segunda-feira, fevereiro 02, 2009
O meu pé de vida
Foste especial desde os primeiros momentos de uma gravidez complicada, diferente, por vezes até dolorosa. Eu queria-te. Queria-te muito. Contava os dias para o momento em que te teria nos braços, em que te olharia fundo nos olhos e perceberia a razão daquele amor tão incondicional.
Do momento em que saíste de mim, em que nos separamos, em que passou a ser tu e o mundo e não apenas um nós seguro, lembro a ausência da força. Não te consegui pegar. Riam do meu estado esgotado, mas sabia-te bem e saudável e podia permitir ao mundo, ao teu pai, aqueles momentos únicos.
Quando te trouxeram vestido e lavadinho, bem embrulhado, colocaram-te entre as minhas pernas. Confesso que essa forma de te transportar me fazia confusão. Mas essa sensação logo se esfumou quando um amontoado de almas excitadas te adoravam, se derretiam e trocavam piropos sobre as parecenças. Eu, que sou uma pessoa incapaz de ver parecenças em bebés, sorria por dentro. Por confirmar o quanto adorado e esperado eras.
A tua avô delirou contigo desde o momento em que te viu. Como ela te amava. Sinto saudade dos telefonemas diários dela, para saber do “nosso menino”. De manhã para saber como passaras a noite, se comeras bem, se foste contente para a escola. Á noite só para te saber feliz. Mesmo quando estava doente, muito doente meu amor, ela queria estar contigo. Esforçava-se porque sabia o quão bom isso era.
No dia do teu primeiro aniversário disseste “olá”. Subiste apoiado e devagar as pequenas escadas, encostaste-te à floreira e disseste “olá” a sorrir para uma plateia que se deliciava.
(continua)
O velhinho do ISCSP
Feliz Aniversário

quinta-feira, janeiro 29, 2009
Confidências inesperadas à sacada de uma janela
Não leves a mal o jeito...esta presença aqui prova que há sempre um "tum tum", como escreve a tua amiga. Pela troca de cabeçalhos sem necessidade de edição, partilho este presente que é demasiado bonito para guardar só para mim...
"O luto do grande amor torna-nos apenas numa pessoa. E ser uma pessoa é muito pouco para quem já foi nada. Para quem já deu tudo. Jurámos que nunca mais. Assim não. Nem pensar - "Não te posso dar nada", dizem os amantes uns aos outros depois de terem dado tudo. O nada é aquilo que nos lembra aos outros, quando morremos de uma das múltiplas mortes que podemos ter para os outros. Agora contamos a história tintim por tintim. Mas sobra sempre um tumtum.” .
Inês Pedrosa a "Instrução dos amantes"
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Imaginar um adeus
As coisas tristes não precisam de ser episódios que nos sangrem na alma. Estão por ali. Não as conseguimos ignorar nem as queremos esquecer: acompanham-nos como o som, fanhoso, de um rádio antigo que atropela todas as tentativas de saborear um silêncio.
As coisas tristes não nos deprimem nem nos amarguram, por exemplo. E isso é bom. Mas adormecem e põem-nos de costas para o futuro. E isso é péssimo.
Nunca se prepara um adeus. Qualquer que seja. Imaginar um adeus não nos habilita a compreender a tontura de sermos apanhados de surpresa quando perdemos alguém. Preparar a despedida não nos ensina a dizer adeus mas, simplesmente, a prevenir todos os remorsos."
Eduardo Sá
segunda-feira, janeiro 26, 2009
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Disseste-me estas palavras a jeito de conselho como se as artes dos afectos tivessem regras. Intui-te no olhar que, na tua opinião sou melhor quando amo. È verdade que sim. Que sou bem mais bonita, mais solta, mais atraente até, quando me deixo levar por uma paixão.
Não consegues entender que não estou disponível para amar. Que não só não consigo como não quero amar homem algum.
Porque amo.
Porque independentemente da ausência há um corpo que desejo, há um olhar que ambiciono, há na minha cama o lugar preenchido, há na minha pele restos de sabores, há vazios que não quero encher.
Não há espera, não há esperança, há uma digestão a fazer. Há que absorver cada bocadinho desse amor que não se deu, que não se esgotou, para que se transforme em matéria-prima de vida, de conhecimento, de experiência que um dia servirá de filtro para outros sentimentos.
Ris-te de mim e tentas convencer-me que é o tempo. Que o tempo mudará as coisas, que me trará o esquecimento. Ai é que tu te enganas. Eu não quero esquecer, não quero deitar para trás das costas, não quero expurgar, não quero reciclar, não quero apagar.
Eu quero só lembrar quando quiser sem que isso seja um impulso de momentos ociosos, ou detalhes de cenário que se espetam pelos olhos dentro e nos projectam lá para trás para um tempo que já não há.
Não. Não será o tempo que mudará esta forma de sentir. Nem as necessidades do corpo, curtas de mitigar, como fome que se mata com qualquer pedaço de alimento. Há que saber comer. Não será o passar das horas, nem os entreténs de outros passos de dança, nem de outras mãos, menos ainda de outros vinhos.
Será o inevitável. O brusco momento em que a vida toda que ainda não vivemos nos entra pela alma a dentro em forma de planos, projectos, sonhos, caminhos. Quando outro olhar bastar para fazer o mundo virar do avesso e dar-lhe uma nova certeza. Uma certeza que de garantias nada terá, mas que se sente como única.
Não, não desisto mas ainda assim resisto ao convite e penduro nessa porta, um convicto.”Não incomodar”
O gosto dos outros
Com a idade e a capacidade de manuseamento da linguagem vamos conseguindo criar nos outros expectativas daquilo que temos para dizer. Com as palavras vamos dando a conhecer quem somos, o que queremos, o que pensamos sobre os mais variados assuntos. Quanto maior for a nossa criatividade e capacidade de usar a palavra mais fácil se torna convencer os outros dos nossos objectivos, da nossa força, da nossa sinceridade.
Por isso é tão desarmante a impossibilidade de utilizar essa ferramenta ou essa arma na conquista do nosso espaço social.
Recentemente conheci uma criança surda-muda o que fez com que a minha capacidade de comunicar fosse posta à prova. Apesar das minhas reticências ela tentou da forma que lhe pareceu mais fácil mostrar-se e dar-se, sem que o silêncio se tornasse um muro intransponível. Entre sorrisos e gestos, com muita mão na mão rapidamente chegamos ao sítio onde começam as amizades.
