segunda-feira, março 17, 2008

Metáforas

"No passado, escrevi um poema que começava assim: "sinto a lamina do teu ciúme no meu peito" - era uma metáfora, claro.E nao suspeitei. Agora, que me espetaste a faca de descascar batatas entre as costelas, único desfecho lógico para o nosso amor; agora, que sinto mesmo a lamina e o sangue morno a alastrar-me na camisa, sei, finalmente e tarde demais, a fraca expressividade das metáforas.Por isso, se ainda gostares um bocado de mim, pede para, na segunda edição, alterarem o verso para: "sinto o teu ciume como uma lamina no meu peito". "

Jose Luis Peixoto

P.S. Quero um velório assim...


Quando se junta um irlandês impetuoso, apaixonado, terno e imprevisivél com uma míuda meia perdida, vulnerável, trapalhona, desastrada e inconstante, e se adiciona a um amor que parece perfeito, uma morte por si só cortante,encontramos os ingredientes para uma história de amor no mínimo divertida e contagiante.

P.S. I love you, não é um filme para se assistir como programa de um date. Se, como eu tem lágrima solta, e não consegue conter o seu impêto romântico e as toneladas de suspiros que incomodam quase tanto como os baldes de pipocas vizinhos, sugiro que guarde este filme para assistir no recato do lar, munida de inúmeros Kleenex, baldes de gelados (se for essa a sua panca), e um edredon de penas.
Caso não siga a minha sugestão e resolva levar companhia até á sala de cinema mais perto de si, assegure-se que leva uma amiga de peito, ou de outro modo poder ter que lidar com um amigo meio baralhado sem saber o que fazer e que passará parte da noite a indagar-se sobre qual foi a parte que ele não percebeu, ou a tentar intuir que raio achamos nós tão comovente.
A verdade é que este filme é giro. Giro sim. Vai da comoção á gargalhada brutal num ápice de segundo e mesmo os momentos tristes são carregados de um humor negro, que a vida encerra em si e que não raras vezes nos faz rir, quando o assunto não é connosco.
Confesso que não consegui reter um sorriso maldoso, quando a meio do filme me lembrei das circunstâncias da morte, do pai de uma ex-fantasma do homem que eu amava, engasgado com um bocado de bife. É cruel, eu sei, mas há momentos em que somos capazes de piores coisas.
PS – I Love you é um filme sobre o luto,ou aquilo que seria, a meu ver, o luto ideal. Nada nos prepara para a perda de quem se ama, seja um marido, uma mãe, um filho, um amigo. Seja à custa da morte, ou da simples despedida circunstâncial. Gerry, assumindo que teria que partir, resolveu fazer uma despedida à sua maneira, passando rasteira ao tempo e à imaterialidade da ausência que leva ao esquecimento e fez-se presente. Nesse percurso tenta preparar a mulher que ama, para viver sem ele, para aceitar a cruel realidade de ter que recomeçar de novo, para lhe mostrar de que forma pode reviver as memórias deles sem que tal seja sinónimo constante de desespero ou infelicidade.

Através de cartas com o Post Scriptum mais perfeito, ele determina passos que Holly deverá seguir, ao jeito dos Jogos de Pista feitos por qualquer escuteiro e com ajuda da mãe de Holly e das suas amigas assegura-se que ela se encontra na sua ausência. (Na minha caracteristica mania de argumentista de trazer por casa, descobri logo a forma de entrega das ditas cartas...risos).

Gostei da ilustração da forma como ela fez gere os primeiros tempos de dor e desepero que a ausência daquele que amamos comporta: uma falta de ar, a sensação de dor obtusa presa ao peito e que o mais pequeno grão de pó de qualquer lembrança rebenta numa enchurrada de loucura e demência que não se compraz com canones comportamentais ou exigências de civilidade. A loucura na dança dela, vestida com a roupa que era dele é uma forma cómica de mostrar como fica um coração partido e até que ponto o amor é mesmo rídiculo.

Para além de Gerry e Holly esta história simples fala-nos também da dificuldade de uma mãe digerir a dor que um filho sente. Da inutilidade dos nossos afectos ou palavras, da raiva que encerra vermos que o nosso filho segue os nossos passos e o único que lhe poderemos garantir é que efectivamente ele vai mesmo ter que sofrer e que na solidão dessa dor ele encontrará a companhia de outros que estão no mesmo barco.

Eu chorei. Comovi-me, revendo-me nas cinzas daquele amor. A verdade é que me ajudou a perceber que o meu luto tinha terminado. Que as memórias estavam arrumadas, que o ponto final colocado permitia um ínicio de parágrafo bem mais bonito e iluminado.

