José Luís Peixoto
segunda-feira, março 17, 2008
1st date milestones
José Luís Peixoto
domingo, março 16, 2008
V. em sonho
Orfeu B
Efeitos secundários...
...a emoção pode causar reacções alérgicas e os espirros podem ser contagiosos...
sexta-feira, março 14, 2008
quinta-feira, março 13, 2008
[NOVO SINGLE 2008] Chão - Mafalda Veiga - Estrada
Acabei de descobrir esta nova música da minha quase homónima.
Há dias assim...
quarta-feira, março 12, 2008
Diana Krall - A Case of You
Bebo eu por ti...enquanto ouço o original daquela senhora que nos faz mexer por dentro.
terça-feira, março 11, 2008
Um lençol é só um lençol
Ficaram só os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
Os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas.
Sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora,não irei negar isso.
Não irei negar nunca que te amei.
Nem mesmo quando estiver deitado,nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder."
José Luís Peixoto
segunda-feira, março 10, 2008
Let me tell you a secret
Esperava encontrar ali infidelidades confessadas, taras, fetiches, coisas ao jeito de “odeio a minha melhor amiga “ (mais comum do que possam imaginar), mas na realidade uma percentagem significativa de segredos ( quando terminar o meu estudo revelo os valores) diz respeito a afectos, amores,paixões e desejos, por confessar.
Confesso, agora eu, que isso é algo que me custa a entender. Tenho alguma dificuldade em conceber que não se confesse o amor ao objecto da nossa afeição, excepto em casos em que isso possa trazer sérios problemas a terceiros. Na minha opinião, não há nada mais bonito do que dizer que se ama, se quer alguém. Mesmo que não se seja correspondido, é a quem ama que entrega desse segredo liberta. Os amores inconfessados são como ferrugem no coração que vai criando camadas sobre camadas e nos impede de ser completamente honestos quando outro objecto de afecto surge. Além disso, o peso da dúvida, daquilo que se guarda é mais danoso do que levar um redondo não ou mesmo uma valente estalada (acreditem que eu sei!). As energias do amor, quando este não é solto, tornam-se tão negativas como o rancor, a raiva, a tristeza.
Concluo que o mundo está mais cheio de paixões inconfessadas que de amores declarados e eu se fosse a vocês, aproveitava o facto de ainda não se pagar imposto sobre esse rendimento, que tanto pode ser a paz de espírito de cada um como a alegria da surpresa.
E para aqueles que consideram ridículo a confissão desmedida de um amor, ainda que indesejado, só relembro que os papeis se invertem com facilidade. O mundo é mesmo muito redondinho e eu ainda tenho esperança de lhe dar volta. Até lá ,solto as minhas bolinhas de sabão de ternura, amor e desejo ao vento, mesmo que o destinatário esteja longe de as poder sentir. Porque sei e essa certeza não me arrancam, me faz melhor a mim do que a ele. Porque o amor se renova e não tem limites mas o ego sim.
Work in progress
sábado, março 08, 2008
Feliz dia da mãe
O meu príncipe perfeito, o meu filho lindo de 8 anos, vindo da festa de anos do seu avô, me oferece uma garrafa de vinho que com o seu jeitinho sonhador e atento cravou ao aniversariante para me oferecer a mim.
Não devo estar a fazer um mau trabalho, concluo de sorriso babado enquanto provo esta prova de amor.
My funny valentine
O que direi quando a cidade nos cruzar na esquina? Estaremos sós? Será que os olhos se encherão de lágrimas ou brilhos? Será que as palavras serão cuspidas, ou embrulhadas a jeito de significar mais do que realmente significam?
Perco tempo, que não tenho, a pensar em detalhes de conversa como se de deixas importantes se tratasse para dar sentido à peça que já saiu de cena. O último actor continua sentado no palco a interpretar as palmas do público, absorvendo o calor efémero que o aquece na casa vazia e fria, onde o papel de galã se deixa do lado de fora da porta.
Não entendo o silêncio construído ao contrário de ti. A cidade não te esconde por muito que te escondas dela, aprendi com o tempo. Não adianta adiar os regressos aos sítios onde se foi feliz, porque mais cedo ou mais tarde essa mesma memória estará num qualquer beco onde nem te lembras de ter passado.
Por muito politicamente correcto que seja por obrigatoriedade das circunstâncias não entendo, não quero entender.
Talvez ainda te ame.
Talvez.
Mas tenho para mim que este amor não tem destinatário, porque se encontra em parte incerta, no país feito a lápis de cera, de onde nunca saiu.
Do outro lado de mim ris, menino que de rosto afrontado te atira á cara um amor que sufoca, desleixado e desastrado que tenta rotular de meia dúzia de sentimentos escondidos. Fica-se pelo plano dos segredos mal passados de ouvido em ouvido, sussurrados a troco de promessas quase verdadeiras.Afinal de contas o amor é um jogo de probabilidades onde aquilo que mais nos atrai é quase sempre aquilo que nos faz mal.
Não é bonito o espectáculo do amor que não se quer, mas gostamos de o ver para sentir que ainda que o mundo se desmorone alguém nos quer. É uma forma de morbidez similar á que nos faz abrandar quando passamos por um acidente, só para respirar fundo e pensar com os botões “ainda bem que não fui eu ou alguém que amo”!
Convencemo-nos que se trata de uma curisidade altrúista, de quem se preocupa mas no fundo sabemos que não passa de um capricho do ego. Por isso não partes totalmente. Todos os dias te surpreendo atrás da cortina daquela janela que não dá para a rua, á espera de me veres passar e assim perceberes se continuas lá comigo.
As palmadinhas nas costas guarda-as para os amigos cuja amizade não necessitas, mas tens. A pena usa-a para escreveres o que do outro lado de ti luta para equilibrar os dois pés no corpo de gente crescida que se quer sempre funcional. Engana-os a todos com o teu jeito sonhador e o sorriso desenhado a custo de muitas palavras bonitas e versos de outros cantados baixinho. Veste o teu melhor vestido de cerimónia e encanta-os a todos com os teus conhecimentos de lombada e secretária, torna-te a mulher perfeita, a amante disponível, a amiga que leva todos os embates, a falta de respeito, a contenção do abraço mas mesmo assim está lá.
Eu? Esperarei como sempre que o tempo te leve de mim. Que as tuas palavras se percam na renovação dos neurónios até que não sejas mais do que a miúda que adora chapéus. Que a luz se apague por despeito do teu rosto. Que as horas corrompam tudo o que de bom me deste. Que os presentes se percam por mãos alheias. Que outros presentes cheguem. Que outros sorrisos me abracem. Que outros recados povoem as minhas manhãs ao acordar. Que boas noites mais quentes me dispam. Que mãos mais ágeis me guiem.