Esta situação fez-me pensar um pouco sobre alguma injustiça praticada por mim face a pessoas que não têm, não porque não sejam capazes, essa apetência para a comunicação, para nos prenderem a atenção com as suas palavras, para nos seduzirem com os seus conhecimentos, para nos encantarem com as suas frases. A verdade é que, dada a minha queda para o excesso de oralidade acabei por pôr de lado gente, que há sua maneira, terá dezenas de coisas belas, inteligentes ou verdadeiras para me ensinar, mas que não sabem embrulhar estas prendas com enfeites mais apelativos para mim.
Percebo o quanto injusta e vítima sou pela prática dessa forma de snobismo intelectual. Sou tão ridícula eu no meu julgamento da intelectualidade quanto patética na prática de descriminação de gentes pela diferença de vocábulos, significados e referências culturais. Aborrece-me ser assim. Não conseguir adequar a minha capacidade de atenção e aprendizagem aos meios que outros, bem mais inteligentes, conhecedores e sabedores se oferecem para partilhar sem que, nesse gesto, se encontre pinga de superioridade.
Uma expressão palerma
Inês Pedrosa
Na cama não se fala de filosofia
Peguei na mão dela, coloquei sobre meu coração, disse,meu coração é seu,depois pus sua mão sobre minha cabeça e disse,
meus pensamentos são seus, moléculas do meu corpo estão impregnadas com moléculas do seu. (...)Ela disse,
te amo, vamos viver juntos.
Perguntei, não está tão bom assim?
Cada um no seu canto, nos encontramos para ir ao cinema, passear no Jardim Botânico, comer salada com salmão, ler poesia um para o outro, ver filmes, foder.
Acordar todo dia, todo dia, todo dia juntos na mesma cama é mortal.
Ela respondeu que Nietzsche disse que a mesma palavra amor significa duas coisas diferentes para o homem e para a mulher.
Para a mulher, amor exprime renúncia, dádiva.
Já o homem quer possuir a mulher, tomá-la, a fim de se enriquecer e reforçar seu poder de existir.
Respondi que Nietzsche era um maluco.
Mas aquela conversa foi o início do fim.
Na cama não se fala de filosofia.”
Rubem Fonseca, "Ela e outras mulheres"
terça-feira, janeiro 20, 2009
Para 2009 que desafios?
Para responder a este desafio tenho que pensar nos meus 8 desejos para 2009, o que é mau, tendo em conta que esta passagem de ano a minha resolução foi não pedir desejos.
Assim e após alguma exercício de arrumação de prioridades eis a minha lista de desejos, que mesmo que não se concretizem não trazem mal ao mundo ao serem desejados, mas não há que esquecer a velha máxima, “cuidado com o que desejas porque se pode concretizar.”
Assim, em 2009 desejo:
- * Muita saúde para toda a família e os meus amigos;
- * Que os meus filhos sejam estupidamente felizes;
- * Que os meus amigos desempregados arranjem um emprego que os preencha;
- * Que se descubra a cura para o cancro da mama;
- * Que ultrapasse o meu pânico de conduzir;
- * Engordar 10 Kg;
- * Que o Pedro Mex descubra a cura para os desgostos de amor;
- * Que a vida me seja justa;
Passo o desafio a estes 8 bloggers:
Uma mulher aventureira
A Incensurável
Riacho
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Stacey Kent - You ' ve got a friend
A propósito de amigos...a não perder dia 24 de Abril em Lisboa!!!
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Mexia sofria de amores...
Há qualquer coisa de “impermeável” nele que me causou comichão na espinha e me fez deixá-lo cair para a prateleira dos Gajos(as) Com Quem Não Vou à Bola Mas Em Dias de Nevoeiro Até Gosto de Ler...Cada vez tenho menos pachorra para o estendal de roupa da intelectualidade. Nos dias que correm tanto me faz que seja à esquerda ou à direita. Aquele número do eu li mais livros que tu, a minha mesinha de cabeceira parece o escaparate da Bertrand (sim, porque da Fnac seria coisa de pobre de espírito),comento tudo e um par de botas e sou tão versado que posso discorrer uma hora sobre qual o melhor batedor de claras em castelo.; põe-me nervos em franja. Já agora,sou tão Gourmet que nunca, jamais , em tempo algum compraria uma Bimby.
Aqui há uns tempos, num outro Blog de uma Senhora com quem não vou à bola sem que a figura em questão tenha contribuído para isso, apenas questões de linhas cruzadas e interferências sensitivas, descobri que o Pedro sofria de amor. Fiquei curiosa sobre de que forma “sofre” de amor um rapaz tão ocupado, com tantos livros para ler, assuntos para falar e uma Cinemateca para gerir. Lamento informar, mas a verdade é que comecei a gostar dele. Outra vez. Simpatizo com o moço, mesmo quando ele passa à frente de uma senhora ou não abre a porta para que ela passe. Tão fino, tão fino...se calhar é o lado distraído dele.
Não é menos verdade que desde que manifestei a minha crescente simpatia pela figura, aumentei as visitas ao blog. A quantidade de gente que procura por ele, não deixa de me surpreender.
É pena mas ele não anda por estes lados. Acho mesmo que ficaria horrorizado com os erros, os desvarios, o conteúdo deste site. Mas, como ele até tem umas coisas acertadas, deixo aqui como testemunho da minha crescente afeição, um texto publicado no Público de 16/08/2008 a propósito dos amigos que se perdem. Muito actual, infelizmente.
“A amizade é uma experiência mais frequente que o amor; mas todos os dias ouvimos histórias sobre ex-maridos e ex-namoradas, ao passo que pouca gente fala dos ex-amigos.
E ao nosso lado há amizades que acabam, como uma implosão de um edifício em ruínas, estrépido abafado e uma grande nuvem de pó. Disso fica apenas um grande silêncio.
As pessoas não gostam de reconhecer que a amizade é um laço frágil. A mitologia diz que os amigos são indestrutíveis e eternos. Há por isso um grau de decepção no fim de uma amizade que cobre de vergonha os envolvidos.
… Quando o amor acaba, a tragédia é minimizada porque já sabíamos que “o amor acaba”. O fim de uma amizade é uma surpresa mais chocante. Quando uma amizade acaba temos que reconhecer, contrariados, que a amizade, tal como o amor, é uma eternidade fraudulenta.
… A amizade suporta bem opiniões divergentes. Eis o que uma amizade não aguenta: deslealdades, traições, ausências, crueldades, competições, impiedades.