Resumindo: É um belo filme de gaja e eu não me importavava nada de encontrar um Irlandês assim!!! Garanto que não o levava a ver este filme, a menos que seja daqueles que também chora nos filmes e que nos derretem tanto.
Realização: Richard LaGravenese

1st date milestones

"Como é que te chamas?
Começo por pensar que todas as pessoas são iguais. Talvez por comodidade, talvez por segurança, começo por supor que todas as pessoas, na sua infinita variedade de passados, presentes e futuros, são iguais.
É partindo desse pressuposto que digo nós. Não o nós de apenas eu e tu, não o nós de país ou língua, mas o nós meu, teu e deles, de países e línguas, de todos aqueles que não nos estão a ouvir.
E digo: nós temos um mundo no nosso interior.
Digo: é fascinante a história de tudo aquilo que fomos, que passou e que nunca foi esquecido porque nunca foi identificado. Sem que nunca tenha sido arquivado de uma forma consistente, catalogado ou sequer registado, acabamos por chamar caos ou alma a esse mundo.
Na fila do supermercado ou numa esplanada, Junho, acabamos por chamar-lhe pensamento. E mesmo durante o instante em que dizemos essa palavra, pen-sa-men-to, somos assaltados por uma sucessão de frases, sobrepostas às vezes, ou por imagens, ou por melodias, ou por palavras soltas, ou por tudo isto, sobreposto, misturado, em luta ou em harmonia.
Onde é que nos encontrámos antes?
Tiramos fotografias para vermos quando formos mais velhos, para não esquecermos. Nesse mundo que existe por trás dos olhos, é impossível tirar fotografias. É impossível filmá-lo.
As palavras são insuficientes porque variam consoante a voz que as canta. As palavras escritas, a verem-nos desde o papel, são muito diferentes daquelas que, dentro de nós, se desfazem. Às vezes, são como pássaros mortos na palma da mão. Outras vezes, são como a sua sombra. E, no entanto, escrever é falar para esse interior. Coloca uma ponte entre palavras e palavras, irmãos que se encontram. As palavras escritas no papel atravessam a pele e são despejadas directamente, com um ritmo, nesse mundo sem fronteiras que cada um de nós transporta.
São como soldados a saltarem da parte de trás de um camião. Seriam necessárias muitas reticências se conseguíssemos escutar cada pormenor desse interior.
É neste ponto que se coloca o problema da atenção. Temos olhos e, quanto à atenção, acontece o mesmo de quando olhamos para a distância e, a partir de certa altura, os contornos fogem dos objectos. Nesse nosso mundo/caos/alma, suponho que exista também uma distância: imagens que passam lá muito longe, por trás destas que passam logo aqui, palavras que passam onde apenas conseguimos ver vultos.
Gosto da cor dos teus olhos.
Mergulhar no pensamento pode ser como mergulhar em contos infantis, podemos ser uma espécie de Alice deslumbrada. Podemos também encontrar masmorras e prisões perpétuas. Depende daquilo que procurarmos. Mais incrível do que não termos sempre esta consciência de nós próprios é o tão pouco que temos esta mesma consciência em relação aos outros.
Está uma mulher sentada à nossa frente no autocarro, está o nosso pai, estás tu, e não somos sempre capazes de imaginar que, depois do rosto, ou sobre o rosto, invisível, está um choque frontal de palavras, está uma intermitência de frases, está uma imagem fixa, melodia, timbre de voz, etc. Apesar de já ter sido usado neste texto, pensamento parece-me um termo desadequado porque implica atenção. Estas palavras e imagens e melodias organizam-se em enxame. Mesmo quando oferecemos a atenção ao mundo, elas continuam lá, dentro de nós como se estivessem à nossa volta.
Posso tocar-te os lábios?
Cada palavra escrita alimenta-se dessas muitas palavras que a formam, cada palavra escrita é uma condensação. Cada palavra dita é feita da organização dessas palavras, mesmo que. Mesmo que, por vezes, se interrompam.
Posso soprar-te os lábios?
É agora que pergunto: o que é a memória? Um sentido poderia defender que as palavras e as coisas que nos constituem seriam viajantes, seguiriam movimentos – um pouco como os cometas, os astros. Desse modo, talvez fosse possível estabelecer um cálculo que pudesse prever cada ideia, palavra, imagem, etc. Seria assim, fácil, não fosse a circunstância de esse mesmo mundo existir com outro, depender dele – aquele que tem árvores, cidades e lugares concretos, aquele que está à nossa volta. Esse mundo que chamamos quando dizemos mundo e que, no entanto, é o encontro de todas as nossas solidões. Porque, mesmo que não procuremos palavras, acabamos por desconfiar que a incomunicabilidade absoluta existe, até entre nós e nós próprios.
Ainda assim, somos capazes de encontrar muitas justificações para continuar os mesmos equívocos, para sermos incertezas vestidas de fatos, gravatas, ou tailleurs, escolhidos segundo critérios que aprendemos.
Construir sistemas foi a parte mais fácil da nossa tarefa. Encontrar nome para os seus significados será outra das partes. Até lá, essas definições permanecerão enterradas por baixo daquilo que apenas podemos suspeitar quando nos detemos perante um horizonte ou perante uma cena de devastação.
Olhar dessa maneira é um sentido que pertence às crianças, como a reflexão verdadeira é um sentido que pertence aos anciãos. Por isso, somos crianças paradas no extremo de um miradouro, de um cabo sobre o oceano. Tentamos imaginar o universo. Tentamos imaginar o infinito sem conseguirmos perceber que, no infinito do universo, existe um número infinito de mundos, todos eles infinitos em si, comportando mundos infinitamente. Depois, nos intervalos dessa incapacidade, encontramo-nos e somos funcionais. Cumprimentamo-nos à chegada e despedimo-nos à partida.
A civilidade existe para nos guiar mas, ao mesmo tempo, acaba por nos desviar de nós próprios, acaba por dificultar que nos aproximemos de dizer aquilo que é evidente apenas para cada um de nós. Não é difícil concluir que são muito mais as palavras que não podemos dizer do que aquelas que conhecemos. Há fronteiras que ainda não sabemos ultrapassar, que estão connosco, que são nós.
Posso beijar-te?"