E, se ainda assim o meu amor por ti permanecer inventarei um final trágico e solitário que combine o teu ar de filme noir, com as lantejoulas de um cabaret e se um dia a cidade insistir, fecharei os olhos e passarei por ti do mesmo modo que passaste pela minha vida…sem tempo."
sexta-feira, março 07, 2008
Rostos no Trânsito
Há um momento em que páro e leio o mundo e percebo que ele nem sempre é assim tão linear.
Regresso a casa para o mundo como ele pode ser.
«Às vezes, como náufragos, precisamos de nos agarrar a uma reminiscência banal, para evitarmos que tudo se dissolva na falsa enunciação da memória, na sua trágica encenação de efeitos sem correspondência com a realidade».
António Mega Ferreira, Amor, Lisboa, 2002.
quinta-feira, março 06, 2008
Uma boa descoberta
Adriana Calcanhotto vai actuar a 19 e 20 de Maio no Coliseu dos Recreios e a 29 e 30 do mesmo mês no Coliseu do Porto.
A cantora vem apresentar o novo espectáculo «Maré». Para Lisboa, o preço dos bilhetes varia entre os 25 e os 50 euros.
No Porto, entre os 20 e os 50.
quarta-feira, março 05, 2008
Sopros
Aperto-te com força e abraço-te inteira, e por segundos tu acreditas.
E todos os momentos em que me entrego ao vicio, lanço no ar recados poetas que me exprimem, que me libertam. E aos poucos vou ficando mais leve, ou mais habituada, talvez. A ausência como qualquer outra circunstância na nossa vida vai-se tornando familiar, vai-se repetindo dia após dia, até se tornar a velha pantufa que parece fazer parte de nós, que nos desconstrói e conforta. Conforta porque sabemos que passou, que ficam apenas memórias simpáticas, lições, sermões e muitas gargalhadas.
Na ausência aprende-se muito. Acima de tudo a nosso respeito. Chocada e tantas vezes, boas, surprendida descubro em mim um outro que me agrada, me desperta e me completa na consciência de mim.
O tempo que vai passando, seguindo em frente é o mesmo que se vai descontando do final. E isso é algo que não me posso permitir esquecer.
terça-feira, março 04, 2008
sábado, março 01, 2008
Perfect Day

sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Prefácio de "O Retrato de Dorian Gray"
Revelar a arte e ocultar o artista é o objectivo da arte.
O crítico é aquele que sabe traduzir de outra maneira ou com material diferente a sua impressão das coisas belas.
A mais alta, assim como a mais baixa, forma de crítica é uma autobiografia.
Aqueles que encontram feias significações nas coisas belas são corruptos sem serem encantadores. É um defeito.Aqueles que encontram belas significações nas coisas belas são cultos. Para esses há esperança.
São os eleitos aqueles para quem as coisas belas apenas significam Beleza.
Não há livros morais nem imorais. Os livros são bem ou mal escritos. Nada mais.
A antipatia do século XIX pelo Realismo é a raiva de Caliban ao ver a sua cara no espelho.
A antipatia do século XIX pelo Romantismo é a raiva de Caliban por não ver a sua cara no espelho.
A vida moral do homem faz parte do assunto do artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito dum meio imperfeito.
Nenhum artista deseja provar o que quer que seja. Até as coisas verdadeiras se podem provar.Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética num artista é um imperdoável maneirismo de estilo.
O artista nunca é mórbido. O artista pode exprimir tudo.O pensamento e a linguagem são para o artista instrumento de arte.O vício e a virtude são para o artista materiais de arte.
Sob o ponto de vista da forma, o tipo de todas as artes é a arte do músico.
Sob o ponto de vista do sentimento, o tipo é a profissão do actor.Toda a arte é ao mesmo tempo superfície e símbolo.Aqueles que descem além da superfície fazem-no com risco seu.O mesmo sucede àqueles que lêem o símbolo.
É o espectador, e não a vida, que a arte realmente reflecte.
A diversidade de opiniões sobre uma obra de arte mostra que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está de acordo consigo mesmo.
Pode-se perdoar a um homem o fazer uma coisa útil, enquanto ele a não admira. A única desculpa que merece quem faz uma coisa inútil é admirá-la intensamente.Toda a arte é absolutamente inútil."
PS: Obrigada.
Lugar reservado no Funicular
De início parava pela Bicaense, um lugar sempre bem composto, com boa música e pessoas que, na sua maioria conseguiam ter conversas interessantes, comuns, cheias.
Ultimamente, contudo, descobri que o Funicular me assenta melhor. É mais neglige, mais desprendido, mais sólido e reúne algumas coisas que me fazem escolhe-lo como o meu bar de eleição para carregar baterias antes de descer a rua e regressar ao Jamaica ou ao Tóquio, que para mim, são depósitos de memórias, caras e costumes, feitos em compotas de boa música. A música, a par com as pessoas, são o que me faz escolher um bom sitio. Claro que, o facto de se poder fumar também me faz por de lado qualquer consideração mais tonta a respeito do facto de o espaço ser pequeno, ou a rua demasiado larga para tanta gente.
Ontem, de volta ao Funicular para ouvir um amigo DJ, a colocar música, deparei-me com as Tertúlias Informais. Um espaço, onde amigos, estranhos, figurinhas de passagem e cromos colados á mobília partilham o gosto pelas palavras, na forma de poemas, de textos, de conversas, de debate, de exibição, de exibicionismo ou simplesmente de desabafo.
Tive sorte…a escolha da noite caia me bem. Depois do “Cântico Negro” de José Régio declamado por João Villaret, (o primeiro poema que decorei na minha vida, numa noite de Verão de 1990, e com o qual arrecadei um beijo cinéfilo só possível por um adolescente profundamente enamorado), seguiu-se a leitura do Prefácio do Retrato de Dorian Grey de Óscar Wild, brilhantemente lido, em versão original por um rapaz simpático a quem gosto de chamar Tejo. Apareceu Alberto Caeiro, de novo José Régio, á discussão com Adolfo Luxúria Canibal, a cuscar sobre Sidharta e tantos outros.
Quem entrava acabava por ficar e aprender um pouco mais a troco de nada, e todos se enchiam (alguns a custo de muitos copos) de uma leveza e do ar contente de quem descobre uma pequenina coisa nova que nos surpreende.
No Funicular é assim ás Quintas-feiras.
Numa altura em que começava a pensar que as pessoas interessantes ou melhor pondo, que a mim me interessam, tinham desertado para algum canto recôndito da Ex-URSS, ou para o paraíso ficcional do Alasca, onde os homens crescem em árvores, fico contente de lhes ter apanhado o rasto.
