quinta-feira, abril 03, 2008

As amantes da vida ou o Regresso da Amante

Nota Introdutória: é verdade. Confesso. Ando mesmo muito nostálgica. Principalmente de uma série de coisas boas que faziam parte do nosso quatidiano e que justificavam tantas vezes longos serões á mesa, com um belo vinho e muita cigarrada. Hoje, depois de me terem tirado os vinhos e me obrigarem a abandonar o fumo dos meus cigarrinhos, que tanto prazer me dava, não sei se me continuaria a saber tão bem a leitura desta revista.
Hoje tenho saudades ( sim...estas permitidas e não completamente tontas) da pessoa que me impedem de ser. Daqui a uns tempos, quando não for mais do que uma especialista em verduras e tofus, talvez apenas digam a meu respeito...ela não bebe, não fuma,não fo.......... (ge) ás responsabilidades! Que gira que era no tempo da Kapa.

Roubado de : http://kapa.blogspot.com/


"Estávamos todos sossegados a usufruir os direitos da liberdade sexual quando apareceu a SIDA para pôr termo à nossa condição. Reagimos mal e não ligámos nenhuma. Agora, que nos apercebemos de que o caso é sério e grave, demos a volta ao contrário e recuperamos um hábito ancestral: a amante. Ter uma amante. Que prazer renovado, esse…
"Il y a des femmes qui que leur bon naturel et la sincérité de leur cœur empêchent d'avoir deux amants à la fois. "
Alfred de Musset, La Confession d'un enfant du siècle


