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quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Um conjunto de Enochatos? Naaaaaaaaaa


Braga tem os seus 5 P’s e eu consigo reunir 3.
Continuo a achar que o vinho é um excelente amigo. É, sem dúvida um daqueles amigos que, regra geral, nos apresenta outros amigos que com eles trazem outros vinhos. E não serve apenas para afogar as mágoas porque essas nadam melhor que o Phelps.(Piada à la P).


É sempre bom conhecer pessoas que gostam de vinhos. Pessoas que, com prazer se reúnem a uma mesa e falam de vinhos, com uma capacidade de partilha que nos permite sempre aprender, nessa troca de experiências e opiniões.

Não é preciso utilizar palavras que custam caro aos ouvidos dos outro, nem subir ao alto do poleiro para mostrar que a cauda estonteante dos nossos conhecimentos enófilos.


Recentemente tive o prazer de á volta dos vinhos, passar um dos serões mais agradáveis de muito tempo. Conheci gente gira, capaz de gargalhada solta, na proporção correcta do non sense, com graça no trato e capazes de no vinho serem sinceros e dados.

Estes foram os vinhos provados, mas para notas de prova sugiro uma incursão pelo
Blog de um enófilo com estilo.

Muachos Garrafeira 2003
Esporão Syrah 2005
Crios Malbec 2005
Altano Reserva 2005
Quinta de Saes Reserva Estágio Prolongado 2006
Quinta do Valdoeiro Touriga Nacional 2007
Terra a Terra Reserva 2005
Romaneira 2004
(3º P: ficas de castigo pelo comment. Risos)

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Missing




O velhinho do ISCSP

Chegada da Palmeira ao Palácio do Conde de Burnay, Rua da Junqueira, Finais do Século XIX.

Saudades do que se viajou na mayonese à sombra dessa palmeira...

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Fábulas

Para quem gosta de Fábulas, vinhos, coisas giras, gentes simpáticas...

www.salubaf.blogspot.com

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Na cama não se fala de filosofia

“Na cama não se fala de filosofia.

Peguei na mão dela, coloquei sobre meu coração, disse,meu coração é seu,depois pus sua mão sobre minha cabeça e disse,
meus pensamentos são seus, moléculas do meu corpo estão impregnadas com moléculas do seu. (...)Ela disse,
te amo, vamos viver juntos.

Perguntei, não está tão bom assim?
Cada um no seu canto, nos encontramos para ir ao cinema, passear no Jardim Botânico, comer salada com salmão, ler poesia um para o outro, ver filmes, foder.
Acordar todo dia, todo dia, todo dia juntos na mesma cama é mortal.

Ela respondeu que Nietzsche disse que a mesma palavra amor significa duas coisas diferentes para o homem e para a mulher.
Para a mulher, amor exprime renúncia, dádiva.
Já o homem quer possuir a mulher, tomá-la, a fim de se enriquecer e reforçar seu poder de existir.

Respondi que Nietzsche era um maluco.

Mas aquela conversa foi o início do fim.

Na cama não se fala de filosofia.”

Rubem Fonseca, "Ela e outras mulheres"

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Self-respect sky rocket

- a menina não tem medo de apanhar uma pneumonia com esse decote?Está muito frio!
- e o meu caro amigo não tem nada menos óbvio que fazer que olhar para o meu decote?- minha cara…a graça do seu decote reside na subtileza do mesmo!

terça-feira, dezembro 09, 2008

Palavras...palavritas

Há algumas coisas das quais me orgulho nesta vida, para além, obviamente, dos meus filhos, a mais bela produção que eu, sem esforço, criei. Um dia, porém, quis o acaso e um conjunto de coincidências, que o meu gosto pelo vinho, o meu lado tagarela, e a minha capacidade de receber por bem tudo que vem envolto num grande sorriso, me tenha colocado em braços (e acima de tudo, abraços), uma das pessoas mais maravilhosas que conheci. Cheio de defeitos, como eu, com uma presença que trespaça qualquer fronteira física, o Jorge Martinez, ou o meu Príncipe, ensinou-me, melhor que ninguém, que nem sempre o que desejamos é realmente o que queremos, mas acima de tudo, mostrou-me o meu valor, enquanto amiga, enquanto mulher, enquanto mãe mas também enquanto pessoa que vive com o coração na boca e meio a despropósito teima em dizer tudo o que pensa.