Ás quintas, trazem os amigos, as entoações, as canções, as opiniões e a menos que o piso esteja demasiado molhado, há muitos ainda-desconhecidos-candidatos-a-amigos-ou-a-biblioteca-itenerante, para descer aquela rua com o apelo dos segredos, aos trambolhões.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Certezas sobre mim...
Escrevo como sinto, raramento edito e nunca releio nada que se destine a enviar/entregar alguém (exames, p.ex)
Ainda que saiba o nome correcto digo sempre “tosta mística” e raramente “tosta mista”
Tenho a mania de alterar ditados e provérbios, p.ex: “Chapa feita, chapa gasta” ou “presunção e água benta cada um toma a que pode”
Gosto de vespas coloridas
Não me sento nunca de costas para as portas;
Gosto de andar pela rua a cantar
Gosto de andar à chuva;
Tenho o hábito de colocar alcunhas a todos os amigos e colegas;
De inverno ...uso o cachecol até à hora de ir dormir;
Não Tenho cócegas
Adoro ténis All Star coloridos
Gosto tanto de comer caracóis como em miúda gostava de os colecionar;
Gosto de comer os caroços das cerejas;
Nunca termino completamente uma refeição...deixo sempre uma amostra no prato;
Gosto de Apanhar pirilampos
Adoro apanhar trevos de 4 folhas;
O meu gelado favorito é o Epá;
Adoro Chupa-Chups
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Transvision Vamp - Born To Be Sold
Saudades do Carnaval mais sexy de sempre. Claro que esta não era tão gira!!!
FMH Chicks!
domingo, fevereiro 24, 2008
Hier Encore
No entanto, ás vezes o destino dá-nos pequenos bálsamos para reciprocar a alma, e mesmo a maior dor turva e suja, não resiste quando a arte nos cresce diante dos olhos.
Charles Aznavour é o perfeito exemplo dessa forma de arte. Num espectáculo que deixou o pavilhão atlântico de pé e suspenso á sua voz, mostrou que a idade, a velhice é um pormenor sem a mais pequena importância quando o que se faz, é acima de tudo aquilo que se é.
Dono de uma voz bonita e marcada, é acima de tudo um homem de palavras, um actor num roteiro de viagens que transportava todos a momentos únicos de vida. Estava ali como se se tratasse de um velho amigo á mesa de jantar, partilhando histórias, piadas. Ás lágrimas nostálgicas que corriam pela face de quase todos os que me rodeavam, grandes e pequenos, eram poeticamente limpas não por kleenex a jeito no bolso, mas pelo seu humor, a sua dança. Um homem capaz de compor e cantar uma canção com as mãos, é digno de uma profunda admiração.
A energia deste homem de 80 anos, bonito, elegante, leve e cheio de graça fazia qualquer D’zrt morrer de vergonha. Durante 2 horas fez-nos rir, cantar, lembrar e conquistou muitos jovens acompanhantes de senhoras de idade avançada que suspiravam em meteorito.
Eu, que tive a sorte de ficar na fila da frente, fiquei encantada com o seu sorriso e com a forma como junta as palavras, naturais, simples, e nos conduzia a todos com jeitinho. De vez em quando confesso que senti o sorriso dele em mim, que retribuí com as covas do meu queixo bailarino e aspirante a cantor.
Ainda que muito se perca quando não se entende o francês, a beleza da sua melodia e aquilo que transmite com a forma intensa com que se canta, traduz da melhor maneira, o porque de ter sido considerado uma das maiores figuras do século.
sábado, fevereiro 23, 2008
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Just a girl standing in front of ...a bottle of wine
Não tenho para te amar mais do que breves lembranças espelhadas acima de tudo em palavras escritas na vertigem de um novo sentimento a amanhecer. Não é o teu corpo que me falta, talvez apenas os teus olhos abertos em sorrisos, que de quando em quando espreitam por entre as portas que me obrigo a fechar. Hoje desisti de te esquecer. Baixei os braços, sentei-me no sofá vermelho, debaixo do candeeiro que era teu, escolhi um vinho, abri uma caixa e deixei a saudade soltar-se por entre as palavras que escrevias nuns dias menos chuvosos que hoje.
É a tua voz que me pesa, ou melhor, o vazio que ela deixou. Fecho os olhos por segundos e quase sinto a minha pele arder dos beijos á mistura com a barba por fazer. O teu gosto colou na minha boca no teu nome que prenuncio baixinho, para que não me ouças.
Leio as tuas cartas que ainda hoje me arrancam gargalhadas, agora á mistura com lágrimas. Peço a um Deus no qual não acredito que te leve de mim de uma vez por todas. Que te arranque a ferros deste sonho quebrado que no fundo de um querer bravio, valente e teimoso te prendeu a mim.
Queria-te para mim num quarto da medida que me tens.
Enquanto o Diabo esfrega um olho...
Atitude essa praticada por quase todos nós, que julgamos qualquer coisa só porque temos o livre arbítrio que, alguns iluminados, nos garantiram ser obra Dele.
Confesso, contudo, que este é bem mais o meu género: é divertido, mordaz e escreve lindamente.
Uma lufada de ar fresco.
Ainda bem que nem sempre o Diabo é cego, surdo e mudo!
O mundo é uma bola de ping-pong
Há 364 dias entrou-me um cisco no olho. O cisco cresceu, a piscadela inevitável surtiu efeito e daí à visão turva foi um saltinho.
Este detalhe puramente insignificante não me teria ocorrido á memória, não fora ontem e também 300 e muitos dias depois, ter regressado à minhã mão, um par de óculos de afeição que eu julgava terem fugido com outro par de óculos entretanto desaparecidos lá para os ares do Bica.
Afinal, os meus amarelinhos estavam aqui mesmo ao meu lado, todos estes dias, nas mãos de alguém que nunca perdeu a ideia de encontrar a dona.
Foi preciso que o governo proibisse o fumo nos locais de trabalho, no dia 1 de Janeiro, para que a troca de bafos ao relento nos aproximasse de rostos que não passavam de números no peso do elevador e estes me tivessem permitido rever os meus óculos de estimação, braço dado com uma companhia para troca de intervalos.
Taninos 1 - Espanhol 0
como me haces hablar en el silencio,
como no te me quitas de las ganas
aunque nadie me vea nunca contigo.
Y como pasa el tiempo que,
de pronto, son años
sin pasar tú por mí,
detenida.
Te doy una canción si abro una puerta
y de la sombra sales tú.
Te doy una canción de madrugada,
cuando más quiero tú luz.
Te doy una canción cuándo apareces
el misterio del amor,
y si no lo apareces,
no me importa:
yo te doy una canción.
