
segunda-feira, outubro 27, 2008
Feliz aniversário futuro caçador de mitos...

terça-feira, outubro 21, 2008
Para onde vão os nossos heróis quando se cansam...?

Sempre olhei de soslaio todas as pessoas ou melhor pais, que de armadura em riste forrada de conceitos apreendidos de livros de pedospsiquatria, psicologia infantil, peuricultura e afins, se sentiam capazes de dar profundos conselhos a qualquer outro pai que, um pouco envergonhado levava as mãos à cabeça e admitia não saber o que fazer com o seu rebento.
Uma vez mais, a vida encarrega-se de me colocar em linha e percorrer caminhos literários idênticos, na busca do derradeira receita para fazer do meu filho, de novo, uma criança feliz.
E assim lá vai ela para a FNAC todas as semanas ler e reler tudo o que se publica sobre formas de lidar com a depressão infantil, o bullying, a neura, o desalento, o desamparo (de ambos), de tal forma que já tenho o direito de ouvir comentários graciosos ao jeito de "estás a tentar transformar-te na Marta Stewart da maternidade'"?.
Não. Apenas procuro a felicidade dele, ou pelo menos um tapete almofado que lhe ampare a queda, já que eu, por defeito, também não acredito nela.
Neste percurso de psicologia de trazer por casa, e ao longo das várias consultas do CADIN, que se amortizam semanalmente ano a ano, tenho encontrado textos muito bonitos, esclarecedores e até apaziuguadores de algumas mágoas pessoais, que vão muito além da minha faceta de mãe, nomeadamente do escritor Eduardo Sá, que publicarei aqui, sempre que façam sentido como encaixe das várias conversas tidas com aquele que sendo apenas uma infima parte de mim, é sem dúvida a melhor.
A propósito das falsas promessas, da amizade que se oferece em saldo e rapidamente se esgota, do "gosto muito de ti e nunca te vou esquecer", do fraca consolação do "és muito especial", aqui fica um pequeno texto do autor:
"Há pessoas que põem palavras nos nossos sentimentos. Parecem-se com os poetas. Mas depois, de surpresa, abandonam os nossos sonhos pé ante pé ou de “pantufas”. Não sei... Na verdade, decepcionam-nos (devagarinho) e, quando damos por isso, apagam-se dentro de nós. Deixam de ser preciosas e, por tudo o que valeram, não podem voltar a ser só (!) nossas amigas. Partem para uma “terra de ninguém”, muito distante do sítio onde vivem os génios da lâmpada, o Pai Natal, as fadas e os duendes. E por lá ficam. Mais ou menos errantes.
Imagino esse lugar, onde se acotovelam tantas pessoas que nos disseram tanto, como um Purgatório, com a particularidade de lá não se ser promovido, com facilidade, até ao Céu. É verdade que essas pessoas não se transformam num inferno dentro de nós, embora, por vezes, surjam, ora como um vulto ora como uma silhueta ou, até mesmo, como uma estrela cadente que, atravessando o nosso coração, já não provoca um arrepio (muito menos, um calafrio, que são aqueles sentimentos impetuosos que nos desabotoam a cabeça e nos deixam a arder de paixão e a tremer de medo, ao mesmo tempo).
Afinal, não são nem amigos nem amores. Transformam-se num museu? Numa arqueologia de todos os amores, por exemplo? Às vezes, nem isso. Infelizmente. Se fosse assim, estáticas, empoeirados, seguravam-se no nosso coração. O que não acontece às pessoas que foram perdendo a magia...
Este “não sei onde” é uma espécie de cemitério de poetas dentro de nós. Um lugar de silêncio que convida a espreitar para o que sentimos. Com surpresa e com dor, ao descobrirmos que, ao contrário do que sempre desejámos, há relações – luminosas - que foram morrendo para nós. Às vezes assusta. Afinal, não é simpático descobrirmos que mora em nós alguém que, não sendo o Capitão Gancho, tenha ajudado a morrer quem trouxe poesia, ou luz, ou um insustentável rebuliço ao que sentimos... Às vezes, atormenta. Porque magoa descobrirmos que – mesmo quando nos imaginamos a dar a sala mais espaçosa do nosso coração - também nós, dentro de algumas, vivemos sem viver, errantes, nesse “não sei onde” de alguém, entre os seus amigos e os seus amores. Às vezes ainda, somos tocados pelos galanteios da vida e, levados pelo entusiasmo, imaginamos que, se desejarmos com muita força, algumas das pessoas que guardamos no nosso cemitério de poetas ressuscitam e regressam, cheias de luz, para surpresa do Pai Natal ou das fadas. Eu sei que também entre as pessoas há quem pareça mágico mas intocável. Como eles. Mas: esse é o cais de embarque que, de surpresa, nos pode levar (sem volta) para o cemitério dos poetas."
[Eduardo Sá]
domingo, outubro 19, 2008
terça-feira, setembro 30, 2008
Um gajo normal
segunda-feira, setembro 29, 2008
Before is too late
"I wander through fiction to look for the truth
Buried beneath all the lies