O pânico causado pelo aparecimento da SIDA inflacionou os salários dos afortunados investigadores, dignificou o preservativo e fez renascer das cinzas dos promíscuos anos sessenta os prazeres da conjugalidade. Não há nada como o medo para pôr as pessoas no seu lugar.
Contudo, poucos são os matrimónios em que, com o passar dos anos, um ou dois cônjuges não tenham dado pelo menos uma escapadela, vivido um caso, arranjado um caldinho, dado uma voltinha e até - aqui chegamos ao que interessa - tido uma amante à moda clássica. A SIDA terá assustado muitos, mas felizmente ainda há mulheres e homens que não arredam pé dos seus desejos.
Ter uma amante é não só manter o respeito pelos laços matrimoniais como também a maneira de não se deixar a si próprio na prateleira. Dito de outro modo, não é o pecado da infidelidade que predomina, mas a renarcisação, na forma mais completa, que é voltar a começar com alguém o que ainda não se acabou com quem tudo tinha começado.
Só quem não quer perder quem tem é que vive com naturalidade a vida dupla que ter uma amante requer. Conservar quem se ame sem abdicar de poder amar mais.
Sem fazer pouco das juras de fidelidade, acontece que as razões que nos levam a desejar, gostar ou amar alguém além daquela a quem jurámos amor eterno, não são as mesmas que nos levam a mentir ou trair.
Esconder uma relação da outra não é o que dá prazer. É o preço para poder tudo guardar.
Desejar, querer ou amar outra não significa necessariamente deixar de desejar, querer ou amar a nossa. Esta espécie de «quero tudo» (difícil de explicar e de ser compreendido pelas mulheres) é que provoca a perversão do engano. Infelizmente, para nós parece que não tem solução.
Há sempre alguém que nos pede uma mentira para a sua felicidade e a nossa culpabilidade.
Esconder um caso ou o facto de ter dado uma voltinha não é tarefa particularmente difícil. Só é preciso ser rápido na sedução e não se deixar afeiçoar ao novo conhecimento. Qualquer libertino sabe isso.
Manter uma relação paralela é uma coisa completamente distinta. São necessárias algumas qualidades (ou defeitos, depende do ponto de vista), além de um sentido de responsabilidade particular.
Não achamos, como muita gente acha, que a qualidade principal seja a capacidade de mentir. Ter sinceramente duas mulheres que amamos e dividirmo-nos com dedicação não é coisa que se faça com base na mentira, é necessário carinho, dedicação e muitíssima atenção. Ser capaz de mentir só é útil nos casos, cada vez menos frequentes, em que ninguém sabe nada de nada. Aliás, sempre foram poucas as situações em que ninguém sabe nada de nada. Difícil em Portugal, impossível em Lisboa ou Porto, impensável em Braga ou Cascais.
É possível que a mulher legítima - por interesses pessoais, compreensão ou simplesmente amor - aceite a situação triangular sem levantar a perdiz e que apenas peça discrição. Mas é raro.
O lado maçador da infidelidade é a importância que a enganada (deixemos pelo momento a tradicional pouca capacidade de encaixe masculina, e continuemos a falar de um só ponto de vista) pode dar a esse facto.
Mas aqui tocamos o centro do problema.
Poder-se-á amar duas mulheres simultaneamente ou, mesmo sem querer, estaremos a ser uns grandes filhos das nossas santas mãezinhas?
Isto é um falso problema, quando pelo menos uma sabe a verdade. Normalmente estamos obrigados a contar a verdade à mulher que menos amamos ou que chega em último lugar.
Diga-se de passagem que nunca se conta toda a verdade a ninguém. (Este conselho vale mais que os 400 escudos que pagaram pela revista). Às vezes, nem a nós próprios. Raros são os casos onde a cumplicidade marital não é abalada por um ataque de sinceridade estupidamente confiante.
Se não dizemos a nenhuma das duas a pouca verdade contável, muito provavelmente estamos um pouco apaixonados e muito indecisos. Também existe, dentro desta alternativa, a variante de ser um grandessíssimo sacana, mas isso é mais natural em relacionamentos do tipo «escapadelas» ou «dar voltinhas». Raras vezes isso acontece dentro do sério vínculo que se estabelece com uma amante.
Se contamos alguma coisinha à nossa legítima, por mais inofensiva que possa parecer, estamos claramente a pedir-lhe por linhas tortas uma grande barraca direita.