Si miro un poco afuera,
me detengo:
la ciudad se derrumba y yo cantando.
La gente que me odia y que me quiere
no me va a perdonar que me distraiga.
Creen que lo digo todo,
que me juego la vida,
porque no te conocen ni te sienten.
Te doy una canción y hago un discurso
sobre mi derecho a hablar
te doy una canción con mis dos manos
con las mismas de matar.
Te doy una canción y digo patria
y sigo hablando para ti.
Te doy una canción como un disparo
como un libro,
una palabra,
una guerrilla
como doy el amor"
Sílvio Rodrigues
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Pensamento alternativo
José Luis Peixoto, in 'Nenhum Olhar"
terça-feira, fevereiro 19, 2008
A minha vida dava uma novela Mexicana...
Senão vejam:
- O ex-marido sem nada para fazer, marca encontros com o ex-namorado para troca de literatura!
- O ex-namorado vai jantar com a futura mulher do ex-marido para troca de lições.
...e eu ainda tenho que saber?
Mas alguma alma caridosa me diz onde é que eu tenho cola?
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Curso de Introdução à Prova de Vinhos
No próximo dia 22 de Fevereiro na Fábula Urbis, em Lisboa, irá realizar-se um Curso de Introdução á Prova de Vinhos, leccionado pelo meu bom amigo Miguel Bucellato, qualificado pela 'Wine and Spirits Education Trust', tendo leccionado cursos em Inglaterra (Londres) e Portugal.
Programa:
- Breve introdução sobre o fabrico do vinho.
- Raízes históricas dos vinhos portugueses
- Como provar um vinho.
- Os cinco sentidos utilizados na prova.
- Como se escreve uma nota de prova.
- Prova cega de 8 vinhos representativos das melhores regiões portuguesas.
- Questionário e eleição da nota de prova mais criativa (prémio de uma garrafa para o vencedor).
- Duração: 2 horas.
- As marcações deverão ser efectuadas até à véspera da realização da sessão.
Preço: € 15,00 por pessoa
Marcações pelo telefone 21 888 50 39
ou
http://fabula-urbis.pt/
A chuva nas pregas do meu lençol
deitado sobre o meu regaço no sofã apertado.
As mãos distraidas sobre o teu cabelo grande e despenteado,
como o velho gato que se confunde na almofada.
Lia-te poemas que não querias saber,
contava-te histórias que não querias ouvir,
só para sentir o teu sorriso no colo do meu pescoço,
que levanto displicentemente para te ver desejar,
como ao gosto da ameixa fresca do verão.
Sonhei-te de olhos postos do meu ombro,
brincando com o meu prazer,
ás escondidas pelas minhas costas.
Senti o teu sopro na minha nuca feito maré,
espuma fresca que vai e vem no fundo de mim.
Sonhei-me acordar para te beijar a face e ver-te dormir.
Ouvi-te múrmurar o meu nome, suavemente como quem conta um segredo.
Ardente.
Procurei a tua voz pelas cantos da minha cama.
Não te encontrei.
Encontrei as chuvas ,
miúdas pelas pregas do meu lençol.
Hoje, sonhei que era hoje.
sábado, fevereiro 16, 2008
Uma boca desarmada
Não é todos os dias que se tem a oportunidade de cometer o atrevimento de abrir uma garrafa com um vinho de 137 anos, sem se saber ao que se vai. Ao longo dos vários anos em que me dedico a este bichinho dos vinhos já tive ocasião de provar grandes vinhos que fariam a loucura de outros apredizes de feiticeiro como eu. Já passei os lábios por alguns Barcas Velhas, pelos Perâ Mancas quase todos, por um Vega Secilia, pelo Opus One, mas de todas essas vezes o fiz pelas mãos de alguns mestres que, pelo seu temperamento me prepararam para o que deveria estar á espera.
Os vinhos do Porto e os Licorosos em geral são matéria que por muito que goste, ainda estou a anos luz de poder apreciar e entender de forma consistente.
Tudo isto serve para explicar a nota de prova que escreverei de seguida, dividida em duas partes, com uma decalage de 24 horas.
Esperei muitos meses para abrir esta garrafa que me fora oferecida, na expectativa de encontrar o momento ideal, a circunstância, a companhia para celebrar este momento tão único. Contudo a verdade é que os momentos ideais são apenas um capricho de uma mente ociosa e assim, a decisão de ir em frente surgiu por ela própria. A companhia essa sim, não poderia ser mais ideal, quando as pessoas partilham as mesmas paixões.
Parecíamos dois putos a tentar vestir de responsabilidade de gente crescida todo o processo de abrir a garrafa e degustar o néctar aprisionado por tantos anos.
O lacre da garrafa já estava partido e a rolha aparentava não ter solidez suficiente para aguentar o ScrewPull, mas a necessidade faz o engenho e com muita persistência e cuidado lá conseguimos retirá-la, ainda que bastante danificada. A cortiça era de boa qualidade o que era por si só um bom augúrio.
Não fazia ideia do que esperar de um vinho que apesar de ser da colheita de 1871, poderá ter sido engarrafado anos mais tarde.
O Vinho em questão era uma produção particular de Joaquim Francisco dos Santos, com a designação autorizada de Vinho Velho do Douro.
O primeiro embate de nariz deixou-nos estarrecidos. Em vez do avinagrado que no fundo esperávamos encontramos um perfume marcado de frutos secos, com bastantes notas de nozes e alguns aromas a marmelo assado. O álcool quase não se sentia e á medida que foi abrindo o vinho foi libertando aromas mais subtis, limpos e bastante atraentes.
Na cor encontramos uma paleta a meio termo entre um o bronze e notas de cor de barro, numa limpidez e brilho surpreendentes para a idade e o estado de conservação da garrafa.
O primeiro gole desfez qualquer dúvida. Tratava-se de um excelente porto, com uma elegância do compromisso entre o álcool e a fruta. Um corpo elegante, ainda que com uma lágrima pouco marcada. Foi uma aposta ganha.
Romantically holpless como sou não consigo deixar de pensar na vida que este vinho viveu, nas mãos por que passou, das viagens que fez ao longo destes 137 anos. Gosto de pensar que foi feito com amor, porque foi assim que foi bebido, por quem ama o vinho e o próximo com a mesma lata, paixão e ingenuidade de criança. Sobreviveu á monarquia, á Instauração da Republica, á ditadura, a duas guerras mundiais, ao 25 de Abril, ao meu nascimento…para acabar aqui descansado ao meu lado enquanto escrevo estas pequeninas notas.
Assim vale a pena viver.
Um brinde a todos.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Te desejo
Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humo
rSábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Carlos Drummond de Andrade
Definitivamente
William Osler
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Quem sabe ...sabe!