Como as coisas belas e bonitas são para partilhar, deixo-vos aqui uma pequena amostra de como este Meu amigo, escreve bem, também ele com o coração ao pé da boca, e da mão e do pé. O blog dele, ainda que não actualizado com regularidade, vale sempre uma visita e um comentário.




"Nunca contamos con que los años van cayendo como gotas de lluvia sobre un hierro impoluto, el cual , finalmente se acaba oxidando y asemejandose a los demás trozos mohosos de metal que un día relucieron a la luz de un sol lleno de vida y por qué no?? de ilusión.Ésta posiblemente, fue la razón por la cual nunca imaginó nadie, tanto menos él, un adios tan repentino, pero el amor es traicionero y a veces nos da la mejor de las sensaciones para luego darnos el peor de los dolores. Es dificil ser consciente de que la vida puede estar acabandose tras la siguiente curva, y ella convertirse en precipicio inminente, quizas porque no queramos saberlo, quizas porque no nos guste la idea o quizas porque no estemos hechos para ello... sea cual sea la causa, el irreparable dolor que deja un amigo que se va, es la estaca que abre la brecha de nuestros pensamientos y la razón que nos mueve al porqué de la existencia."

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Sortuda como só eu, as fotos do fim-de-semana bloguista foram-se...mas ficarão guardadas numa moldura mental revisitável.
O regresso a casa faz-se em paz e serenidade.

domingo, dezembro 07, 2008

O Douro é lindo. Mesmo quando está um frio de rachar. Por isso, e para aquecer o corpinho nada como ir beber um Porto no Pinhão. Nada melhor como o improviso para animar. E a hora? Ninguém desconfia.

sábado, dezembro 06, 2008

terça-feira, novembro 18, 2008

Uma lição "quase" perfeita

O texto em baixo apresentado ,da autoria de um amigo, é aqui publicado, apenas hoje, por dois motivos: O primeiro, mais uma coincidência, de tempos e memórias ,que permitiu hoje, um leve aconchegar de alma. Em segundo lugar, porque estou cansada de ouvir, pelos últimos dias que todos os homens são iguais, no sentido pouco simpático da expressão. Que são frios e calculistas e insensíveis às nossas necessidades.
Sei, por experiência que os homens também “ambicionam” uma princesa perfeita, ainda que com defeitos. Também sei que, desta extensa lista, há pontos que conseguimos, com honestidade, frontalidade, medo, coragem ou falta de jeito cumprir. E mesmo quando os não os conseguimos cumprir todos, vale a pena conhecê-los. Caso se preencham todos estes requisitos ficamos mais perto desse lugar que de perfeito tem pouco: O de ser um ser humano completo na base do outro.

A ti: desculpa o abuso, mas como afirmei recentemente as primeiras impressões são as que mais marcam e nesta lista está um belo cesto de sorrisos.Obrigada.


