quinta-feira, março 27, 2008

Pastora

Yo tambien...

quarta-feira, março 26, 2008

cuecas, pelos e putos estragados

Há dias em que a nossa boca tem vontade própria. Na maior parte do tempo lá a vamos conseguindo controlar, mas se ao de leve alguém se chega demasiado ou tem o azar de pronunciar alguma ideia que me incomóda, está o caldo entornado, porque da bela boquinha sossegada podem saltar chizpas de fogo. Foi o que se passou hoje e os pobres destinos da minha loucura contida foram dois jovens adolescentes que, neste momento devem estar a ponderar nunca se envolverem com uma Balzaquiana sem antes ultrapassarem as considerações que os tornaram um alvo tão apetecível para o meu mau feitio.
Pois bem...lá estavam os putos, na esplanada do café sentados a beber uma cervejola traquila, quando começam a comentar a noite da próxima sexta-feira, quando um deles iria "finalmente" levar a água ao seu moinho, com a miúda com quem anda a curtir. O amigo levado na desenfreada fantasia da dita noite, pergunta:

- Então e já a viste nua?
- Não...mas já a vi de roupa interior. Na semana passada quando nos enrolamos em casa da Rita.
- E que tal...boazuda?
- Não está mal, mas é bom que na sexta já esteja depiladinha. Até me passei com os pelos. Acho horrivel uma mulher não ter sempre a depilação feita. Parece um macaquinho. Deviam estar sempre arranjadas. Nunca se sabe quando a sorte toca!E eu gosto delas lisinhas.

Não pude deixar de ouvir a conversa e não me contive. Perguntei:

- Algum de vocês já se depilou alguma vez?

Atónitos olharam para mim e meio envergonhados disseram:

- Não se passe. Isso é para os Gays.

Resultado...lá acabei por lhes explicar que estar sempre, permanentemente depilada, é algo que é dificil, doí ou fica caro. E há coisas bem mais giras do que estar constantemente a pensar no pelo.
Além disso, não esperem que um dia quando tiverem uma relação a sério ela esteja sempre perfeitinha, bonitinha, cheirosinha. Para isso arranjem uma insuflável.

A verdade é que me irrita profundamente essa mania que os homens tem de nos querer sempre perfeitas, mas de nunca pensar nas coisas que neles nos irritam, sem que tenham o cuidado de as mudar, ou controlar e esperando que nós, como boas samaritanas e meninas mais ligadas ao afecto, as coloquemos de lado. Pois bem, enganam-se!

-Nós também não gostamos dos vossos monte de pelos, que, por vezes nos faz parecer que dormimos com um urso de peluche. Faz cocégas, por vezes não cheira bem e em dia de calor fica empestado. Na parte que me toca, e ainda que os prefira com um pouco de penugem, admito que só muito amor nos faz aceitar isso como algo....quasi, quasi, quasi sexy...mas pouco!

- Adoram que usemos roupa interior sexy, lavadinha, cheia de rendas, justinha e que nos faça parecer uma louca na cama. Mas, nós, temos que levar com a cuequinha de gola alta, anti-tusica e na pior das hipótese escolhida pela mãezinha. Graças a Deus e à Intimissimi já vão aparecendo alguns com bom gosto.Também não gostamos de vos ver nús, de meia preta, a mostrar o dedão do pé. Não há amor que resista a essa imagem.

Pois é amigos...nós, fazemos menos barulho, mas comemos muito mais com os olhos!
"Uma Rapariga começa a ter uma vida difícil muito cedo. Sobretudo quando tudo dura pouco tempo. Sem protecção do pai, dos anjos ou de Deus, ninguém sabe o que se pode, não se pode nada. Por isso com a alma aflita, uma rapariga procura sentimentos recíprocos em muitos sítios onde não devia, em que já sabe que não vai encontrar nada de jeito, porque os vícios colam-se às pessoas quaisquer que elas sejam, más ou boas. E depois é tarde e uma rapariga é um ser volátil que se queima.(...)
Isso faz sofrer muito. E nem todas as maneiras são boas para esquecer o que faz sofrer. Por isso ria muito e saía muito e deitava-se muito tarde. Às vezes quase com quem calhava, porque também não importava muito. Mas quase sempre sozinha com um urso de peluche.
É horrível saber que se pode ter este rapaz e aquele e todos este senhores tão ricos e bem vestidos e perfumados e não haver nada que se queira fazer com eles a não ser matar o tempo.
(...)Quando ainda se acredita que no mundo há coisas preciosas, cada vez mais preciosas porque cada vez mais raras e difíceis de encontrar quanto mais de viver.
(....)Eu dizia-lhe que gostava muito dela. Ela dizia que me adorava. Nenhum de nós acreditava. Queríamos muito acreditar e não conseguíamos. Fazia doer."