Se informamos as duas da situação, é porque queremos que elas escolham. Prova irrefutável de cobardia ou de se querer ver livre das duas.
Ficou claro, portanto, que o controlo da informação defende o verdadeiro objectivo. Ou seja: um esquecimento, um bufo, ou um estúpido podem estragar coisas que tinham dimensões inofensivas ou, pior ainda, fazer com que alguém fique magoado. Mas esse é o pesadelo típico dos homens que tentam ter o que não lhes deixam que tenham.
Temos a certeza que uma mulher nunca poderá compreender a psicologia sexual masculina. Aliás, é sabido que o homem também não percebe lá muito bem a da mulher. Mas sabemos que a uma mulher apaixonada não lhe interessa especialmente envolver-se com um outro homem. E sabemos que curiosamente um homem pode, apesar de apaixonado, ter um desejo doido por uma segunda, terceira, quarta, etc., sem pôr em causa o amor pela primeira. Se por algum azar há uma mulher horrorizada com este conceito, pedimos desculpa, mas as coisas são como são. Voltemos ao tema.
As amantes, graças a Deus, voltaram a ser uma alternativa. Terminaram as orgias, a promiscuidade do engate indiscriminado. Agora podemos amar a nossa mulher e ter outro amor. Não maior, que isso é difícil - mas talvez, com um pouco de sorte, não muito menor.
Caro leitor, sabemos que se pergunta: «E uma vida desse tipo é coisa para quanto mais ou menos?". Caro amigo, há uma variedade quase ilimitada de modalidades. Se o seu sonho é «protegê-la» totalmente, é claro que isso lhe pode custar caro. Mas também existe o estilo independente, semi-dependente, antes pelo contrário, etc.
É evidente que o desafogo financeiro ajuda muito. Mas o que é que não se pode fazer quando se tem cacau? Algumas coisas, claro, mas nada que seja grave se se tiver um pouco de saúde e imaginação.
O que de facto acontece é que as amantes existem novamente e em força, seja qual for a classe social. Aliás, dentro das classes mais conservadoras, a alta e a baixa, nunca deixaram de existir. Só a classe média perde o prazer do clássico na sua procura de parecer alta ou ao tentar snobar as baixas. Sem esquecer o facto de que uma grande forretice abortará com certeza mais de uma potencial história de amor. Ficam na alegria efémera e auto-suficiente da escapadela ou da voltinha. Dificilmente encontraremos neles a intuição da amante, a vida paralela democraticamente partilhada, responsavelmente devota e regularmente erótica.
Aceitamos que o ponto fraco deste raciocínio é o que acontece se for ao contrário. Por exemplo: ela, a nossa, tem um amante mas continua a amar-nos apaixonadamente. Ele, o outro, é um bom amigo dela, um companheiro desinteressado e bem intencionado. Que é que se faz? Tentar perceber a relação? Ver se essa situação nos favorece? Pedir um certificado médico ao novo? '
Não. Eu mato-o e a ela dou-lhe uma sova que nunca mais se irá esquecer na vida. Estão a brincar comigo ou quê? Foda-se!
A AMANTE NA INFÂNCIA
(Dos 0 aos 10 anos)
É A MELHOR amante, a mais segura, a menos comprometida e exigente, e anima qualquer família moderna. Acima de tudo, porque ninguém acredita que uma criança com 6 anos tenha já a sua namorada de pleno direito e uma amante com quem brinca aos pais e às mães.
No entanto, sabe-se - e em alguns países, nomeadamente nos EUA, há estudos sobre a matéria - que é entre os O e os 10 anos que o conceito de «segunda mulher» se adquire se interioriza. Nessa altura, a criança não tem necessidade de mentir, uma vez que a legítima não percebe o que se passa e «a outra» ainda menos. Ele, o pequeno macho, aproveita a confusão e diverte-se.
LOCAIS DE ENCONTRO: Creches, autocarros do colégio, pátio da escola, festas de anos dos amigos.
O QUE FAZEM: Brincam.
POSSIBILIDADE DE DAR BRONCA (0/10): 1
A AMANTE COM BORBULHAS
(Dos 10 aos 20 anos)
ESTA é a fase crítica: em princípio, são dez anos de fidelidade canina e total ausência de imaginação (atenção, referimo-nos aos homens. Quanto a elas, esta fase etária é das mais perigosas...). Os problemas do jovem - seja a borbulha, a fase, dos poemas e diários, ou a mania do desporto - impedem-no de se dedicar a mais do que uma namorada de cada vez. Geralmente, a partir dos 15 anos começam a conversar, nos cafés e no Loucuras, sobre a matéria, mas sem consequências. É só garganta.