Já passei por algumas rupturas violentas, e sei que as amizades acabam porque pomos em causa o carácter do amigo. Reparem que não me refiro às amizades que se desvanecem, à intensidade que diminui, às pessoas com quem vamos perdendo contacto aos poucos, sem premeditação, só porque mudaram os nossos hábitos ou as nossas circunstâncias. De tempos a tempos, todos temos amigos de quem já não somos amigos. Mas isso é muito diferente de um ex-amigo.
Um ex-amigo é alguém a quem um dia entregamos as chaves todas que tínhamos. Teve acesso total às nossas ideias e emoções. Um ex-amigo foi sempre um amigo íntimo. È isso que explica o decoro antiquado com que evitamos o assunto.
O ex-amigo representa um juízo ético errado. É uma mancha humana. Um momento em que nos enganamos completamente sobre a humanidade, ou sobre um humano concreto.
É fácil dizermos “eu achava que estava apaixonado” e garantirmos que confundimos o amor com uns olhos azuis. Mas com um amigo, que é um peixe de águas profundas, não temos essa desculpa.
Quem é que diz “eu achava que era amigo dele”?
O fim de uma paixão revela um erro comum. O fim de uma amizade é um erro pessoal. Sem direito a perguntas.
O ex-amigo nunca nos é indiferente. Uma das minhas regras sagradas é que nunca digo mal de um ex-amigo. Isso é tanto mais estranho quanto sou capaz de dizer mal de um amigo, em casos graves.
Mas um ex-amigo é como uma investigação policial inconclusiva. É um caso arquivado por desistência e que pesa na consciência. Se eu criticasse um ex-amigo era como se ele ainda fosse meu amigo. E isso seria uma sensação incómoda.
Ao mesmo tempo, o ex-amigo não é exactamente um inimigo. È um fantasma, uma assombração de que nos lembramos sempre…
O amigo entrou na Cidade Proibida e agora não nos perdoamos que ele tenha visto os leões e os archeiros.
…Nunca perdoamos o entusiasmo lúcido com que fizemos um amigo e depois o perdemos.
Não estamos sequer arrependidos: - estamos tristes com uma tristeza mais suportável e mais duradoura que a tristeza amorosa.
Quando nos cruzamos com um ex-amigo e não nos cumprimentamos, pesa no coração o logro que é a fraternidade. Sem a qual a igualdade e a liberdade afinal não valem nada."
Coldplay - Viva La Vida
A musica e as pessoas. É natural associarmos músicas com vivências e pessoas. Seja o momento em que ouvimos determinada musica pela primeira vez, seja a pessoa com quem partilhamos esse momento, seja apenas uma palavra ou sentimento que nos coagita associações. É uma coisa pavloviana.
Lembro-me perfeitamente do momento em que ouvi este cd pela primeira vez. Lembro a decoração da sala, os sorrisos, a disposição das pernas, o silêncio confortável ao toque que se exercia por ser algo que por vezes não se consegue evitar.O estar e deixar-se dormir porque era assim que o corpo pedia.
No entanto, esta musica tem duas caras. Duas caras radiantes e sorridentes e profundamente belas. Duas vozes que a mal acompanhavam a letra sempre a decibéis acima do permitido. Que pediam com modos a jeito de ameaça velada...põe aquela musica enquanto se acelarava pela estrada fora e o sal se dispersava o ar á mistura com a areia.
Ontem, quando vos vi era esta a música que tocava no carro. Não pude conter as lágrimas á mistura com a ternura. Á mistura com uma admiração profunda e os sentimentos confusos de quem na perda também ganhou.
Sim Princesa...aquelas estrelas no céu são só para ti. Sim...eu irei sempre gostar de ti e tu serás sempre uma cara de lua cheia e seixos redondos e polidos que brilhavam mais que qualquer outra jóia. Sim Princesa o teu cabelo cheira sempre bem, as ondas dos teus caracóis vão sempre crescer e as fadas existem, e as estrelas que vês são tuas. Emprestas-me algumas para acalmar a saudade?
quinta-feira, janeiro 08, 2009
1/2 cinza eléctrico
Efeitos secundários:
- Olhos esbugalhados que se mantêm abertos à custa de um frio do caraças:
- 32 horas decorridas desde que dormi pela última vez!
- Dois choques frontais: 1 com o outdoor do Clonney (menos mal) e outro com um pica-bilhetes sentado em cima do muro em desiquilibrio gástrico (um género Alice in winederland);
- As ideias da secção de frescos e do arquivo morto aparecem a pares, mas falta-lhes sempre a ponta.
- Sou oficialmente incapaz de sorrir para alguém mas farto-me de rir comigo;
- Fui invadida por uma enorme ternura gratuita pelo Pedro Mexia ( à escala). Oscilo entre a vontade de lhe dar um abraço ou um serviço de jantar de 80 peças Vista Alegre, para atirar a quem lhe apetecer;
- Sou atacada pontualmente e de surra, por uma brigada de Bichos-Carpinteiros que estavam hibernados. Não consigo manter os braços esticados.
- uma média de 1 copo de água a cada 4 horas;
- Estou na dúvida se vivenciei uma alucinação: alguém me confidenciou que sou ex-namorada de um Gay. Ou para ser correcta de um BI. Não sei o que me chateia mais:Se ter ficado a saber. Se não ter percebido!Se não ter a certeza! Ao menos não sou a única. No entanto, ainda não estou em condições de teorizar sobre o assunto!
Next Milestone:
Dormir que nem uma pedra.
Better make it two!
0- Insónia

Há anos atrás nada disto teria impacto. Nem a insónia, ou as poucas horas dormidas e muito menos a irritação provocada por um cérebro cansado mas incapaz de parar. Na realidade eu tenho muitas coisas para pensar e variadas decisões para tomar. Esta manhã, um escritório em peso verá uma zombie de mau humor, o que dada a agenda do dia, não posso assegurar que não haja “baixas”.
Hoje é um dia diferente. É dia 8 de Janeiro. Aniversário do Sohel, o que me faz vir á cabeça o surf, que me transporta para o Alentejo. É o dia que se segue ao quebrar de uma regra, ao dar uma abébia ao “impensado”. São 8 dias passados do início de um ano que se prevê, para todos nós, muito difícil.
É o dia para iniciar um novo projecto. É o dia 0. É dia de aceitar o conselho de um velho novo amigo. É um dia para convicções. É um dia para morrer de medo, mas mais vale tentar e morrer do que não chegar a tentar e viver à sombra do receio.
Não sei muito bem o que escrever, mas quero que daqui a uns tempos este momento duplique o sentido. Veremos.