(Death in the Afternoon)
"O vinho é uma das substâncias mais civilizadas do mundo, uma das coisas materiais que foram levadas ao mais alto grau de perfeição e que oferece a maior variedade de prazeres e de satisfações que qualquer outra que se possa comprar com intenções puramente sensoriais."
Ernest Hemingway
Para que não restem dúvidas
GROFF, LUIZ
No avesso das palavras
Confissões atrasadas são como aromas de um vinho envelhecido em garrafa por muitos anos estático na prateleira. Quando lhe abres a boca é cheirá-las rápido porque depressa se vão.
Mas apesar de tudo, o contéudo justifica a paciência do decantar dos silêncios que se abrem.
Obrigada taralhoco por esta carta.
Cuidado com os pedidos ao Valentim..
DEFINIÇÕES DE MARIDO!...
Sabe o que é um marido DVD?> É aquele que se Deita, Vira e Dorme.
E um marido DVD + R?> - É aquele que se Deita, Vira, Dorme e Ressona.
E um marido CD?> - É aquele que só Come e Dorme.
Moral da história...
NÃO HÁ COMO OS ANTIGOS VHS...- Várias Horas de Sexo.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
E porque aprender ás vezes não custa nada...
Depois de por circunstãncias várias ter deixado a um canto esquecida esta paixão da prova dos vinhos, outrora meio de sustento, constatei que isto de conhecer/reconhecer o fruto do suor dos outros em dias de inspiração, se complica com os períodos de longas ausências.
Olhando para a prateleira da garrafeira, percebo que me passaram a perna e agora há que desatar a correr para conseguir chegar ás novidades do momento, que vão muito além, graças a Deus e a uma boa memória e boca simpática, que os Pintas, os Chriseias ou Preta que desfilam por aí á boca cheia.
Munida de termômetro, disponibilidade mental, Moleskine e uma boa dose de água fresca é vê-la armada ao pingarelho a abanar copos a bocejar de cara á banda, pelas várias provas a que gentilmente me convidam.
E porque não sou uma miúda egoísta (nem sequer miúda, hoje em dia), e acho, convictamente que isto do vinho é para todos os que tenham uma mente aberta e não se importam, muito, de andar de transportes públicos, alerto os estimados eleitores e enófilos compulsivos para mais uma prova de vinhos promovida pela ViniPortugal, próximo fim de semana, nas Amoreiras, durante todo o horário de funcionamento do Centro.
Lá encontrarão, este fim-de-semana, os vinhos da Bairrada. Não são uma aposta fácil para iniciantes, mas para quem quiser aprender mais sobre a temàtica terei todo o gosto em dar uma mãozinha e partilhar os meus, ainda incipientes, conhecimentos.
Brevemente apresentarei aqui um pequeno programa dos cursos de Introdução à Prova de Vinhos, direcionados para iniciados e que são sempre uma maneira simpática e barata de animar um jantar de amigos em vossa casa, ao mesmo tempo que se descobrem uns títulos interessantes para impressionar qualquer belo jantar de familia.
Até lá...bebam um copito. A terra agradece e eu também.
P.s...meninas não se acanhem!
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
O amor num calendário
Á laia de "As good as it gets", tive recentemente e por mais do que uma vez, ocasião de debater com alguns dos protagonistas das falhadas histórias de amor que vivi, umas longas e vividas em extremos outras que não passaram de simples enfatuations, as razões do fracasso de tais projectos. De onde menos esperava ouvi a melhor resposta, ou pelo menos aquela que me coube na carapuça, entre o espanto das suas palavras e o incrédulo do meu coração que ali a um canto ainda está a digerir.
Perguntei-lhe se alguma vez me amara.Riu-se alto e chamou-me tonta. Claro que sim. Primeiro apaixonara-se sem razão nenhuma, para além do facto de eu lhe assentar bem. Não eram preciso justificações para se estar bem. Estavamos ali, eramos jovens e fazia sentido. Bastava.
Meia envergonhada perguntei-lhe porque se afastára. Olhou-me com cara de poucos amigos e acusou-me de ser esquecida. Eu é que o mandára embora.Não uma, não duas, nem sequer três vezes. A partir de algum tempo cansara-se de me tentar mostrar que me queria. Eu não queria ver.
Ainda que as palavras dele me tivessem adulado o ego, anos depois de tantas outras palavras terem ficado por estas páginas penduradas á espera que ele as visse, a verdade é que fizeram mossa.
Pouco convencida procurei outra outra vítima do meu afecto, para fazer as mesmas perguntas. Nem precisei de muitas perguntas dissimuladas para que me atirasse á cara um chorrilho de ideias fundamentadas por quem passou muito tempo a pensar no assunto. Acusou-me de não querer ser feliz e boicotar constantemente qualque tentativa de me deixar amar. Que não sei confiar, que não acredito, que nada para mim é sagrado e essa é a verdadeira causa do meu desamor.Mas deu-me os parabéns, por tantos homens bons que tentaram.
Numa altura em que a vida me dá a maior lição que se pode receber, questiono o meu passado e estas outras relações de forma quase obsessiva para confirmar uma teoria que há muito se vinha elaborando nos intervalos da dor. É doloroso perceber que em verdade eu fui e sou até, uma mulher muito amada. Talvez nem sempre da melhor maneira ou pelos melhores motivos, mas, de facto bastante querida por homens, que hoje me parecem realmente Principes Encantados.
Afinal,não sou apenas uma miúda com olhos "inclinados á remela", que sempre se apaixonou por homens inacessíveis ou de fracas convicções. Os homens eram bons, o amor é que tinha defeito, mas vinha de origem.
Aqui sentada enquanto escrevo um pouco mais de mim, nestas memórias virtuais que servirão brevemente de testemunho para os meus filhos, confesso:
- Eu não sei amar, pelo simples facto de que não sei, não consigo sentir-me amada. Mesmo em momentos em que o bem- estar era supremo, em que a plenitude me inundava, encontrei sempre um motivo para não acreditar na longevidade do afecto. Curiosamente retrospectivando, percebi que a todos os homens que amei acabei por lhes dar guia de marcha. Todos excepto o primeiro, aos meus treze anos. Creio, se as minhas básicas capacidades de psicalistas me permitem,a presunção, que o fiz pela antecipação da perda. Nunca os amei menos por os ter deixado. Antes pelo contrário. Insisti com cada um deles o tempo que me foi possível e a todos amei com a maior convicção do momento. Para todos quis ser a primeira e a última.
Estranhamente senti a dor da ausência, do frio cortante da saudade que embarga a voz e rebenta na alma. De todos fiz um luto longo e contagiante.