“(...)a propósito de uma lista de coisas que está no teu blog, eu também tenho uma lista mental do que é a mulher perfeita
(a ser inventada, claro!).
Eu gosto de:
1. Pessoas que tenham personalidade
2. Que tenham ideias originais
3. Que não se importem que eu goste de futebol e que percebam que isso não é incompativel com gostar de ler, ouvir musica ou conversar
4. Que reclamem carinhos que só por distracção ficaram por dar
5. Que saibam que os outros são diferentes e é por isso que gostamos deles
6. Que não se importem de chegar a casa e ver que afinal eu ainda não cheguei porque me distrai com as horas a conversar com alguém
7. Que saibam rir das patetadas que fazem
8. Que saibam que eu vou rir - quando me pedirem para não me rir de uma patetada qualquer que fizeram - porque me estou a rir com elas e não delas
8. Que entendam que os amigos são sempre bem vindos porque ser bem vindo é uma coisa que sabe bem
9. Que achem que pensar de forma diferente é um desafio e não um obstáculo
10. Que não tenham medo de arriscar
11. Que percebam os silêncios e que eles são às vezes a melhor forma de se dizer muita coisa
12. Que não tenham medo de dizer: amo-te (P), as vezes todas que quiserem
13. Que no meio do barulho percebam que os meus lábios estão a dizer isso mesmo
14. Que percebam que ser racional é uma arma para resolver situações e não um estado de espirito
15. Que ser irracional, emotivo e sincero é quase sempre um valor
16. Que se atrasem porque se distrairam com uma coisa qualquer mas entendam o possivel raspanete e saibam que se pedirem desculpa eu vou render-me
17. Que saibam que espero o mesmo delas
18.Que gostem de ver filmes no sofá com edredon e peçam qualquer coisa que esteja na cozinha exactamente no momento em que me enrosquei ao lado delas
19. Que o façam com um sorriso desarmante
20. Que saibam que vão ser obrigadas a pagar isso com muitos beijos
21. Que não reclamem por coisas futeis como por exemplo não ter arrumado os jornais que ficaram espalhados na sala
22. Que me digam que estou a ser um imbecil, quando mereço que isso seja dito
23. Que tenham segurança suficiente para não ter medo de falhar
24. Que me ajudem quando precisar
25. Que me peçam o mesmo quando precisam
26. Que tenham bom gosto
27. Que não liguem muito ao dinheiro porque ele é um meio e não um fim
28. Que aos abraços me digam que conseguiram qualquer coisa que desejavam muito
29. Que gostem de fazer amor às horas mais estapafurdias porque o sexo não tem horas
30. Que sejam inteligentes
31. Que tenham interesses completamente diferentes dos meus além dos que partilhamos em comum
32. Que me ensinem qualquer coisa que aprenderam e eu não sei
33. Que me perguntem o que querem saber
34. Que entendam que chorar é uma coisa normal e que é fundamental chorar quando for isso que têm que fazer
35. Que tenham coragem em sentido lato
36. Que me contem o que se passou nas viagens que fizeram e que eu não pude fazer com elas porque tinha que estar noutros sitios
37. Que entendam que amar não é uma obrigação, porque é um prazer
38. Que me vão buscar ao aeroporto ou que digam que não podem mas apareçam de surpresa
39. Que aceitem excessos da minha parte porque de vez em quando me apetece ser assim
40. Que me perguntem se posso ir buscar qualquer coisa delas que nem sei bem para que é que serve apenas porque têm preguiça
41. Que saibam partilhar
42. Que percebam que partilhar não é ceder mas sim recebe.
43. Que saibam ouvir
44. Que saibam que isso é essencial
45. Que gostem de andar pela rua
46. Que saibam perder
47. Que saibam ganhar 48. Que cedam no que achem que é acessório mas que não cedam no que acham que é essencial
49. Que percebam que eu gosto de praia quando ela está quase a acabar
50. Que saibam que eu sei que elas estão cheias de defeitos como eu
51. Que percebam que eu tenho dois pés esquerdos para dançar mas que faço um esforço
52. Que percebam que a vida deve valer a pena
53. Que saibam que esta lista é exemplificativa e não taxativa e que eu sei que elas também têm uma
54. Que tenham uma parte de vida anterior que às vezes me dá galo e de vez em quando me façam sofrer um pouco com isso porque querem que eu reaja
55. Que me surpreendam com um sms idiota do estilo: "desculpa mas apesar de estar tudo bem e de te amar vou partir para a Islândia com um chefe de cozinha russo"
56. Que tenham duas pernas e dois braços de preferência
57. Que sejam bonitas quando sorriem
58. Que não sejam racistas
59. Que percam tempo a fazer qualquer coisa para mim porque estão a gostar
60. Que me dêm prendas
61. Que gostem de receber prendas
62. Que entendam que nada é perfeito
62. Que saibam que existem sempre pessoas melhores que nós e outras piores, mais ricas mas também mais pobres, mais inteligentes mas também menos, mais bonitas mas também mais feias, enfim que saibam relativizar o Mundo
64. Que não sejam cagonas
65. Que me digam: "mas porque é que não queres favas?", quando sabem que odeio favas
66. Que pintem as unhas quando estou atrasado e com uma calma olimpica secretamente olhem para mim enquanto se estão a rir por dentro por eu ter olhado para a cena e ter fechado a boca enchendo-a de ar para evitar dizer quarenta e sete asneiras óbvias
67. Que façam planos de projectos que podem ser possiveis ou não
68. Que entendam que deixo livros por todo o lado
69. Que sejam criativas
70.Que queiram ser felizes
Sairam-me 70 assim de raspão.
Algumas estão repetidas e outras não são assim tão essenciais. Faltaram outras.
Claro que isto não existe mas como digo na 53 não é taxativo. É apenas uma ideia geral. Digamos que troco umas por outras e que estas 70 coisas de que gosto não têm necessáriamente que acontecer sucessivamente ou sempre.
O que é que eu quero dizer com isto tudo? Apenas duas coisas muito simples. A primeira é que muitas vezes temos vontade de ser aquilo que queremos e não conseguimos porque trocamos o desejado pelo possivel. A segunda é que se isso for um fardo demasiado pesado ele vai acabar por nos obrigar a regressar ao que somos e não conseguimos deixar de ser. Depois disto existe aquela coisa indefinivel que se chama atracção e que nos leva a gostar quando sabemos que nos vamos magoar, a gostar mesmo quando isso nos faz chorar, a gostar mesmo quando isso nos deixa tristes, a gostar porque achamos que quem nos quer mudar também vai mudar.
Nada a fazer portanto. É ir vendo até que ponto é que o desejado se encontra com o possivel.”