LF, obrigada pelo exemplo e a inspiração.
Sidney J. Harris
A culpa é do vizinho do 2º esquerdo que desconhece a existência do Rinomer!
Terei na testa um daqueles painéis electrónicos a dizer disponível? Ou será a abundância de tempo ou ausência de sexo, a causa do acne tardio?
Self-respect sky rocket
- e o meu caro amigo não tem nada menos óbvio que fazer que olhar para o meu decote?- minha cara…a graça do seu decote reside na subtileza do mesmo!
terça-feira, dezembro 30, 2008
terça-feira, dezembro 23, 2008
O Natal em mão fechado

De intenções e presentes também se vai fazendo o meu Natal. Este ano e para parecer que o Natal é maior coloquei meia dúzia de presentes de Natais passados. Por algum bug do destino, ou fracas capacidades de gestão tenho um stock considerável de presentes de outros Natais que não chegaram a ser ao qual se juntaram este ano, outros tantos do Natal que se esperava. Poderia tê-los “reciclado”, tê-los oferecido a novos destinatários e sempre tive a hipóstese de os devolver à loja. Nunca o consegui fazer e em verdade por muito que me entristeça olhar para eles, eles recordam-me momentos de muita felicidade e enorme esperança.
Claro que está na altura de me desfazer deles, porque o lastro daquilo que não foi pesa a dobrar. Não lamento o dinheiro gasto, a disponibilidade mental mal aproveitada. O único que lamento é nunca ter oportunidade de ver os olhos rasgados a rir de brilho quando as mãos tocassem o amor em forma de objecto.
Porque o Natal também se compra mas o amor apenas se dá.
Desejo a todos um Natal Sincero, Verdadeiro e Real
Já que um amigo blogger se antecipou na escolha do enquandramento musical para os seus votos,e me "roubou" a ideia, fica esta bela música que sempre me divertiu muito, mesmo que o video não seja tão cheio de "vitamina ao olho".
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Porquê
terça-feira, dezembro 09, 2008
Palavras...palavritas
Como as coisas belas e bonitas são para partilhar, deixo-vos aqui uma pequena amostra de como este Meu amigo, escreve bem, também ele com o coração ao pé da boca, e da mão e do pé. O blog dele, ainda que não actualizado com regularidade, vale sempre uma visita e um comentário.
"Nunca contamos con que los años van cayendo como gotas de lluvia sobre un hierro impoluto, el cual , finalmente se acaba oxidando y asemejandose a los demás trozos mohosos de metal que un día relucieron a la luz de un sol lleno de vida y por qué no?? de ilusión.Ésta posiblemente, fue la razón por la cual nunca imaginó nadie, tanto menos él, un adios tan repentino, pero el amor es traicionero y a veces nos da la mejor de las sensaciones para luego darnos el peor de los dolores. Es dificil ser consciente de que la vida puede estar acabandose tras la siguiente curva, y ella convertirse en precipicio inminente, quizas porque no queramos saberlo, quizas porque no nos guste la idea o quizas porque no estemos hechos para ello... sea cual sea la causa, el irreparable dolor que deja un amigo que se va, es la estaca que abre la brecha de nuestros pensamientos y la razón que nos mueve al porqué de la existencia."
- Desculpe Maria. Dava tudo para não lhe dar esta notícia. É irónico que de novo seja eu a fazê-lo. Anos depois.
-Mais uma coincidência. Apenas isso. Se eu acreditasse em algo que fosse, em Buda talvez, pensaria que existe para me chamar á terra de cada vez que me baralho por ai. Deixe lá. O que não mata engorda já diria a minha avó.
We wish.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Pensamentos obtusos
domingo, dezembro 07, 2008
Fim da linha
António Alçada Batista,
29/01/1927 - 07/12/2008
in "O riso de Deus
sábado, dezembro 06, 2008
Coisas que aparecem assim no IP4
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Heróis
“Tu não és a minha mãe! Tu não és a minha mãe!” gemia a minha filha encolhida sobre si, incapaz de me olhar nos olhos, como se a minha presença a assusta-se ainda mais. Tentava a todo o custo tranquilizá-la, mostrar-lhe o quanto a quero, o quanto são eles a coisa boa da minha vida correndo trilhos na minha cabeça a tentar perceber o porquê daquelas palavras.
Segundo ela, eu não sou a mãe. Sou alguém igual à mãe, mas que não é a mesma mãe. Não é uma mãe que sorri, não sou uma mãe “querida”, não sou uma mãe presente. Mas, apesar deste rol de queixas, ela ainda gosta de mim.
No instante que ouvi essas grito de desespero, e por entre gritos cortados a seco do fundo de mim percebi
É difícil, cansativo e diário o esforço por sermos o herói, o tesouro, o segredo mais belo de alguém, mas basta uma pequena escorregadela sem queda aparatosa, para passarmos a ser a desilusão de alguém.
Nos últimos dias a contagem fez-me perder. Eu perdi dois heróis e ganhei o estatuto de “estranha”.
E que o que dói na dor é viverem dentro de nós pessoas que, perante o nosso sofrimento, digam, por palavras nossas: Afinal, quem és tu?
Os que o olham de cima supõem que são as manhãs de sol quem abre as persianas pelo coração. Acham o amor uma relação fora de moda e o melhor que conseguem é encontrar a pessoa dos seus sonhos... para os próximos dias. Não compreendem que a sedução é uma defesa contra os abraços. E não concebem que a segurança seja contar com o amor de alguém (em vez de estar seguro que a pessoa com quem se conta não conte, seguramente, para mais ninguém).
Já os outros reconhecem que, quando ponderamos acerca do que gostamos numa pessoa, já não gostamos dela: reparamos nos pormenores. E que, quanto mais preponderante é um amor, mais a iminência da sua perda nos revolve. Sabem, por mais que não as tenham, que há relações que iluminam a alma e que incendeiam a paixão. E que serão elas a quem chamamos amor. E que esse amor faz do que temos cá dentro uma democracia que nos torna, a todos, iguais nos sonhos e diferentes na forma de os vivermos. E é por isso que, diante das falhas do amor, somos todos crianças desamparadas entre um colo e as cavalitas (como se amar com resignação fosse uma casa de chocolate que, depois de nos distrair, acaba por nos comer).
E que o que dói na dor é viverem dentro de nós pessoas que, perante o nosso sofrimento, digam, por palavras nossas: Afinal, quem és tu?