Têm-se verificado casos raros de contra-indicações, normalmente associadas ao uso concomitante de drogas, baldas às aulas e interesses de carácter menos ortodoxo (do ponto de vista sexual, claro).
LOCAIS DE ENCONTRO: Pátios dos Liceus, PGA, Zona Mais, Sudoeste, Indústria (Braga).
O QUE FAZEM: Nada. Dançam e bebem.
PROBABILIDADE DE DAR BRONCA (0/10): 9. Dá sempre. Causa directa: inexperiência.
O PRINCÍPIO DA AMANTE
(Dos 20 aos 30 anos)
ATÉ aos 30 anos, ter uma amante é não só uma excepção como uma grande aventura, rodeada de todos os perigos. É como fugir de casa aos 15 anos, tem o sabor de um fruto proibido (esta podia vir na Grande Reportagem…), e por isso mesmo tem um valor, numa escala de zero a dez, praticamente dez. A amante antes dos 30 é aquela com quem, na maioria dos casos, se chega à cama só no momento em que já se viu que está a acabar a história - ou, nos casos mais precoces, quando se descobre a tempo e horas que o primeiro casamento não é, geralmente, o último.
O resultado, na maioria dos casos estudados, é trágico: uma vez confundidos os cérebros e os corações com a chegada da nova aquisição, diz-se à legítima o que se devia dizer à amante e vice-versa, trocam-se os nomes nos mais românticos jantares e chega-se mesmo ao ponto de convidar a amante a ser amiga da amada. Catástrofe à vista.
LOCAIS DE ENCONTRO: Plateau, Kremlin, Swing, emprego de um ou de outro, bares indiscretos (Lisboa: Frágil, 3 Pastorinhos, Targus, enfim, os melhores).
O QUE FAZEM: bebem sem moderação. Pontualmente têm-se registado casos de sexo. É frequente discutirem toda a noite.
PROBABILIDADE DE DAR BRONCA (0/10): 8.
A AMANTE ADULTA
(Dos 30 aos 40)
Aqui é que a coisa começa a dar certa: crescidos, já com um ou dois casamentos em cima, os homens aperfeiçoam uma técnica perfeita de acompanhamento de amantes e amadas. O processo mais escrupuloso - e aquele que aconselhamos - é esclarecer de imediato tudo com a amante: explicar que somos casados, que gostamos da nossa mulher, que não desejamos deixá-la, mas que temos um coração do tamanho do Empire State Building, onde cabem mais moças interessantes e bonitas. Se ela quer, óptimo. Se não quer, há mais quem queira.
Nesta idade, ter uma amante já não é uma aventura mas um dos primeiros sinais de maturidade, imediatamente a seguir à barriga (nessa altura ainda chamada de barriguinha), ao automóvel de cilindrada superior a 1400 C.C., e ao cartão de crédito cheio de contas de restaurante.
LOCAIS DE ENCONTRO: dentro do carro, hotéis discretos, bares que abrem muito cedo (por exemplo, O Pavilhão Chinês).
O QUE FAZEM: almoçam e jantam, sexo.
PROBABILIDADE DE DAR BRONCA (0/10): 4.
A AMANTE MADURA
(Dos 40 aos 50)
É a idade de ouro da amante 'agora recuperada para a moda sexual do universo pós-SIDA. Momento de profissionalismo de fino recorte, a amante depois dos 40 tem a serenidade e a maturidade que falta às restantes faixas etárias. É geralmente uma mulher feliz com a sua vida dupla, que cultiva com prazer as virtudes do seu segundo homem. Ele, pelo seu lado, tem na amante a última prova de uma virilidade que a barriga, já proeminente, põe em causa. É o casal feliz. Ninguém tem já paciência, nesta idade, para chatear o outro.
No fundo, os amantes desta era são bons amigos que se entendem para lá do relacionamento profissional ou, muitas vezes, de amizade entre casais. A amante perfeita chega aos 40, não tenham dúvidas.
LOCAIS DE ENCONTRO: em todo o lado.
O QUE FAZEM: o que têm a fazer.
PROBABILIDADE DE DAR BROCNA (0/10): O.
AMANTE ATÉ À MORTE
(Dos 50 para a frente)
São mais frequentes os deslizes, as faltas de memória, a factura do hotel que vai no bolso da camisa para casa e a legítima amada descobre. Mesmo assim, é uma idade de bronze dos amantes: sem a preocupação fundamental do sexo, esta fase permite--nos recuperar o gosto pela conversa, pelo presente de charme, até pela surpresa de uma virilidade masculina que tem o seu encanto.
Depois dos 50, ter uma amante é como ter um carro de corrida: convém pôr o motor a trabalhar de vez em quando, é preciso cuidar deste valor, mas pelo prazer de o manter, jamais pela vontade de acelerar. Esta é a idade do luxo e do prazer, na vida como no sexo.
LOCAIS DE ENCONTRO: Restaurantes de luxo, bares de hotel.
O QUE FAZEM: recordam, conversam e surpreendem--se mutuamente.
PROBABILIDADE DE DAR BRONCA: (0/10): 3 (às vezes, a memória falha...)."