"Desejei-te ontem, de mais, e hoje também. Todos os dias são o mesmo dia quando te desejo assim. Só penso em ti. És inigualável. De olhos fechados consigo encontrar-te noutros corpos, mas só o teu amo de olhos abertos. Amo-te de mais. Dormi agarrada à camisola de que te esqueceste. Ela ainda tem o teu cheiro. Vou guardá-la numa caixa para continuar perfumada. Não te a darei de volta. Não peço o teu amor. De ti não exijo nada. Mas nunca me digas que o amor é impossível. Tu fazes-me viver, sonhar, acordar com pesadelos. Tu és o meu diamante solítário e entre nós não há qualquer contrato.
Quando te escrevo tu não foges das minhas páginas. Quando te escrevo tu ressuscitas a minha alma. Acompanho o teu sorriso de longe e de perto(...). Guardo comigo o teu olhar e sei que te recordas do meu corpo a tentar convencer-te que o meu amor é inteiro, embora nunca o seja o bastante.
É bom desconfiar do amor porque ele às vezes é traiçoeiro, metamorfoseia-se em reles sentimentos, eras tu que mo dizias. Eu não concordo."

Pedro Paixão

domingo, março 23, 2008

verso em branco à espera de futuro

"No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira,
um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco,
a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um canto
chão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco,
a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro."

José Luis Tinoco

*obrigada pelo teu "canto chão Alentejano"

Adeus (as palavras estão gastas)

Já gastámos as palavras pela rua,
meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.

Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes

E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,

era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É
pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."


Eugénio de Andrade

Caderno de encargos...

“A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects.”

Jonh Steinbeck

* apenas para quem cumpra todos os requisitos

Sem prazo de entrega...

"Soneto de amor

Não me peças palavras,nem baladas,
Nem expressões, nem alma...~
Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce! "

José Régio

sexta-feira, março 21, 2008

Quando o amor morrer dentro de ti

"Quando o amor morrer dentro de ti,
caminha para o alto onde haja espaço,
e com o silêncio outrora pressentido
molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
e neles ateia o fogo adormecido
que uma vez,
sonho de amor,
teu peito ferido
espalhou generoso aos quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
e o nocturno calor que se debruça
sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
que mil saudosas lágrimas velaram;
desfralda na tua alma o inventário
do templo onde a vida ora de bruços
a Deus e aos sonhos que gelaram.

(Ruy Cinatti 1915 - 1986, in "Poemas de Amor - antologia de poesia portuguesa", Inês Pedrosa)

A culpa é uma moça

" (...) fazia amor com ele com uma sinceridade que até então desconhecia. Chegava a premiá-lo com a desenvoltura aprendida no corpo de Dinis.
A um olhar masculino, pode ser que estas transposições pareçam insuportáveis da promiscuidade. É que os homens têm geralmente do acto sexual uma ideia estanque, factual, cheia de alíneas, como uma cerimónia de consagração. Ora as mulheres tendem a ver no exercício físico do amor uma das muitas encarnações possíveis da generosidade, que nelas faz as vezes da entrega. Isso habilita-as a distribuir as mesmas palavras de amor e os mesmos gestos a homens diferentes, sem escândalo íntimo nem confusão alguma; o vocabulário do amor é curto para a disponibilidade que as anima. É nas minúncias da pele que as diferenças e as vertigens se lhes cavam; na realidade, é até provável que sejam mais pródigas em juras e carinhos para com o menos amado. Porque a culpa é feminina (...)."


INÊS PEDROSA

quinta-feira, março 20, 2008


Páscoa Feliz!


Risos Patetas

Dúvida colocada no site das Finanças:

"Sou sócio do Benfica e estou a fazer a minha declaração de IRS. Como pago a quota de sócio todos os meses, devo colocar o Benfica como meu dependente? "

Resposta das Finanças:

"Claro que não. Só pode colocar dependentes na Declaração de IRS quem ganhou alguma coisa em 2007. No seu caso, uma simples Declaração de Isento é o suficiente.

quarta-feira, março 19, 2008

By the end of the day...