Na verdade, amar é ver mais longe. Mais longe, até, do que se avista quando se enxerga o coração do planalto de um abraço. Saudar os sonhos com a inocência de quem procura neles um trilho especial. E perceber que tudo o que se sonha é pouco mais do que nada ao pé das relações que iluminam a alma e que incendeiam a paixão. E que só essas fazem dos sonhos o passadiço do amor."
Eduardo SÁ
quinta-feira, dezembro 04, 2008
quinta-feira, novembro 20, 2008

Conduzidos aos bocadinhos, os meus passos convictos á mistura com muito tropeção calçada fora, trouxeram-me ao dia de hoje.Um dia que começou com uma decisão dura mas optimista, com um novo desafio profissional, decorreu entre palavras simpáticas e saborosas vindas de longe, de tempos idos, com encontros, reencontros e destinos. Terminará com um grupo de amigos, pequeno mas repleto de gente que não se vais embora nem que a vaca tussa e pelos braços da melhor coisa que tenho: os meus filhos.
A todos que de, uam forma ou de outra, se esforçaram para fazer deste dia, um dia ainda melhor: muito obrigada e continuem!!!
PS: Reclamação: andam a falhar nos presentes. A malta gosta de surpresas,tà?
terça-feira, novembro 18, 2008
Uma lição "quase" perfeita
Sei, por experiência que os homens também “ambicionam” uma princesa perfeita, ainda que com defeitos. Também sei que, desta extensa lista, há pontos que conseguimos, com honestidade, frontalidade, medo, coragem ou falta de jeito cumprir. E mesmo quando os não os conseguimos cumprir todos, vale a pena conhecê-los. Caso se preencham todos estes requisitos ficamos mais perto desse lugar que de perfeito tem pouco: O de ser um ser humano completo na base do outro.
A ti: desculpa o abuso, mas como afirmei recentemente as primeiras impressões são as que mais marcam e nesta lista está um belo cesto de sorrisos.Obrigada.
“(...)a propósito de uma lista de coisas que está no teu blog, eu também tenho uma lista mental do que é a mulher perfeita
(a ser inventada, claro!).
Eu gosto de:
1. Pessoas que tenham personalidade
2. Que tenham ideias originais
3. Que não se importem que eu goste de futebol e que percebam que isso não é incompativel com gostar de ler, ouvir musica ou conversar
4. Que reclamem carinhos que só por distracção ficaram por dar
5. Que saibam que os outros são diferentes e é por isso que gostamos deles
6. Que não se importem de chegar a casa e ver que afinal eu ainda não cheguei porque me distrai com as horas a conversar com alguém
7. Que saibam rir das patetadas que fazem
8. Que saibam que eu vou rir - quando me pedirem para não me rir de uma patetada qualquer que fizeram - porque me estou a rir com elas e não delas
8. Que entendam que os amigos são sempre bem vindos porque ser bem vindo é uma coisa que sabe bem
9. Que achem que pensar de forma diferente é um desafio e não um obstáculo
10. Que não tenham medo de arriscar
11. Que percebam os silêncios e que eles são às vezes a melhor forma de se dizer muita coisa
12. Que não tenham medo de dizer: amo-te (P), as vezes todas que quiserem
13. Que no meio do barulho percebam que os meus lábios estão a dizer isso mesmo
14. Que percebam que ser racional é uma arma para resolver situações e não um estado de espirito
15. Que ser irracional, emotivo e sincero é quase sempre um valor
16. Que se atrasem porque se distrairam com uma coisa qualquer mas entendam o possivel raspanete e saibam que se pedirem desculpa eu vou render-me
18.Que gostem de ver filmes no sofá com edredon e peçam qualquer coisa que esteja na cozinha exactamente no momento em que me enrosquei ao lado delas
19. Que o façam com um sorriso desarmante
20. Que saibam que vão ser obrigadas a pagar isso com muitos beijos
21. Que não reclamem por coisas futeis como por exemplo não ter arrumado os jornais que ficaram espalhados na sala
22. Que me digam que estou a ser um imbecil, quando mereço que isso seja dito
23. Que tenham segurança suficiente para não ter medo de falhar
24. Que me ajudem quando precisar
25. Que me peçam o mesmo quando precisam
26. Que tenham bom gosto
27. Que não liguem muito ao dinheiro porque ele é um meio e não um fim
28. Que aos abraços me digam que conseguiram qualquer coisa que desejavam muito
29. Que gostem de fazer amor às horas mais estapafurdias porque o sexo não tem horas
30. Que sejam inteligentes
31. Que tenham interesses completamente diferentes dos meus além dos que partilhamos em comum
32. Que me ensinem qualquer coisa que aprenderam e eu não sei
33. Que me perguntem o que querem saber
34. Que entendam que chorar é uma coisa normal e que é fundamental chorar quando for isso que têm que fazer
35. Que tenham coragem em sentido lato
37. Que entendam que amar não é uma obrigação, porque é um prazer
38. Que me vão buscar ao aeroporto ou que digam que não podem mas apareçam de surpresa
39. Que aceitem excessos da minha parte porque de vez em quando me apetece ser assim
40. Que me perguntem se posso ir buscar qualquer coisa delas que nem sei bem para que é que serve apenas porque têm preguiça
41. Que saibam partilhar
42. Que percebam que partilhar não é ceder mas sim recebe.
44. Que saibam que isso é essencial
45. Que gostem de andar pela rua
46. Que saibam perder
47. Que saibam ganhar 48. Que cedam no que achem que é acessório mas que não cedam no que acham que é essencial
49. Que percebam que eu gosto de praia quando ela está quase a acabar
50. Que saibam que eu sei que elas estão cheias de defeitos como eu
51. Que percebam que eu tenho dois pés esquerdos para dançar mas que faço um esforço
52. Que percebam que a vida deve valer a pena
53. Que saibam que esta lista é exemplificativa e não taxativa e que eu sei que elas também têm uma
55. Que me surpreendam com um sms idiota do estilo: "desculpa mas apesar de estar tudo bem e de te amar vou partir para a Islândia com um chefe de cozinha russo"
56. Que tenham duas pernas e dois braços de preferência
57. Que sejam bonitas quando sorriem
58. Que não sejam racistas
59. Que percam tempo a fazer qualquer coisa para mim porque estão a gostar
60. Que me dêm prendas
62. Que entendam que nada é perfeito
62. Que saibam que existem sempre pessoas melhores que nós e outras piores, mais ricas mas também mais pobres, mais inteligentes mas também menos, mais bonitas mas também mais feias, enfim que saibam relativizar o Mundo
64. Que não sejam cagonas
65. Que me digam: "mas porque é que não queres favas?", quando sabem que odeio favas
66. Que pintem as unhas quando estou atrasado e com uma calma olimpica secretamente olhem para mim enquanto se estão a rir por dentro por eu ter olhado para a cena e ter fechado a boca enchendo-a de ar para evitar dizer quarenta e sete asneiras óbvias
67. Que façam planos de projectos que podem ser possiveis ou não
68. Que entendam que deixo livros por todo o lado
69. Que sejam criativas
Nada a fazer portanto. É ir vendo até que ponto é que o desejado se encontra com o possivel.”