in K, nº17, Fevereiro de 1992

Funeral Blues




By W.H. Auden




"Stop all the clocks, cut off the telephone,


Prevent the dog from barking with a juicy bone,


Silence the pianos and with muffled drum


Bring out the coffin, let the mourners come.~




Let aeroplanes circle moaning overhead


Scribbling on the sky the message He is Dead.


Put crepe bows round the white necks of the public doves,


Let the traffic policemen wear black cotton gloves.




He was my North, my South, my East and West,


My working week and my Sunday rest,


My noon, my midnight, my talk, my song;


I thought that love would last forever: I was wrong.




The stars are not wanted now; put out every one,


Pack up the moon and dismantle the sun,


Pour away the ocean and sweep up the woods;


For nothing now can ever come to any good"

Reflexo no Espelho convexo

“ Quero dizer-te uma coisa simples: a tua ausência dói-me.
Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma;
mas que não deixa,por isso, de deixar alguns sinais
- um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos.
Como se as tuas mãos lhes tivessem roubado o tacto.
São estas as formas do amor, podia dizer-te;
e acrescentar que as coisas simples também podem ser complicadas, quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade. Porém,é o sonho que me traz a tua memória; e a realidade aproxima-me de ti, agora que os dias correm mais depressa, e as palavras ficam presas numa refracção de instantes,quando a tua voz me chama de dentro de mim - e me faz responder-te uma coisa simples,como dizer que a tua ausência me dói."

Nuno Júdice

quarta-feira, abril 02, 2008

Contribuição do 1º Bloguista convidado

"Pour Inês


Quero sentir-te!
Na mudez da noite,em silêncio de faca,num beijo de lâmina.
Quero ter-te!
Navegar no teu corpo,sem bússola,sem sextante,sem astrolábio,sem quadrante,sem balestilha.Na loucura do cio,com vontade rapace,o teu corpo é um dédalo,que só eu conheço,em que nunca me perco e onde sempre me encontro.
Fundo-me em ti no sorriso da noite,esquadrinhando cada milimetro do teu corpo com o G.P.S. da paixão.
Sussurro-te incontidas vezes o que a minha alma grita,incessante e desesperadamente,o meu amor torrencial,imenso e imorredouro.
Abraço-te como um naufrago agarra a vida,acaricio-te com a terna blandicia do meu profundo amor.Mergulho na tua divina cratera,para sentir o teu magma,contagio os meus ferventes sentidos com o telúrico pulsar,imparavelmente meigo,do teu vulcão.
Sinto a tua seiva,agarro-te com volúpia,com a intensidade do furacão lambendo a árvore.
Acaricio-te!Mimo-te!Beijo-te!Abraço-te!Agarro-te!Fecundo-te!
Gloso cada sentimento que por ti sinto,evoco todos os momentos que vivemos,prometo a eternidade dos afectos,declino adjectivos,pronuncio substantivos sobre a tua extraordinaria beleza,enuncio a vontade infinita de te ter,juro eternidades para o
nosso amor.
Adormeces.Extasio-me contigo.Adormeço dentro de ti.Sonho contigo.estás dentro de mim para sempre.
Amo-te até ao fim dos dias,até ao fim do mundo."

SUPERPODERES

sexta-feira, março 28, 2008

195.23.23.187


Preludio de Sexta


Eu sei que disse que sim mas, lamento...não tenho tempo para sofrer!

quinta-feira, março 27, 2008

No one ever expects the Spanish Inquisition...

Conversa da minha filhota de 5 anos para evitar ter que ir para a cama, passada em frente do computador, enquanto me ria no MSN com um amigo.

- Mãe...com quem estás a falar?
- Com um amigo.
- E como se chama o amigo?
- Chama-se X.
- E quantos anos tem?
- Tem Y.
- E porque te ris tanto sozinha?
- Porque o meu amigo está a dizer umas patetices...
- Mas ele é tolo?
- Não. É Divertido.
- E ele não tem nada melhor para fazer?

....calei-me. Pensei um pouco e respondi.
- Não. Acho que não!
- AHHHHHH. Então é porque não presta...deve ser mesmo feio!

Ainda estou para descobrir de quem herdou esta criança as capacidades dedutivas e o seu lado pragmático!!!!