A triste verdade é que o amor não me convence. Não chega cá ao fundo. Acredito nele enquanto os olhos se enchem de cor e da ilusão da sedução, ou os ouvidos se derretem com palavras bonitas mais distantes da prática do que a terra do sol. Mas quando os olhos já se habituaram ao excesso de luzes e o silêncio se impõe, o amor choca com a barreira e vai, a cada investida perdendo as forças.
Nessa altura eu, convencida que o que se avizinha pode ser cruel, apanho os cacos, limpo-os e devolvo o amor á proveniência para que o ofereça a outra.
Vou para casa remendar o muro que aos poucos vai parecendo um mural retalhado de rostos e memórias de um amor que nunca chegou a ser.
Por isso Valentim não insistas por favor, que do meu lado ainda se empacota, por entre cartas perfumadas, e imagens coloridas, os restos do último amor.
"Para quem se vai embora é sempre mais fácil. Pelo menos, muda de ares. Quem fica tem de respirar os restos de epiderme polvilhados sobre os móveis da casa."
José Luís Peixoto
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Sonhando debaixo de Nuvens verdes
"Quando nos deitamos no sofá, o peso precioso da tua cabeça
sobre o meu colo, não há limite para as coisas que imaginamos.
Imaginamos que atravessamos uma ponte sobre o rio.
Imaginamos que somos a chuva a cair sobre o jardim.
Imaginamos o tempo onde está o nosso filho.
Imaginamos o lugar onde adormece.
Deitados no sofá, sabemos que anoiteceu lá fora, e
sabemos que a pele do nosso filho nasce sob a tua pele.
Imaginamos cada pormenor do seu rosto.
Imaginamos os seus olhos grandes.
Imaginamos que somos três a imaginar.
José Luís Peixoto (poema inédito), emprestado por http://quintasdeleitura.blogspot.com/
Diz que sim...uma única vez
"Gosto de dizer que sim. Dizer que sim é querer resolver problemas, é seguir em frente, é lançar-se sem medo, rejeitar as amarras da auto-preservação. Sim, gosto de fazer planos e projectos, gosto de imaginá-los concretizados. Não gosto de dizer que não. As pessoas que dizem que não desagradam-me desde os primeiros instintos.
(...) Eu digo sempre que sim. E em cada uma dessas vezes, quero ser surpreendido. É isso que espero."
- Hoje Não (José Luís Peixoto)
sábado, janeiro 26, 2008
Avisos á navegação
2-Se procuram critícas literárias, bem fundamentadas por leitores compulsivos e cheios de frases espirituosas...a resposta é idêntica á primeira.
3-Se procuram informações sobre gatos persas...lamento, mas aqui para além de uma foto não existe mais nada. Eu até nem simpatizo com gatos.
4-Se procuram contos eróticos ou descrições de encontros clandestinos ao melhor estilo da porno-chachada-intelectual, sugiro que procurem blogs que comecem por pusssy ou trintona sexy ou algo do género. Eu até sou daquelas que acha que o sexo é sobrevalorizado.
5-Se procuram informações sobre o programa de filosofia do 11º ano, lamento mas trata-se apenas de uma coincidência de estilo, já que apesar de lá ter passado continuo a não entender nada da mesma.
6-Se procuram mensagens ou massagens ao ego, desculpem-me mas para esse peditório já dei o suficiente.
Então... e para que serve este blog? Para mim, para arrumar ideias, para me descobrir ao longo dos anos. Por isso e para os visitantes de passagem, não percam tempo e vão ler um livro que sempre aprendem um pouco mais. E leiam tudo...até a Margarida Rebelo Pinto, aqui não se tecem considerações sobre gostos alheios. E se depois quiserem opinar ou discutir o assunto, ai sim podem voltar.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Nem sempre é bom ter o que se deseja
in OS MEUS PROBLEMAS, MIGUEL ESTEVES CARDOSO
Primeiro amor (re)visitado....
Rejuvenesceu e fugiu pelo corpo dela. Embrulhados em lençóis novos saciou-se de cheiros e vontades, construíram planos, perspectivas e expectativas que se cumpriam tarde mas ainda a tempo. Ela adiava-lhe o tempo e evitava o frio do fim.
Lá fora a vida seguia em sessão contínua. Mas ali, os novos amantes revisitados invertiam os ponteiros e deixavam-se dormir.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Versos Perdidos
que tengo los labios secos y ello gracias a tu boca,
donde un dìa me besaste de noche con tu suave aliento,
no vi motivo para arruinar aquel hermoso encuentro,
esperè esperè y esperè como espera una roca,
pero ya hace surcos mi fatiga en la arena del desierto,
asì me quedarè aquì hasta que a la deriva lleguarè a tu puerto"
Jorge Martinez
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Cabo de Hornos Cabernet Sauvignon 2002- Vinã San Pedro
Este vinho transporta-me a uma magnífica viagem ao Chile, onde o provei em primeira mão e tráz com ele uma palete de private jokes, memórias boas, muitas asneiras e o fim de tarde mais imponente que vi.
Como não sei fazer sobremesas escolhi para relaxar depois do repasto, uma companhia que também adora vinho...o mais famoso ugly sexy, Gerard Depardieu, aqui acompanhado por uma cota que já viu melhores dias ,Catherine Deneuve, no filme sugerido pelo Paulo Branco (ou não fosse ele o Produtor), "Os Tempos que Mudam".
O Moleskine e eu
todas as manhãs ao sair de casa,
todas as tardes ao voltar.
Mesmo quando pareço despido,
quando pareço não ter algibeiras,
estás na algibeira do sonho,
no território da paz.
Levo-te onde couber o amor."
Ignacio Anzoátegui
terça-feira, janeiro 22, 2008
Tenho um decote pousado no vestido e não sei se voltas
mas as palavras estão prontas sobre os lábios como
segredos imperfeitos ou gomos de água guardados para o verão.
E, se de noite as repito em surdina, no silêncio
do quarto, antes de adormecer, é como se de repente
as aves tivessem chegado já ao sul e tu voltassesem busca desses antigos recados levados pelo tempo:
Vamos para casa?
O sol adormece nos telhados ao domingo
e há um intenso cheiro a linho derramado nas camas.
Podemos virar os sonhos do avesso, dormir dentro da tarde
e deixar que o tempo se ocupe dos gestos mais pequenos.
Vamos para casa.
Deixei um livro partido ao meio no chão
do quarto, estão sozinhos na caixa os retratos antigos
do avô, havia as tuas mãos apertadas com força, aquela música que costumávamos ouvir no inverno. E eu quero rever
as nuvens recortadas nas janelas vermelhas do crepúsculo;
e quero ir outra vez para casa. Como das outras vezes.