José Luís Peixoto

domingo, março 16, 2008

V. em sonho

“O corpo frágil e redondo. O sorriso marmóreo e angelical. O púbis desnudo indicando nossos desejos, satisfeitos no seio da onírica intimidade. Falamo-nos incansavelmente, e por fim, sem dramas acabo por admitir que havia ficado ainda mais amargo e calado depois da brusca partida. (…) Reinventar-te foi reviver novamente aquela paixão perdida. Tantas pessoas são o que gostaríamos apenas no mundo dos sonhos e tantas outras nunca existiram doutro modo. Pouco importava. Foi o nosso encontro mais doce. Sei que continuas existindo. “

Orfeu B

Efeitos secundários...

...a emoção pode causar reacções alérgicas e os espirros podem ser contagiosos...

sexta-feira, março 14, 2008


quinta-feira, março 13, 2008

[NOVO SINGLE 2008] Chão - Mafalda Veiga - Estrada

Acabei de descobrir esta nova música da minha quase homónima.
Há dias assim...

Driving you slow - The Gift

Surprise...surprise!!!

quarta-feira, março 12, 2008

Diana Krall - A Case of You

Bebo eu por ti...enquanto ouço o original daquela senhora que nos faz mexer por dentro.

terça-feira, março 11, 2008

Um lençol é só um lençol

"Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada.
Ficaram só os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
Os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas.
Sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora,não irei negar isso.
Não irei negar nunca que te amei.
Nem mesmo quando estiver deitado,nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder."