Pastora

Yo tambien...

quarta-feira, março 26, 2008

cuecas, pelos e putos estragados

Há dias em que a nossa boca tem vontade própria. Na maior parte do tempo lá a vamos conseguindo controlar, mas se ao de leve alguém se chega demasiado ou tem o azar de pronunciar alguma ideia que me incomóda, está o caldo entornado, porque da bela boquinha sossegada podem saltar chizpas de fogo. Foi o que se passou hoje e os pobres destinos da minha loucura contida foram dois jovens adolescentes que, neste momento devem estar a ponderar nunca se envolverem com uma Balzaquiana sem antes ultrapassarem as considerações que os tornaram um alvo tão apetecível para o meu mau feitio.
Pois bem...lá estavam os putos, na esplanada do café sentados a beber uma cervejola traquila, quando começam a comentar a noite da próxima sexta-feira, quando um deles iria "finalmente" levar a água ao seu moinho, com a miúda com quem anda a curtir. O amigo levado na desenfreada fantasia da dita noite, pergunta:

- Então e já a viste nua?
- Não...mas já a vi de roupa interior. Na semana passada quando nos enrolamos em casa da Rita.
- E que tal...boazuda?
- Não está mal, mas é bom que na sexta já esteja depiladinha. Até me passei com os pelos. Acho horrivel uma mulher não ter sempre a depilação feita. Parece um macaquinho. Deviam estar sempre arranjadas. Nunca se sabe quando a sorte toca!E eu gosto delas lisinhas.

Não pude deixar de ouvir a conversa e não me contive. Perguntei:

- Algum de vocês já se depilou alguma vez?

Atónitos olharam para mim e meio envergonhados disseram:

- Não se passe. Isso é para os Gays.

Resultado...lá acabei por lhes explicar que estar sempre, permanentemente depilada, é algo que é dificil, doí ou fica caro. E há coisas bem mais giras do que estar constantemente a pensar no pelo.
Além disso, não esperem que um dia quando tiverem uma relação a sério ela esteja sempre perfeitinha, bonitinha, cheirosinha. Para isso arranjem uma insuflável.

A verdade é que me irrita profundamente essa mania que os homens tem de nos querer sempre perfeitas, mas de nunca pensar nas coisas que neles nos irritam, sem que tenham o cuidado de as mudar, ou controlar e esperando que nós, como boas samaritanas e meninas mais ligadas ao afecto, as coloquemos de lado. Pois bem, enganam-se!

-Nós também não gostamos dos vossos monte de pelos, que, por vezes nos faz parecer que dormimos com um urso de peluche. Faz cocégas, por vezes não cheira bem e em dia de calor fica empestado. Na parte que me toca, e ainda que os prefira com um pouco de penugem, admito que só muito amor nos faz aceitar isso como algo....quasi, quasi, quasi sexy...mas pouco!

- Adoram que usemos roupa interior sexy, lavadinha, cheia de rendas, justinha e que nos faça parecer uma louca na cama. Mas, nós, temos que levar com a cuequinha de gola alta, anti-tusica e na pior das hipótese escolhida pela mãezinha. Graças a Deus e à Intimissimi já vão aparecendo alguns com bom gosto.Também não gostamos de vos ver nús, de meia preta, a mostrar o dedão do pé. Não há amor que resista a essa imagem.

Pois é amigos...nós, fazemos menos barulho, mas comemos muito mais com os olhos!
"Uma Rapariga começa a ter uma vida difícil muito cedo. Sobretudo quando tudo dura pouco tempo. Sem protecção do pai, dos anjos ou de Deus, ninguém sabe o que se pode, não se pode nada. Por isso com a alma aflita, uma rapariga procura sentimentos recíprocos em muitos sítios onde não devia, em que já sabe que não vai encontrar nada de jeito, porque os vícios colam-se às pessoas quaisquer que elas sejam, más ou boas. E depois é tarde e uma rapariga é um ser volátil que se queima.(...)
Isso faz sofrer muito. E nem todas as maneiras são boas para esquecer o que faz sofrer. Por isso ria muito e saía muito e deitava-se muito tarde. Às vezes quase com quem calhava, porque também não importava muito. Mas quase sempre sozinha com um urso de peluche.
É horrível saber que se pode ter este rapaz e aquele e todos este senhores tão ricos e bem vestidos e perfumados e não haver nada que se queira fazer com eles a não ser matar o tempo.
(...)Quando ainda se acredita que no mundo há coisas preciosas, cada vez mais preciosas porque cada vez mais raras e difíceis de encontrar quanto mais de viver.
(....)Eu dizia-lhe que gostava muito dela. Ela dizia que me adorava. Nenhum de nós acreditava. Queríamos muito acreditar e não conseguíamos. Fazia doer."