Assim me faço ao sono, noite após noite, desfiando a lenta
meada dos dias para descontar a espera. E, quando as crias
afastarem finalmente as asas da quilha no seu primeiro voo,
por certo estarei ainda aqui,
mas poderei dizer que, pelo menos uma ou outra vez, já mandei os recados, já da minha boca ouvi estas palavras, voltes ou não voltes."
Maria do Rosário Pedreira in «366 poemas que falam de amor»
Para quem gosta de nuvens
Passa ai o SG!
O que direi olhando para ti…
...dependerá sempre de cada olhar.A vantagem de se ter tempo, subitamente livre, ainda qua não pelos melhores motivos, é que nos dá espaço para descobrirmos novas coisas. Para além de ter percebido que não passo duma SALT(Y), encontrei uma belíssima companhia.
Este filme apresentado por Rodrigo Garcia, abusa da poesia como as palavras do pai,um complemento perfeito para uma união, Gabriel Garcia Marques . Um filme sobre mulheres nos seus diferentes estados, à beira do sólido, do desiquilibrio, do confronto. Personagens densas e marcadas em interpretações naturais e bastante simples. Com um ritmo tranquilo e musicado. Com Glenn Close, Cameron Diaz , Calista Flockhart, Holly Hunter, Kathy Baker.
sábado, janeiro 19, 2008
sexta-feira, janeiro 18, 2008
A menina?...dança
Também não adivinham aquilo que não mostramos.
É por isso que entendo a melhor atenção no gesto, aquilo que fazem por nós, na tentativa de nos verem um pouco mais felizes. Mas não entendo, quando não aceitam de bem, que queremos viver diferente, ser diferente, estar diferente.
Nestes dias, já longos, em que se tenta perceber, conhecer, aprender a nossa cartilha tenho encontrado muitas pequenas grandes coisas. Coisas de somenos importância, talvez, mas bocadinhos de vida que parecem bombons. São EPÁ’s de formas, cores e sonoridades diferentes…um filme que revemos e nos enche o peito de cócegas, a última tablete de chocolate escondida no fundo do armário, o desespero do último cigarro, o livro que nos emociona, o velho amigo que se reencontra atrás da tela, a voz da rádio que nos transporta a outros tempos, a passados bons.
É por isso imprescindível que dance sozinha. Longe das luzes e dos cheiros de outros corpos. Da sensualidade profunda que cada um tem atrás da sua dança. Que fascina, encanta, preenche tantas vezes. Há poucos prazeres como ver alguém a conversar com a música com as mãos.
O vinho ajuda a soltar a língua presa na dor, e reverte-lhe os ponteiros e canta-se, alto e bom som, só para nós. Grita-se, ouvem-se risos, admira-se, encanta-se, chora, ri, canta.
Uma parte da vida em pause. Desligam-se os telemóveis. Escondem-se os relógios e vive-se. Sem plano, sem direcção. Deixamo-nos escorregar no vinho sossegado no copo e todo um caminho novo cresce.
Equaciona-se o amor nas suas 323 formas, nos seus jeitos e gestos grotescos. Aceita-se, perdoa-se, desculpa-se. Tudo e todos. Por minutos ou para todo o sempre.
Por isso, meus amigos aceitem. Aceitem que estou triste e que isso é mesmo assim. Não é dramático, não mata, não me fará mal. Aceitem que também estou contente. Que me emociono comigo mesma, que assumo saudades de mim.
Aceitem que por hoje, tenho despedidas a fazer. Gavetas para arrumar.
Hoje espero. Só por hoje, espero.
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Olha o que me havia de sair na Rifa
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posiçõe
sarrependido de palavras e gestos.
este coração tantas vezes incompreendido.
tantas vezes provocado.
tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre
sorrisos tão largos que quase dá pra engolir
as orelhas, mas que também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração,
ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego,
surdo e mudo,mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusara cultivar ares selvagens
ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta."
Clarice Lispector
terça-feira, janeiro 15, 2008
a amizade que se esfuma...
[Inês Pedrosa, in "Fazes-me falta"]
segunda-feira, janeiro 14, 2008
- Mas os crescidos fazem-no. E eles são crescidos e já foram ensinados e fazem-no na mesma. E como são crescidos e mandam na vida, ninguém se pode zangar com eles.
- Claro que se pode.
- Eu acho que quando se começa a ficar velhinho, como tu se mente mais, diferente mas mais.
- Eu não estou a ficar velhinha…não digas isso.
- Estás. Por isso já é que tu mentes.
- Que te menti eu? Diz lá.
- Mentes quando fazes de conta que sorris. Que estás contente quando estás triste. Tens um sorriso faz-de-conta. E isso é enganar, por isso também é mentira.
Tenho o peito estremunhado. O silêncio encobriu o que não lhe podia dizer. É feio mentir…não só aos outros. Mas a nós próprios e a uma pequena extensão do nós.
Arquivos de cabeceira...
- Oh, sim.
- Muitas vezes?
- Frequentemente.
- E o que é que te impede?
- Não é que eu queira morrer, é que quero viver... viver melhor. Quero que a vida seja melhor e assim compenetro-me que é melhor ficar viva por um pouco mais de tempo.
-Não morres.
-Isso foi também o que disseste no sonho.
-Então não posso enganar-me duas vezes em vinte e quatro horas.
-Diz isso outra vez.
-Não me posso enganar.
-Outra vez.-Não vais morrer.
-Uma última vez.
-Não vais morrer. Vais viver.
-Está bem. Obrigada. Adeus.
O que é?
- Estou a pensar que ainda te amo.
- A sério?
Apesar de?
- Apesar de."
Philip Roth, Traições
domingo, janeiro 13, 2008
Matar o vício...
Ainda que muito escangalhado o amor incompleto, que não se viveu até á exaustão fica pendurado atrás das portas e não se esquece. Não o podemos mandar dar uma volta ao bilhar grande. Ele regressa de cara cheia.
Ele é que se liberta de nós.
Primeiro parte o sabor. Vai-se embora o doce, num carreiro de formigas que vai do coração á barriga embrulhada de nós. O amargo ainda fica num longo final de boca.
Sorrateiramente o tacto sacode-nos e parte-se em cacos no vazio.
Depois, foge-lhe o cheiro e nem as gotas guardadas numa velha camisa nos valem.
Os nossos olhos zangam-se com a ausência e a memória teima em brincar ás escondidas. Como miúda de feitio ranhoso, esconde-se, e faz-nos aflitos a procurá-la por todos os cantos e debaixo dos colchões.
Desistimos de lembrar. Acalmamos e até ficamos contentes, mas como a ausência sustêm em nós as palavras ditas e reditas na nossa cabeça caímos de quatro ao ouvir a musica que nos deixa o amor em repeat.