Paris
Uma história do tempo, ou da falta dele. Da ordem, dos compassos de cada vida. Do vai e vém de esperas. De desencontros que permitem outros encontros.
...de como nada temos a perder porque no fundo nada temos.
Ou a simples demonstração de como é dificil fazer um strip sexy de calças elasticas.
segunda-feira, outubro 27, 2008
Feliz aniversário futuro caçador de mitos...
terça-feira, outubro 21, 2008
Para onde vão os nossos heróis quando se cansam...?

Sempre olhei de soslaio todas as pessoas ou melhor pais, que de armadura em riste forrada de conceitos apreendidos de livros de pedospsiquatria, psicologia infantil, peuricultura e afins, se sentiam capazes de dar profundos conselhos a qualquer outro pai que, um pouco envergonhado levava as mãos à cabeça e admitia não saber o que fazer com o seu rebento.
Uma vez mais, a vida encarrega-se de me colocar em linha e percorrer caminhos literários idênticos, na busca do derradeira receita para fazer do meu filho, de novo, uma criança feliz.
E assim lá vai ela para a FNAC todas as semanas ler e reler tudo o que se publica sobre formas de lidar com a depressão infantil, o bullying, a neura, o desalento, o desamparo (de ambos), de tal forma que já tenho o direito de ouvir comentários graciosos ao jeito de "estás a tentar transformar-te na Marta Stewart da maternidade'"?.
Não. Apenas procuro a felicidade dele, ou pelo menos um tapete almofado que lhe ampare a queda, já que eu, por defeito, também não acredito nela.
Neste percurso de psicologia de trazer por casa, e ao longo das várias consultas do CADIN, que se amortizam semanalmente ano a ano, tenho encontrado textos muito bonitos, esclarecedores e até apaziuguadores de algumas mágoas pessoais, que vão muito além da minha faceta de mãe, nomeadamente do escritor Eduardo Sá, que publicarei aqui, sempre que façam sentido como encaixe das várias conversas tidas com aquele que sendo apenas uma infima parte de mim, é sem dúvida a melhor.
A propósito das falsas promessas, da amizade que se oferece em saldo e rapidamente se esgota, do "gosto muito de ti e nunca te vou esquecer", do fraca consolação do "és muito especial", aqui fica um pequeno texto do autor:
"Há pessoas que põem palavras nos nossos sentimentos. Parecem-se com os poetas. Mas depois, de surpresa, abandonam os nossos sonhos pé ante pé ou de “pantufas”. Não sei... Na verdade, decepcionam-nos (devagarinho) e, quando damos por isso, apagam-se dentro de nós. Deixam de ser preciosas e, por tudo o que valeram, não podem voltar a ser só (!) nossas amigas. Partem para uma “terra de ninguém”, muito distante do sítio onde vivem os génios da lâmpada, o Pai Natal, as fadas e os duendes. E por lá ficam. Mais ou menos errantes.
Imagino esse lugar, onde se acotovelam tantas pessoas que nos disseram tanto, como um Purgatório, com a particularidade de lá não se ser promovido, com facilidade, até ao Céu. É verdade que essas pessoas não se transformam num inferno dentro de nós, embora, por vezes, surjam, ora como um vulto ora como uma silhueta ou, até mesmo, como uma estrela cadente que, atravessando o nosso coração, já não provoca um arrepio (muito menos, um calafrio, que são aqueles sentimentos impetuosos que nos desabotoam a cabeça e nos deixam a arder de paixão e a tremer de medo, ao mesmo tempo).
Afinal, não são nem amigos nem amores. Transformam-se num museu? Numa arqueologia de todos os amores, por exemplo? Às vezes, nem isso. Infelizmente. Se fosse assim, estáticas, empoeirados, seguravam-se no nosso coração. O que não acontece às pessoas que foram perdendo a magia...
Este “não sei onde” é uma espécie de cemitério de poetas dentro de nós. Um lugar de silêncio que convida a espreitar para o que sentimos. Com surpresa e com dor, ao descobrirmos que, ao contrário do que sempre desejámos, há relações – luminosas - que foram morrendo para nós. Às vezes assusta. Afinal, não é simpático descobrirmos que mora em nós alguém que, não sendo o Capitão Gancho, tenha ajudado a morrer quem trouxe poesia, ou luz, ou um insustentável rebuliço ao que sentimos... Às vezes, atormenta. Porque magoa descobrirmos que – mesmo quando nos imaginamos a dar a sala mais espaçosa do nosso coração - também nós, dentro de algumas, vivemos sem viver, errantes, nesse “não sei onde” de alguém, entre os seus amigos e os seus amores. Às vezes ainda, somos tocados pelos galanteios da vida e, levados pelo entusiasmo, imaginamos que, se desejarmos com muita força, algumas das pessoas que guardamos no nosso cemitério de poetas ressuscitam e regressam, cheias de luz, para surpresa do Pai Natal ou das fadas. Eu sei que também entre as pessoas há quem pareça mágico mas intocável. Como eles. Mas: esse é o cais de embarque que, de surpresa, nos pode levar (sem volta) para o cemitério dos poetas."
[Eduardo Sá]
domingo, outubro 19, 2008
terça-feira, setembro 30, 2008
Um gajo normal
segunda-feira, setembro 29, 2008
Before is too late
"I wander through fiction to look for the truth
Buried beneath all the lies
and I stood at a distance
To feel who you are
Hiding myself in your eyes
And hold on before it's too late
We'll run till we leave this behind
Don't fall just be who you are
It's all that we need in our lives
and the risk that might break you
Is the one that would save
A life you don't live is still lost
So stand on the edge with me
Hold back your fear and see
Nothing is real 'til it's gone
So live like you mean it
Love 'til you feel it
It's all that we need in our lives
So stand on the edge with me
Hold back your fear and see
Nothing is real 'til it's gone"
Goo Goo Dolls
domingo, setembro 28, 2008
Entre portas
Há na vida inúmeras razões para mudar. Inúmeras circunstâncias que nos moldam. Toneladas de experiências que em passos de segundos nos corrigem. Uma casa é um motor tão forte como qualquer amor, ou abraço desejado em desespero.