domingo, setembro 28, 2008

Entre portas


Entre portas há silêncios. Entre portas há paz. Pela primeira vez em muito tempo, há neste espaço uma imensidão de sabores que se vão saboreando. Cada esquina, cada recanto, concede momentos que a pouco e pouco ajudam a construir um registo simpático, tranquilo, acolhedor.
Há na vida inúmeras razões para mudar. Inúmeras circunstâncias que nos moldam. Toneladas de experiências que em passos de segundos nos corrigem. Uma casa é um motor tão forte como qualquer amor, ou abraço desejado em desespero.
Hoje, essa casa é minha. Essa mudança é minha. A razão do meu silêncio.
Tem o meu cheiro a correr à mistura com as minhas vozes. A 3 a 4 ou a 6 decibéis de prazer. Está repleta de passados. Cheia de escolhas próprias que reflectem como espelho velho e amarelecido pelos milhares de olhares, aquilo que fui, aquilo que ambiciono ser e melhor ainda, aquilo que sou.
As ausências também têm um tecto aqui. Quando se fecha os olhos e entre cortados eles nos levam de volta a outras casas. Quando nos entre alma adentro as pernas por cima de tapetes que antes se pisaram. E ao rever vemos os livros que hoje se lê, as palavras desditas dos jornais de hoje. Os sorrisos ténues de certezas, esperança, de quem pensa noutras casas, noutros móveis, cheiros, pedaços de dia-a-dia espalhados.
É por isso que me escrevo. Para que daqui a muito tempo, também outros passos regressem aqui.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Instantâneos Mentais


O meu canto!

quarta-feira, julho 30, 2008

Instantâneos mentais


A nossa família de Patos Galinha.

"Não saberei nunca

dizer adeus.


Afinal,

só os mortos sabem morrer.


Resta ainda tudo,

só nós não podemos ser.

Talvez o amor,

neste tempo,

seja ainda cedo.


Não é este sossego

que eu queria,

este exílio de tudo,

esta solidão de todos.

Agora
não resta de mimo que seja meu

e quando tento

o magro invento de um sonho

todo o inferno me vem à boca.


Nenhuma palavra

alcança o mundo, eu sei

Ainda assim,

escrevo."