Custa sempre perder um amigo, seja na sequência das nossas acções ou de reacções a atitudes terceiras. Há qualquer coisa de inconsolável, no acto de vermos aquela pessoa virar as costas e seguir outro caminho que já não acompanharemos.


Quando um amigo morre subitamente e depois de ultrapassado o choque de aceitar os maus figados do destino, sentimo-nos acalentados na ideia de que enquanto ele partilhou o nosso quotidiano, aproveitamos ambos de todo o carinho, a responsabilidade, a alegria, a partilha que o facto de gostarmos um do outro encerra. Pode já não estar entre nós, mas fica sempre presente nas memórias que partilhamos entre outros amigos, nas fotografias, nas frases que passam em flashback com os sorrisos dele.


Perder alguém por desistência não tem nobreza, melancolia ou tempo que console. Desistir de alguém em prol do nosso bem estar, pode ser uma atitude sensata e adulta, mas não é um gesto que acalme o espírito. Mais do que a dor da opção tomada, o que mais marca é a raiva da desilusão. Quando genuinamente gostamos de alguém que guardavamos acima de qualquer mácula e essa pessoa se revela em atitudes tristes, desrespeitosas, cínicas e até cruéis, há uma parte de nós que secumbe de peito aberto ao golpe da espada. Porque não esperavamos, porque não se quer acreditar, porque nunca na vida seriamos assim enganados!

Procuramos justificações, discutimos para nós razões, negamos até á ultima que possa ser verdade, até que exaustos da espera da comprensão ou do esclarecimento apaziaguador, que tentamos encontrar a custo, nos vemos obrigados a aceitar.
É por isso que se perdoa tudo a um amor: a traição, o crime, os maus tratos, a solidão mas é tão dificil esquecer quando se joga fora uma amizade.

Pai


Hoje é dia do pai e por alguma razão triste não tenho que dizer. Não reconheço as palavras que sinto atropelar-me, porque não me reconheço em ti. Sou tua filha, eu sei. A natureza não nos deixa negar.
Sei que brevemente irás partir e eu não chegarei nunca a dizer o quanto gosto de ti e o quanto te admiro, perdida na absoluta incapacidade de um abraço.
Mas hoje, avô, desejo-te um feliz dia do Pai, com um abraço apertado, ainda que virtual mas que condensa todo o amor que tenho mas não consigo mostrar.
Gosto muito de ti pai!

terça-feira, março 18, 2008

Xafarix ás quintas ou os psicadélicos dos 30

Sexo Oral


"Primeiro a tua língua molha o meu coração, num vagar de fera.
Estendo aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre os copos que desaparecem.
Não há mais ninguém no bar cheio de gente.
Abres-me agora os pulmões, um para cada lado, e sopras.
Respiras-me.
O laser das tuas palavras rasga-me o lobo frontal do cérebro.
A tua boca abre-se e fecha-se, fecha-se e abre-se, avançando por dentro da minha cabeça.
As minhas cidades ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempo estilhaça-se no fogo preso das nossas retinas.
O empregado do bar retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina, ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro, abrindo e fechando as pernas das palavras, estremecendo no suor dos olhos abraçados,
fazendo sexo com a lava incandescente dessa revolução imprevista a que damos o nome de amor."


Inês Pedrosa

Tears Dry on Their Own

"El único amigo que nunca miente es el silencio. "

Jorge Martinez

Ar(dor) do meu amor


“Desvairada, ternamente desvairada no corropio de mim. De mãos que sobem á sucapa pelos caminhos a nú da noite.
Gomos que mastigas no beijo, que se consente,
Repete, repele
Agarra.
Mordo-te a nuca e escalo-te a pele que geme, que soluça que marca a sombra do que não há.
Repito o teu nome, uma e outra vez e tu soluças, e choras em arco-iris.
Quero-te minha
Morta de tudo que não seja eu.
A parede branca e fria
Escorre a humidade de nós,
Grito-te,
Enlaço-te,
Abraço-me a ti,
Mas tu não devolves...

Mordo-te a boca e entrego-me no silêncio da ausência de respiração,
Contenho-te,
Embalo-te,
Como-te sofregamente.