"Desejei-te ontem, de mais, e hoje também. Todos os dias são o mesmo dia quando te desejo assim. Só penso em ti. És inigualável. De olhos fechados consigo encontrar-te noutros corpos, mas só o teu amo de olhos abertos. Amo-te de mais. Dormi agarrada à camisola de que te esqueceste. Ela ainda tem o teu cheiro. Vou guardá-la numa caixa para continuar perfumada. Não te a darei de volta. Não peço o teu amor. De ti não exijo nada. Mas nunca me digas que o amor é impossível. Tu fazes-me viver, sonhar, acordar com pesadelos. Tu és o meu diamante solítário e entre nós não há qualquer contrato.
Quando te escrevo tu não foges das minhas páginas. Quando te escrevo tu ressuscitas a minha alma. Acompanho o teu sorriso de longe e de perto(...). Guardo comigo o teu olhar e sei que te recordas do meu corpo a tentar convencer-te que o meu amor é inteiro, embora nunca o seja o bastante.
É bom desconfiar do amor porque ele às vezes é traiçoeiro, metamorfoseia-se em reles sentimentos, eras tu que mo dizias. Eu não concordo."

Pedro Paixão

domingo, março 23, 2008

verso em branco à espera de futuro

"No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira,
um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco,
a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um canto
chão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco,
a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro."

José Luis Tinoco

*obrigada pelo teu "canto chão Alentejano"

Adeus (as palavras estão gastas)

Já gastámos as palavras pela rua,
meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.

Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes

E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,

era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É
pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."


Eugénio de Andrade

Caderno de encargos...

“A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects.”

Jonh Steinbeck

* apenas para quem cumpra todos os requisitos

Sem prazo de entrega...

"Soneto de amor

Não me peças palavras,nem baladas,
Nem expressões, nem alma...~
Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce! "

José Régio

sexta-feira, março 21, 2008

Quando o amor morrer dentro de ti

"Quando o amor morrer dentro de ti,
caminha para o alto onde haja espaço,
e com o silêncio outrora pressentido
molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
e neles ateia o fogo adormecido
que uma vez,
sonho de amor,
teu peito ferido
espalhou generoso aos quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
e o nocturno calor que se debruça
sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
que mil saudosas lágrimas velaram;
desfralda na tua alma o inventário
do templo onde a vida ora de bruços
a Deus e aos sonhos que gelaram.

(Ruy Cinatti 1915 - 1986, in "Poemas de Amor - antologia de poesia portuguesa", Inês Pedrosa)

A culpa é uma moça

" (...) fazia amor com ele com uma sinceridade que até então desconhecia. Chegava a premiá-lo com a desenvoltura aprendida no corpo de Dinis.
A um olhar masculino, pode ser que estas transposições pareçam insuportáveis da promiscuidade. É que os homens têm geralmente do acto sexual uma ideia estanque, factual, cheia de alíneas, como uma cerimónia de consagração. Ora as mulheres tendem a ver no exercício físico do amor uma das muitas encarnações possíveis da generosidade, que nelas faz as vezes da entrega. Isso habilita-as a distribuir as mesmas palavras de amor e os mesmos gestos a homens diferentes, sem escândalo íntimo nem confusão alguma; o vocabulário do amor é curto para a disponibilidade que as anima. É nas minúncias da pele que as diferenças e as vertigens se lhes cavam; na realidade, é até provável que sejam mais pródigas em juras e carinhos para com o menos amado. Porque a culpa é feminina (...)."


INÊS PEDROSA

quinta-feira, março 20, 2008


Páscoa Feliz!


Risos Patetas

Dúvida colocada no site das Finanças:

"Sou sócio do Benfica e estou a fazer a minha declaração de IRS. Como pago a quota de sócio todos os meses, devo colocar o Benfica como meu dependente? "

Resposta das Finanças:

"Claro que não. Só pode colocar dependentes na Declaração de IRS quem ganhou alguma coisa em 2007. No seu caso, uma simples Declaração de Isento é o suficiente.