and I stood at a distance
To feel who you are
Hiding myself in your eyes
And hold on before it's too late
We'll run till we leave this behind
Don't fall just be who you are
It's all that we need in our lives
and the risk that might break you
Is the one that would save
A life you don't live is still lost
So stand on the edge with me
Hold back your fear and see
Nothing is real 'til it's gone
So live like you mean it
Love 'til you feel it
It's all that we need in our lives
So stand on the edge with me
Hold back your fear and see
Nothing is real 'til it's gone"
Goo Goo Dolls
domingo, setembro 28, 2008
Entre portas
Há na vida inúmeras razões para mudar. Inúmeras circunstâncias que nos moldam. Toneladas de experiências que em passos de segundos nos corrigem. Uma casa é um motor tão forte como qualquer amor, ou abraço desejado em desespero.
Hoje, essa casa é minha. Essa mudança é minha. A razão do meu silêncio.
Tem o meu cheiro a correr à mistura com as minhas vozes. A 3 a 4 ou a 6 decibéis de prazer. Está repleta de passados. Cheia de escolhas próprias que reflectem como espelho velho e amarelecido pelos milhares de olhares, aquilo que fui, aquilo que ambiciono ser e melhor ainda, aquilo que sou.
As ausências também têm um tecto aqui. Quando se fecha os olhos e entre cortados eles nos levam de volta a outras casas. Quando nos entre alma adentro as pernas por cima de tapetes que antes se pisaram. E ao rever vemos os livros que hoje se lê, as palavras desditas dos jornais de hoje. Os sorrisos ténues de certezas, esperança, de quem pensa noutras casas, noutros móveis, cheiros, pedaços de dia-a-dia espalhados.
É por isso que me escrevo. Para que daqui a muito tempo, também outros passos regressem aqui.
Fomes
- Como te sentes?
Hesita por momentos, como se da sua resposta dependessem vidas. Como se as procurasse com cuidado no fundo da sua mala sempre desarrumada. Remexe-se na cadeira, respira. Abre a boca de mansinho mas cala.
- Exausta. Vazia. Tranquila. Arrumadinha como o quarto no momento seguinte á passagem do serviço de quartos. Esfomeada. Estou capaz de comer um boi.
Não consigo evitar rir ás gargalhadas. Daquelas cheias, a abarrotar de satisfação.
- Definitivamente estás diferente.
- Parece que me livrei das pedras que tinha entaladas na garganta e que impediam a passagem do susbstracto do corpo, da reles comidinha, do prazer. Sinto-me tão leve que preciso de comida para servir de lastro.
Sorria com vontade, enquanto virava o rosto e depositava o olhar no jovem sentado na mesa ao lado. Como se o visse pela primeira vez e gostasse do que os seus olhos lhe mostravam.
- Convido-te para jantar. Há que celebrar essa fome toda com algo substancial.
- De acordo. Mas escolhes tu. Aviso que estou com um apetite voraz.
Continuou calada toda a viagem. Não mudou a estação de rádio. Não se queixou do frio. Não reclamou do facto de não poder fumar..
quarta-feira, setembro 17, 2008
John Mayer - Free Fallin'
O meu chefe....
Não sei se alguma vez mencionei por aqui o facto de ter o melhor chefe do mundo! É mesmo isso, sem enganos ou sobressaltos. O meu chefe tornou-se com o passar dos anos e o aperto do trabalho e da vida, um dos meus melhores amigos.Muitas vezes vestiu ele o fato de Cavaleiro Andante (CH, obviamente!)
Para o Consolidar (Risos) desta forma de ser e estar, que é a nossa amizade disfarçada de muitos formalismos, contribuiu o facto de termos praticamente a mesma idade, backgrounds comuns, ambições parecidas e até defeitos convictos em nós.
Todos os dias aprendo algo novo com ele, seja uma anedota picante ou um novo príncipio económico. Aprendo que um sorriso faz milagres, permito-me ser eu e ter prazer por ai, a rir e brincar com o lado cinzento da vida.
Pela mão do chefe de má fama (cão que ladra não morde mas irrita!!!), conheci esta versão de uma música que muito mexe comigo.Afinal somos mais parecidos do que ambos suspeitávamos.
Por isso chefinho: SHOW ME THE MONEY!!!!
segunda-feira, setembro 15, 2008
in O Animal Moribundo de Philip Roth
sexta-feira, setembro 12, 2008
quinta-feira, setembro 11, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
"- J'ai peur que t'aies plus envie de moi, si tu me vois..." ou ando a precisar de comer mais crepes...

"Clic clac. Plus personne ne bouge. Moment suspendu. Bonheur"
"Même pas heureux d'ailleurs, ils n'étaient plus si exigeant. D'être ensemble, c'est tout. Et déjà c'était inesperé."
"Demain, il lui offrirait des crêpes Suzette pour la retenir à tout jamais."
"T'es contente de toi là ? Elles te gênent pas tes ailes quand tu marches ?"
"Tu vas pas t'en tirer comme ça ! Chose promise, orgasme dû !"
Muros homónimos
- Está bem, Camille, nunca te amarei.
- Obrigado, Franck. Eu também não!


