo do joio que é como quem diz, o essencial do acessório. Amanhã poderemos estar mortos e o que faremos com o que ficou por dizer e fazer? Não nos irá aquecer mais que a terra que pesará sobre nós.
Aprendi ás minhas custas que há alturas na vida, que devemos parar e partir a loiça. Ouvir aquilo que apenas imaginamos para que isso permita espoletar (obrigada P.) os mecanismos mentais de sobrevivência, a raiva, a tristeza, o luto que servem de vassouras para limpar o que tem que ficar.
Eu, por mau feitio e quando algo me cheirou a esturro, em vez do confronto optei por sair de soslaio, sem contudo dizer tudo aquilo que me queimava na boca. A verdade é que tonalidades de cinzento não clarificam o meu dia-a-dia e eu não sei ficar só porque isso é o oposto de ir embora. Eu fico sim, quando a minha presença é requerida. Quando sou eu e não qualquer outro individuo que tem um lugar marcado à mesa.
Assim, guardei para mim os afectos, rumei de novo á minha vida a meio e por lá fiquei a tentar perceber. Erro crasso. Há coisas que não são para se perceber, mas apenas para esquecer e isso eu ainda não aprendi.
Por isso ainda te quero! Por isso escrevo o que me vai na alma e tu, no alto do teu lugar cativo absorves a massagem ao ego. A mulher que se esmifra no que sente, no rídiculo da ambição, barata e simples de estar bem, faz o teu dia mais alegre por seres tu quem ela quer?Por ser a lembrança dos dias coisa farta que ocupa o lugar de quem merece?
Tu não. Tu não erras. Tu não és assim. Tu tens dignidade e amor e mulheres e vícios que te ocupam. Tu não queres saber do dar por dar, porque é bom e faz sentido e sabe bem.
Tu és homem. Tu partes inteiro e não deixas pedaços pelo chão. Tu não amas. Tu gostas. E gostar é uma questão de modas. Tu fechas a porta sem olhares para trás.
Eu errei...assumo. Errei e erro todos os dias quando te acercas à minha memória. Erro em todos os momentos em que revivo as coisas boas, simples quentes e a ausência da despedida.
Mas dar-te-ei sempre o benefício da dúvida. Porque sou assim. Rídicula, romântica, cativa da capacidade de surpresa. Mesmo com todos os erros e todos os defeitos. Porque por defeito, Gosto de ti."