José Luís Peixoto

segunda-feira, março 10, 2008

Let me tell you a secret

Nos últimos dias tenho acompanhado com algum interesse o blog das confissões e segredos Shiuuuuuuuuu. Confesso que me tem surpreendido, quer pela forma, quer pelo conteúdo. O autor/autora do blog agarrou num conceito que reconheço como similar ao Grouphug, mas ao contrário deste, o gosto com que escolhe as imagens com que ilustra os segredos mais íntimos de cada um, revela uma personalidade observadora e uma capacidade inata de contar histórias. Mas, para além da beleza das imagens e da boa música que acompanha a nossa curiosidade de vizinhos, aquilo que mais me espanta é mesmo o conteúdo do que os leitores têm para si como segredos ou confissões.
Esperava encontrar ali infidelidades confessadas, taras, fetiches, coisas ao jeito de “odeio a minha melhor amiga “ (mais comum do que possam imaginar), mas na realidade uma percentagem significativa de segredos ( quando terminar o meu estudo revelo os valores) diz respeito a afectos, amores,paixões e desejos, por confessar.
Confesso, agora eu, que isso é algo que me custa a entender. Tenho alguma dificuldade em conceber que não se confesse o amor ao objecto da nossa afeição, excepto em casos em que isso possa trazer sérios problemas a terceiros. Na minha opinião, não há nada mais bonito do que dizer que se ama, se quer alguém. Mesmo que não se seja correspondido, é a quem ama que entrega desse segredo liberta. Os amores inconfessados são como ferrugem no coração que vai criando camadas sobre camadas e nos impede de ser completamente honestos quando outro objecto de afecto surge. Além disso, o peso da dúvida, daquilo que se guarda é mais danoso do que levar um redondo não ou mesmo uma valente estalada (acreditem que eu sei!). As energias do amor, quando este não é solto, tornam-se tão negativas como o rancor, a raiva, a tristeza.
Concluo que o mundo está mais cheio de paixões inconfessadas que de amores declarados e eu se fosse a vocês, aproveitava o facto de ainda não se pagar imposto sobre esse rendimento, que tanto pode ser a paz de espírito de cada um como a alegria da surpresa.
E para aqueles que consideram ridículo a confissão desmedida de um amor, ainda que indesejado, só relembro que os papeis se invertem com facilidade. O mundo é mesmo muito redondinho e eu ainda tenho esperança de lhe dar volta. Até lá ,solto as minhas bolinhas de sabão de ternura, amor e desejo ao vento, mesmo que o destinatário esteja longe de as poder sentir. Porque sei e essa certeza não me arrancam, me faz melhor a mim do que a ele. Porque o amor se renova e não tem limites mas o ego sim.

Work in progress

Faz hoje 45 dias que decidi abandonar um vicio. Tenho conseguido, ainda que com alguns momentos de ansiedade. Ainda conto os dias, as horas por isso sei que estou longe de estar curada. Mas continuarei a tentar.

sábado, março 08, 2008

Feliz dia da mãe

Logo quando achava que o dia internacional da mulher não podia ser grande espingarda, depois de ter perdido o concerto que mais ambicionava assitir, devido a escolhas inerentes á maternidade eis senão quando a mesma maternidade me faz perceber porque faço eu parte da outra costela com direito a dia festivo.
O meu príncipe perfeito, o meu filho lindo de 8 anos, vindo da festa de anos do seu avô, me oferece uma garrafa de vinho que com o seu jeitinho sonhador e atento cravou ao aniversariante para me oferecer a mim.
Não devo estar a fazer um mau trabalho, concluo de sorriso babado enquanto provo esta prova de amor.

My funny valentine

"Maria...sabes...

O que direi quando a cidade nos cruzar na esquina? Estaremos sós? Será que os olhos se encherão de lágrimas ou brilhos? Será que as palavras serão cuspidas, ou embrulhadas a jeito de significar mais do que realmente significam?

Perco tempo, que não tenho, a pensar em detalhes de conversa como se de deixas importantes se tratasse para dar sentido à peça que já saiu de cena. O último actor continua sentado no palco a interpretar as palmas do público, absorvendo o calor efémero que o aquece na casa vazia e fria, onde o papel de galã se deixa do lado de fora da porta.
Não entendo o silêncio construído ao contrário de ti. A cidade não te esconde por muito que te escondas dela, aprendi com o tempo. Não adianta adiar os regressos aos sítios onde se foi feliz, porque mais cedo ou mais tarde essa mesma memória estará num qualquer beco onde nem te lembras de ter passado.
Por muito politicamente correcto que seja por obrigatoriedade das circunstâncias não entendo, não quero entender.
Talvez ainda te ame.
Talvez.
Mas tenho para mim que este amor não tem destinatário, porque se encontra em parte incerta, no país feito a lápis de cera, de onde nunca saiu.
Do outro lado de mim ris, menino que de rosto afrontado te atira á cara um amor que sufoca, desleixado e desastrado que tenta rotular de meia dúzia de sentimentos escondidos. Fica-se pelo plano dos segredos mal passados de ouvido em ouvido, sussurrados a troco de promessas quase verdadeiras.Afinal de contas o amor é um jogo de probabilidades onde aquilo que mais nos atrai é quase sempre aquilo que nos faz mal.
Não é bonito o espectáculo do amor que não se quer, mas gostamos de o ver para sentir que ainda que o mundo se desmorone alguém nos quer. É uma forma de morbidez similar á que nos faz abrandar quando passamos por um acidente, só para respirar fundo e pensar com os botões “ainda bem que não fui eu ou alguém que amo”!
Convencemo-nos que se trata de uma curisidade altrúista, de quem se preocupa mas no fundo sabemos que não passa de um capricho do ego. Por isso não partes totalmente. Todos os dias te surpreendo atrás da cortina daquela janela que não dá para a rua, á espera de me veres passar e assim perceberes se continuas lá comigo.