Até que ele se canse. Se canse da nossa figura patética suspensa por um fio de esperança. E um dia parte e só deixa um recado:
Fui matar o vício, volto já.
sábado, janeiro 12, 2008
18 de Maio...de um ano qualquer

"Caressing the marble and stone
Body that curls in and hides
Hangman looks round as he waits
quarta-feira, janeiro 09, 2008
"Amor " de António Mega Ferreira
«Não percebes porque é que não te falo? Ainda não percebes que, na personagem que de mim eu enceno, não cabe a ameaça de uma derrota, a antecipação do desencanto, a sombra de um vexame? Não te falo, para não saber que o que eu te digo é apenas a forma contida de te dizer outra coisa, mas que essa coisa não é do teu mundo, nem do mundo que eu construí, nem do precário mundo que a nossa fragilíssima ternura mútua arquitectou. E tudo isto é literário, eu sei, mas – que queres? -, a literatura é o melhor de mim e é o melhor de mim que vive dentro da minha cabeça quando estou contigo.
«E depois, afastamo-nos. Beijo-te a correr, não sei se já reparaste, e quase fujo, porque sair do pé de ti é regressar ao que não és tu, o teu olhar e as tuas mãos, a tua alma e a tua voz, e isso, meu amor, transformou-se no insuportável intervalo entre dois encontros.
«Esta carta de amor é um excesso (e isso prova superiormente que é uma carta de amor): eu amo não a ideia de amar-te (durante muito tempo, eu julguei que era apenas isso), mas a ideia de perder-me no meu amor por ti. E mesmo amar-te é um excesso, porque tudo aconselharia que eu me limitasse a mitificar-te, que é a melhor forma de evitarmos enfrentar a realidade.
«Porque a realidade, aqui, é como uma dor difusa, tu sabes como é, um incómodo ainda não localizado, que progressivamente se vai definindo e acertando, até que, insuportavelmente nítida, a sua imagem se nos impõe como uma evidência. A minha dor é que eu comecei a amar-te, sem o saber, durante aquele breve período de tempo em que sair de casa era a promessa reconfortante de ver-te e falar contigo. Eu não sabia, repito, mas o tempo ajudou-me a definir essa pequena dor, tão secretamente pavorosa: cada vez que estou contigo (cada vez mais, meu amor, cada vez mais) é como se a minha vida se virasse do avesso. E é verdade, é cada vez mais verdade, que, quando penso nas coisas que ainda me falta fazer na vida, é em ti que penso. E tenho medo, como um animal que instintivamente foge do que sabe não poder atingir.
«Eu penso em ti, ainda mais do que te digo, e tu estás em tudo, mesmo quando não te penso, tu és a grande razão, o horizonte sem nome que constantemente se desenha na minha imaginação de mim.
«Há uns anos, este seria o momento de desmontar o discurso desta carta, de te mostrar os subtis mecanismos da alma e da máscara, de desdizer ironicamente o que já disse, de insinuar que, afinal, as-coisas-talvez-não-sejam-exactamente-assim. Mas as coisas são exactamente assim, e a carta, que poderia transformar-se num confortável exercício paródico, é, inevitavelmente, uma agonia e um embaraço. Esta carta é um acto de puro egoísmo, que eu até talvez nem tivesse o direito de praticar. É-te incómoda, necessariamente, e isso bastaria para que eu me abstivesse de a enviar, dentro de um envelope azul. Mas o azul fica-te tão bem, e as cores todas ficam em ti como tu ficas no mundo: exactamente.
«Mas, repito: esta carta é um acto de puro egoísmo, é como se não tivesse destinatário. E, no entanto, é preciso enviá-la, para que seja uma carta de amor, para que faça sentido como carta. Para que seja amor. Mas podemos imaginar uma saída elegante: para que possas conservá-la como pura carta de amor, quero eu dizer, sem o embaraço de saberes que ela te foi escrita por alguém que não amas, não a assino. Dou-te tudo: até a hipótese de esta carta não ter sido escrita por mim.
«(E não, esta carta não pode ter sido escrita por mim. És tu – em mim – que me faz escrever o que eu não escrevo. E isso é – de novo – o melhor de mim.)»
A morte saiu á rua num dia assim....
"Dizer adeus"
Dizer adeus naquele momento parece ser o mais doloroso. A missa, as pessoas em lágrimas, nós em lágrimas, os rituais, os abraços e uma vez mais as lágrimas. Mas afinal, a morte não é isso, nem a partida do corpo nem as despedidas sentidas é tudo o resto, todos os dias que sobram.
Segue-se um vazio tremendo, de vez em quando até esquecemos que a pessoa já cá não está, entre nós, e introduzimo-la na conversa, nos momentos do dia-a-dia. Até que nos damos conta que não é assim. Resta então essa imensa capacidade que temos de sobreviver, de tomar fôlego e andar em frente, mas não estamos sós, porque ao nosso lado, bem ao nosso lado, vai uma sombra a par.
A morte nunca é justa, tal como a vida não o é. E é nessa depuração das tristezas e dos ressentimentos, que vamos fazendo o caminho. Mas amar, das mais diferentes formas que o amor toma, é sempre um bálsamo para a alma. Mesmo que naquele momento só signifique mais dor, a verdade é que ninguém morre enquanto houver uma única pessoa que o relembro com saudade. A memória é uma bênção dos deuses. É aí que vamos buscar o alimento para a vida, e é aí que guardamos o que foi e já não é.
A amizade é a outra forma do amor, e dá-la e recebê-la torna-nos seres humanos muito melhores. É isso que significa envelhecer. É ver partir, chorar e depois sorrir com as lembranças e sempre que possível, dizer a alguém o quanto gostamos, o quanto essa pessoa é importante para nós. O que podemos ambicionar é que a idade nos leve o pudor das palavras e nos dê maior dimensão à alma."
in Destak 4.12.07
terça-feira, janeiro 08, 2008
Presente de dia de reis....
- Mãe, estou tão feliz por usar óculos. Sempre quis usar óculos.
- Ainda bem, mas porque motivo sempre quiseste usar óculos?
- Para ficar igual a ti.
- igual a mim, porque?
- Dah...porque mãe, tu és a pessoa mais bonita do mundo e quando crescer quero ser como tu!!!
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Rua do Quelhas
onde é depressa a mágoa e a saudade
oh meu amor de longe quem me diz
Como é a tua sombra na cidade
Morre-se devagar em frente ao Tejo
repetindo o teu nome lentamente
cintura com cintura, beijo a beijo
e gritá-lo, abraçado, a toda a gente
Morre-se devagar e de morrer
fica a cinza de um corpo no olhar
oh meu amor a noite se vier
é seara de nós ao pé do mar."
António Lobo Antunes