Mia Couto

segunda-feira, julho 28, 2008


CARTA (ESBOÇO)
"Lembro-me agora que tenho de marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos

nos possamos falar, de facto,sem que nenhuma

das ocorrências da vida venha

interferir no que temos para nos dizer.

Muitas
vezes me lembrei de que esse sítio podia

ser, até,um lugar sem nada de especial,como um canto de café, em frente de um espelho

que poderia servir de pretexto

para reflectir a alma, a impressão da tarde,o último estertor do dia antes de nos despedirmos,quando é preciso encontrar uma fórmula que

disfarce o que,afinal, não conseguimos dizer.Éque o amor nem sempre é uma palavra de uso,aquela que permite a passagem á comunicação

mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,de súbito, o sentido da despedida,e que cada um de nós

leve, consigo, o outro, deixando atras de si o próprio

ser,como se uma troca de almas fosse possível

neste mundo.

Então, é natural que voltes atras e

me peças:"Vem comigo!", e devo dizer-te que muitas

vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,isto é, a porta tinha-se fechado até outro

dia,que é aquele que acaba por nunca chegar, e então

as palavras caiem no vazio, como se nunca tivessem

sido pensadas.No entanto, ao escrever-te para marcar

um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos

para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que

é também a mais absurda, de um sentimento; e,por

trás disso, de que o mundo há-de ser outro no dia

seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores

do céu,do mar,da terra,e do próprio dia em que nos vamos

encontrar, que há-de ser um dia azul,de verão, em que

o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí

que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo

das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros."


Nuno Júdice

terça-feira, julho 15, 2008

terça-feira, junho 24, 2008

My House in the middle of my street

"Hoy yo te encontre al final del dia
Respirando cielo y horizonte
Esperabas ver la primera estrella
Para decidir cual es su nombre
Y seguir la historia que viaja en ti
Los sueños que te guian cada paso

A veces despertar en una casa
Es como despertar en un abrazo."

Mafalda Veiga M

quinta-feira, junho 12, 2008

Forward


Em 32 anos de vida já perdi a noção de quantas vezes mudei de casa. Penso que serão menos de 10 mas mais de 7. A quantidade não interessa muito, realmente, mas a verdade é que seria de esperar que já me tivesse habituado a essa rotina que é a de procurar caixotes, desarrumar armários, encaixotar, escolher pedaços de vida em detrimento de outros e nesse processo gerir momentos de profunda melancolia e desalento. A mudança encerra em si um grau de optimismo e estímulo que alavancam a capacidade de colocar para trás das costas essas pequenas neuras, que vão surgindo cada vez que percebo que ao contrário do que penso, já não viajo de bagagem leve.
15 anos de vida cabem em inúmeros caixotes que se empilham à espera dos braços de amigos voluntariosos para serem tresladados para um pedacinho novo de vida, com 90 m2 e muita esperança para preencher. Assim e como este ciclo parece que se encerra, esforço-me por fazer a triagem mais exaustiva da minha vida eliminando “entantos”, restinhos de amores que nunca chegaram a ser, memórias espelhadas em bilhetes de museus, concertos, talões de embarque, panfletos em diversas línguas, como que a provar que realmente vivi de facto todas essas experiências. Hoje já não preciso dessas provas materiais daquilo que vivi, não necessito de objectos de afectos cristalizados, para me lembrar do que senti e do quanto feliz se foi.
Tenho uma casa nova. Pequena mas simpática como eu, com tudo o que necessito para começar a minha vida renovada. Com tectos altos e portadas brancas que se abrem de par em par. Com o meu canteiro de ervas de cheiro, com retratos de amigos que partiram e histórias de mim. Com puffs e garrafas e livros e música. Comigo. Para mim e os meus amores e à minha maneira. Apenas à minha maneira.

Hoje é noite de Santo António e ele peço que entre casamentos, abençoe este meu novo estado civil.
Desculpem a falta de inspiração mas ultimamente é mais uma questão de transpiração.E de preguicite confessa!

sexta-feira, junho 06, 2008

Mensário


O teu único defeito é (continua a ser) a saudade que me causas.