As palmadinhas nas costas guarda-as para os amigos cuja amizade não necessitas, mas tens. A pena usa-a para escreveres o que do outro lado de ti luta para equilibrar os dois pés no corpo de gente crescida que se quer sempre funcional. Engana-os a todos com o teu jeito sonhador e o sorriso desenhado a custo de muitas palavras bonitas e versos de outros cantados baixinho. Veste o teu melhor vestido de cerimónia e encanta-os a todos com os teus conhecimentos de lombada e secretária, torna-te a mulher perfeita, a amante disponível, a amiga que leva todos os embates, a falta de respeito, a contenção do abraço mas mesmo assim está lá.

Eu? Esperarei como sempre que o tempo te leve de mim. Que as tuas palavras se percam na renovação dos neurónios até que não sejas mais do que a miúda que adora chapéus. Que a luz se apague por despeito do teu rosto. Que as horas corrompam tudo o que de bom me deste. Que os presentes se percam por mãos alheias. Que outros presentes cheguem. Que outros sorrisos me abracem. Que outros recados povoem as minhas manhãs ao acordar. Que boas noites mais quentes me dispam. Que mãos mais ágeis me guiem.
E, se ainda assim o meu amor por ti permanecer inventarei um final trágico e solitário que combine o teu ar de filme noir, com as lantejoulas de um cabaret e se um dia a cidade insistir, fecharei os olhos e passarei por ti do mesmo modo que passaste pela minha vida…sem tempo."

sexta-feira, março 07, 2008

Rostos no Trânsito

É à luz do final do dia que se começa a despir, por entre corropios do trâsito ou na calmaria das últimas gotas de sol a cair sobre a mesa e a perderem-se no liquido cru do copo, que me assalta essa nostálgia, esse desassossego de alma, que assume por vezes um nome e me acompanha. É no último dia da semana de trabalho que se descansa, onde surge essa vontade louca, irresponsável, insensata, adolescente de mandar para trás das costas as minhas razões e as dos outros, e correr em direcção ao desejo, ao impulso animal que me condena.
Há um momento em que páro e leio o mundo e percebo que ele nem sempre é assim tão linear.
Regresso a casa para o mundo como ele pode ser.

«Às vezes, como náufragos, precisamos de nos agarrar a uma reminiscência banal, para evitarmos que tudo se dissolva na falsa enunciação da memória, na sua trágica encenação de efeitos sem correspondência com a realidade».

António Mega Ferreira, Amor, Lisboa, 2002.

quinta-feira, março 06, 2008

O amor é um burro teimoso!

Uma boa descoberta

Adriana Calcanhotto de regresso aos coliseus
Adriana Calcanhotto vai actuar a 19 e 20 de Maio no Coliseu dos Recreios e a 29 e 30 do mesmo mês no Coliseu do Porto.
A cantora vem apresentar o novo espectáculo «Maré». Para Lisboa, o preço dos bilhetes varia entre os 25 e os 50 euros.
No Porto, entre os 20 e os 50.

quarta-feira, março 05, 2008

Sopros

E então sopro-te ao ouvido “está tudo bem”.
Aperto-te com força e abraço-te inteira, e por segundos tu acreditas.

E todos os momentos em que me entrego ao vicio, lanço no ar recados poetas que me exprimem, que me libertam. E aos poucos vou ficando mais leve, ou mais habituada, talvez. A ausência como qualquer outra circunstância na nossa vida vai-se tornando familiar, vai-se repetindo dia após dia, até se tornar a velha pantufa que parece fazer parte de nós, que nos desconstrói e conforta. Conforta porque sabemos que passou, que ficam apenas memórias simpáticas, lições, sermões e muitas gargalhadas.
Na ausência aprende-se muito. Acima de tudo a nosso respeito. Chocada e tantas vezes, boas, surprendida descubro em mim um outro que me agrada, me desperta e me completa na consciência de mim.

O tempo que vai passando, seguindo em frente é o mesmo que se vai descontando do final. E isso é algo que não me posso permitir esquecer.

terça-feira, março 04, 2008


Schiuuuuuuuu...porque há silêncios que não se podem guardar.
" A vida é uma combinação de coisas que se repetem e de coisas que só acontecem uma vez. O curioso é poderem ser as mesmas. "

desconhecido