Tu aceitas,
Tu olhas e não falas.
Chamo-te, insulto-te,
Rebento-me em ti
E tu calas.
Choro
Tu sorris.
Aconchego-te.
Embalo-te.

Tu deitas-me.
Tu tapas-me.
Tu beijas-me.
Tu partes.

Vejo-te o corpo nú trémulo
Ás marcas de mim em ti,
O teu ventre cheio,
As costas que não voltas,
Para não voltares em mim.
Tu não és
Tu és Outono quente e doce e morno
Eu sou verão temporal
Tu és verde relva macia e fresca
Eu sou areia áspera e morta,
Tu és dele.
Eu sou teu."

Dou a mão à palmatória...mas não batas muito.

"É meu!


"De entre todos os sentimentos que existem, o pior de todos é – e peço já desculpa aos outros – o sentimento de posse.
As pessoas gostam de ter, de dizer que é meu e de preferência pagarem a pronto. Portugal não gosta de alugar. Se tiver dinheiro, o português compra, mesmo que para isso tenha que fazer mais um esforço para pagar um empréstimo a 30 anos e no fim dizer que: "É meu!".
Recebe-se alguém em casa, vai-se mostrando as divisões e a primeira pergunta que nos fazem é: "Mas isto é teu?" E com a tristeza de um pescador que vem do mar sem nada na rede, encolhemos os ombros e dizemos: "Antes fosse, mas não. É alugada!".

Os portugueses gostam de dizer "É meu!" e quem alugar ou comprar a leasing - um carro por exemplo - é olhado com desconfiança e até, deixem cá ver, menosprezo.
A vizinha do lado comenta com a outra no parapeito da varanda:
"Já viu o carro novo do vizinho da frente que chegou esta semana? e mesmo que não o saiba, esta, de forma viperina vai dizendo: "Pois, pois, deve ter sido comprado a leasing. E assim também eu!" Como se a leasing fosse batota.
De resto, ao mínimo sinal de rápida ascensão financeira, é incontornável que o empresário que teve sorte com o negócio que criou e que à custa disso já comprou uma vivenda e mudou de carro duas vezes este ano, está - pois com certeza! - "Está mas é metido na droga!". A casa dele tem piscina! - Isso é droga! – Comprou agora um barco! – Droga é o que é! – Foi de férias com a família para os Alpes! – Não tenha dúvidas que é droga!

Por isso, se isto neste plano é assim, imaginem quando o sentimento de posse se alastra ao foro sentimental. É pior ainda. Com uma vantagem. Se rapidamente conquistarmos alguém ou dermos mostras de que temos cada vez mais casos bem-sucedidos "aquele ali anda sempre com mulheres bonitas!" serão poucos aqueles que dirão, que "andamos metidos na droga". E isso é bom. Se bem que para mim, se eu andasse metido com a Charlize Theron, bem que me podiam chamar o " Pablo Escobar de Campolide" que eu não me importaria. Mas adiante.

O sentimento de posse manifesta-se quando acabamos uma relação – reparem que fomos até nós que o fizemos – e passado uns tempos, quando a vemos com outro, não sei porquê, mas ficamos com um formigueiro nos pés que deus me livre. Na verdade, aqui entre nós – e agora baixe o jornal que esse senhor do lado está a ler isto – o que nos agradaria, era ver aquela palerma que nós deixámos – nós, ouviram bem? - aos rebolões pela rua, moribunda, chorando pelos cantos a clamar o nosso regresso. E o que é que acontece? Exactamente o contrário. Está tão melhor do que nunca que até parece que lhe demos saúde. E demos.
E assim, quando alguém nos diz :" olha, ontem encontrei a tua ex-namorada ás compras no chiado?, à nossa imediata pergunta de " Como é que ela está?" nada melhor do que nos responderem:" Tão diferente que não imaginas. Mais gordita, mal tratada, uma sombra daquilo que era no teu tempo! E por mais que nos custe reconhecer – e custa - ficamos contentes ao ouvir isto como se disséssemos "Safei-me de um bom estafermo!".

O sentimento de posse é isto. É mau. Mete vergonha. Devia ser banido, mas existe. Mas ao contrário do que acontecia até aqui – e isto é pior ainda - poucos são aqueles que ao saberem-no, dizem : "É meu!"


Fernando Alvim