Hoje, essa casa é minha. Essa mudança é minha. A razão do meu silêncio.
Tem o meu cheiro a correr à mistura com as minhas vozes. A 3 a 4 ou a 6 decibéis de prazer. Está repleta de passados. Cheia de escolhas próprias que reflectem como espelho velho e amarelecido pelos milhares de olhares, aquilo que fui, aquilo que ambiciono ser e melhor ainda, aquilo que sou.
As ausências também têm um tecto aqui. Quando se fecha os olhos e entre cortados eles nos levam de volta a outras casas. Quando nos entre alma adentro as pernas por cima de tapetes que antes se pisaram. E ao rever vemos os livros que hoje se lê, as palavras desditas dos jornais de hoje. Os sorrisos ténues de certezas, esperança, de quem pensa noutras casas, noutros móveis, cheiros, pedaços de dia-a-dia espalhados.
É por isso que me escrevo. Para que daqui a muito tempo, também outros passos regressem aqui.
Fomes
- Como te sentes?
Hesita por momentos, como se da sua resposta dependessem vidas. Como se as procurasse com cuidado no fundo da sua mala sempre desarrumada. Remexe-se na cadeira, respira. Abre a boca de mansinho mas cala.
- Exausta. Vazia. Tranquila. Arrumadinha como o quarto no momento seguinte á passagem do serviço de quartos. Esfomeada. Estou capaz de comer um boi.
Não consigo evitar rir ás gargalhadas. Daquelas cheias, a abarrotar de satisfação.
- Definitivamente estás diferente.
- Parece que me livrei das pedras que tinha entaladas na garganta e que impediam a passagem do susbstracto do corpo, da reles comidinha, do prazer. Sinto-me tão leve que preciso de comida para servir de lastro.
Sorria com vontade, enquanto virava o rosto e depositava o olhar no jovem sentado na mesa ao lado. Como se o visse pela primeira vez e gostasse do que os seus olhos lhe mostravam.
- Convido-te para jantar. Há que celebrar essa fome toda com algo substancial.
- De acordo. Mas escolhes tu. Aviso que estou com um apetite voraz.
Continuou calada toda a viagem. Não mudou a estação de rádio. Não se queixou do frio. Não reclamou do facto de não poder fumar..
quarta-feira, setembro 17, 2008
John Mayer - Free Fallin'
O meu chefe....
Não sei se alguma vez mencionei por aqui o facto de ter o melhor chefe do mundo! É mesmo isso, sem enganos ou sobressaltos. O meu chefe tornou-se com o passar dos anos e o aperto do trabalho e da vida, um dos meus melhores amigos.Muitas vezes vestiu ele o fato de Cavaleiro Andante (CH, obviamente!)
Para o Consolidar (Risos) desta forma de ser e estar, que é a nossa amizade disfarçada de muitos formalismos, contribuiu o facto de termos praticamente a mesma idade, backgrounds comuns, ambições parecidas e até defeitos convictos em nós.
Todos os dias aprendo algo novo com ele, seja uma anedota picante ou um novo príncipio económico. Aprendo que um sorriso faz milagres, permito-me ser eu e ter prazer por ai, a rir e brincar com o lado cinzento da vida.
Pela mão do chefe de má fama (cão que ladra não morde mas irrita!!!), conheci esta versão de uma música que muito mexe comigo.Afinal somos mais parecidos do que ambos suspeitávamos.
Por isso chefinho: SHOW ME THE MONEY!!!!
segunda-feira, setembro 15, 2008
in O Animal Moribundo de Philip Roth
sexta-feira, setembro 12, 2008
quinta-feira, setembro 11, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
"- J'ai peur que t'aies plus envie de moi, si tu me vois..." ou ando a precisar de comer mais crepes...

"Clic clac. Plus personne ne bouge. Moment suspendu. Bonheur"
"Même pas heureux d'ailleurs, ils n'étaient plus si exigeant. D'être ensemble, c'est tout. Et déjà c'était inesperé."
"Demain, il lui offrirait des crêpes Suzette pour la retenir à tout jamais."
"T'es contente de toi là ? Elles te gênent pas tes ailes quand tu marches ?"
"Tu vas pas t'en tirer comme ça ! Chose promise, orgasme dû !"
Muros homónimos
- Está bem, Camille, nunca te amarei.
- Obrigado, Franck. Eu também não!
quarta-feira, julho 30, 2008

segunda-feira, julho 28, 2008

"Lembro-me agora que tenho de marcar um
sexta-feira, julho 18, 2008
terça-feira, julho 15, 2008
terça-feira, julho 08, 2008
segunda-feira, julho 07, 2008
sexta-feira, julho 04, 2008
Sossurro à nuca do espelho

Coisa mais bonita é você,
quarta-feira, julho 02, 2008
Três gomos de saudade
ser como a noite que que passa em branco,
o comboio que regressa tarde ao reencontro esperado,
o grande amor de um poeta suicida num calmo entardecer.
O vento que espelha o ar espantalho,
as mil imagens dos teus olhos quentes
o único sorriso dos teus lábios memória
a tristeza guardada em mão fechada.
Quisera ser uma noite
tudo o que em palavras construo.
Ser o nada que te acalma,
ser o prazer das tuas noites etéreas,
ser a seiva dos teus suspiros,
não ser os medos da tua vida,
Não ser o teu segredo.
Não viver a tua vontade,
não cheirar as tuas flores.
Não cruzar os teus passos,
não sentir a tua presença vã,
não ser tudo aquilo que um dia quisera ser por ti...
Não quero
sentir esta presença negada,
ao teu espaço complexo.
Quero ser tua na tua mão.
sexta-feira, junho 27, 2008
Mudança para o Suprasumo do sossego
quinta-feira, junho 26, 2008
Sossego também pode ser o som dos nossos passos numa casa cheia de sorrisos...
Sossegar é saber com o que se conta, desde o azul do céu aos irmãos. O coração sossega em quem se conhece.
Sossegar é conhecer uma totalidade, as coisas feias ou bonitas, mas previsíveis e familiares. É por isso que sossega olhar para um rosto amado, que se conhece, ouvir a voz dessa pessoa, mesmo quando está a dizer disparates.
Não há falinhas mansas que tragam o sossego dos gritos duma pessoa com quem se pode contar. É um alívio.
Só a ordem pode sossegar, por muito alterosa que seja. A tempestade sosssega o marinheiro que conhece bem o barco e o mar."
Miguel Esteves Cardoso, in Verbos Irregulares
terça-feira, junho 24, 2008
My House in the middle of my street
Respirando cielo y horizonte
Esperabas ver la primera estrella
Para decidir cual es su nombre
Y seguir la historia que viaja en ti
Los sueños que te guian cada paso
A veces despertar en una casa
Es como despertar en un abrazo."
Mafalda Veiga M
quinta-feira, junho 12, 2008
Forward

15 anos de vida cabem em inúmeros caixotes que se empilham à espera dos braços de amigos voluntariosos para serem tresladados para um pedacinho novo de vida, com 90 m2 e muita esperança para preencher. Assim e como este ciclo parece que se encerra, esforço-me por fazer a triagem mais exaustiva da minha vida eliminando “entantos”, restinhos de amores que nunca chegaram a ser, memórias espelhadas em bilhetes de museus, concertos, talões de embarque, panfletos em diversas línguas, como que a provar que realmente vivi de facto todas essas experiências. Hoje já não preciso dessas provas materiais daquilo que vivi, não necessito de objectos de afectos cristalizados, para me lembrar do que senti e do quanto feliz se foi.
Tenho uma casa nova. Pequena mas simpática como eu, com tudo o que necessito para começar a minha vida renovada. Com tectos altos e portadas brancas que se abrem de par em par. Com o meu canteiro de ervas de cheiro, com retratos de amigos que partiram e histórias de mim. Com puffs e garrafas e livros e música. Comigo. Para mim e os meus amores e à minha maneira. Apenas à minha maneira.
Hoje é noite de Santo António e ele peço que entre casamentos, abençoe este meu novo estado civil.
Desculpem a falta de inspiração mas ultimamente é mais uma questão de transpiração.E de preguicite confessa!
sexta-feira, junho 06, 2008
quarta-feira, junho 04, 2008
Tic- tac; tic-tac
o tempo transforma tudo em tempo .
O ódio transforma-se em tempo ,
O Amor transforma-se em tempo ,
A dor transforma-se em tempo .
Os assuntos que julgávamos mais profundos,
mais impossíveis ,
mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo .
Por si só , o tempo não é nada .
E idade de nada é nada .
A eternidade não existe .
No entanto, a eternidade existe .
Os instantes dos teus olhos parados sobre mim ,
eram eternos .
Os instantes de teu sorriso ,
eram eternos .
Foste eterna até ao fim ."
José Luis Peixoto
no en(tre)tanto...
Miguel Esteves Cardoso;"no entanto"
sexta-feira, maio 30, 2008
Piropo
José Eduardo Agualusa na revista Pública, crónica de 4 de Maio de 2008
quinta-feira, maio 29, 2008
Dolce Vita
Ele já tinha reparado nela.Partilhavam uma zona de alimentação de um centro comercial.Tinha-lhe admirado a escultura perfeita do corpo e o olhar onde cabia o mundo.Estava sempre acompanhada,passando os fins de tarde a estudar e a tomar notas.Um dia,com a colega ausente,por inexplicável magia ficaram de cadeiras coladas.Ela levantou-se,pedindo-lhe com doçura para zelar dos livros e do portátil,enquanto ia á casa de banho,concluindo com um sorriso terno e com a promessa de breve regresso.
Ele esperou,mirando e remirando os livros.Ela voltou com o sorriso a incendiar-lhe a alma,agradeceu e começaram a falar.A propósito de nada,falaram de tudo.
Era estudante de medicina,faltando-lhe dois anos para terminar o curso,sendo natural de uma cidade minhota.
As horas passaram rápido e a esse dia outros se sucederam,com raras intermitências,provocadas pela incomoda,mas involuntária presença da colega.Uma esdrúxula magia instalou-se e sedimentou-se.Trocavam sorrisos e risos,ouviam-se,confidenciavam estados de alma,mergulhavam nos caboucos das suas vidas.
Provaram o fast-food,enquanto ela perorava sobre os malefícios daquele,demonizando-o e tragando-o,misturando sentenças médicas,com nacos de bom humor.E ria,ria muito.
Um dia,quando já tinham partilhado longas horas de conversa e aferido os sentimentos na distancia de um fim de semana,ele convidou-a para um jantar formal,longe do lugar onde tudo desabrochara.Ela desenhou um sorriso atento e pela primeira vez,sem responder ao convite,olhou para o dedo anelar da mão direita dele,onde repousava uma alva aliança,questionando o significado de tudo aquilo.
Ele explicou tudo,com tocante sinceridade e absoluta veracidade.Desnudou a alma,assumindo que não conseguia despir aquele objecto metálico,frio na forma,mas escaldante de conteúdo,porque prenhe de memorias e sentimentos vivos.Falou-lhe do tempo e do que por ela sentia.Ela ouviu e sorrindo sempre,disse que ia pensar em tudo.Despediram-se com um beijo meigo,marcando encontro para o dia seguinte.
Ele esperou.Ela não estava.Ele esperou muito.Ela não veio.
À noite,na hora do lobo,o telemóvel tocou.Era ela.Pediu desculpa pela ausência.Por momentos,aquela voz que ele tanto gostava,voltava a fulgurar a noite,dilacerando-lhe a tristeza.
Disse que tinha reflectido muito e que concluiu ser melhor não se verem mais,porque não queria sofrer,que não gostava de esperar.Ele argumentou,rebateu,propôs um encontro esclarecedor,definindo barreiras e pedindo-lhe tempo.Ela não aceitou a proposta,porque dizia que temia envolver-se mais e mais.Deixou em aberto a questão do tempo.
Ele voltou ao centro comercial,mas ela não mais voltou.O mundo tornou-se mais desinteressante e o colorido do centro comercial tornou-se plumbeo cerrado.
Um dia ele espera chegar e vê-la rodeada de livros,sorrindo para ele,com aquele sorriso que lhe mima a alma,com aqueles olhos onde cabe o mundo,com o langor melifluo do cio.
Ele sente a falta dela.Eu sinto a falta dela.
Superpoderes
quarta-feira, maio 28, 2008
As minhas lembranças sabem a vício
E já nada disto, juro, era teu.E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.
Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas.
Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido.
Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem principio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo.
E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu pra sempre. "
Miguel Sousa Tavares in "Não te deixarei morrer, David Crocket"










